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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Agora o Sporting ou Liga ou desliga

Como bem se sabe os terramotos não se fazem anunciar, acontecem de forma inesperada. O que aconteceu ao Sporting em Setúbal foi algo semelhante a um abalo telúrico, cujas consequências estão ainda por apurar. De forma inesperada o empate  em Setúbal - ou devo dizer a derrota? - abanou muitas convicções e lançou muitas interrogações cujas respostas vão começar por ser conhecidas já no compromisso com o F.C. Porto, em Braga, nas meias-finais da Taça da Liga.

A tão mal-amada competição não podia pedir melhor, todas as atenções estarão agora para si viradas. Assim, de repente, de jogar na competição enjeitada de forma diletante e apresentado-se com equipa para rodar as reservas, o Sporting não tem outro remédio senão olhar para ela como um objecto de desejo. Ganhá-la significaria que ultrapassaria a equipa que comanda com todo o mérito o campeonato, marcaria um regresso à conquista de troféus, algo que sob o comando de Jesus parece ser já demasiado longínquo e diminuto, se comparado com os meios colocados à sua disposição. 

Mas acima de tudo, talvez o mais importante, a conquista da Taça da Liga significaria as pazes com os adeptos, o regresso do optimismo e o aplacar dos  piores fantasmas sobre a prontidão leonina de voltar a conquistar o tão desejado campeonato. E dentro desses fantasmas o  pior é precisamente aquele que pode vir de dentro: é que a dúvida que o resultado de Setúbal lançou no seio dos adeptos e talvez até na própria equipa só tem antídoto com vitórias.

Sendo muito desejada, a vitória nesta meia-final só pode ser obtida com uma exibição segura e madura, ao nível dos melhores jogos ao alcance do actual plantel sob o comando de Jorge Jesus. A equipa de Sérgio Conceição não está apenas moralizada pela boa campanha que tem levado a cabo. Esta equipa fez as pazes com os adeptos por se apresentar aquilo que eles sentem ser o "jogar à Porto". 

Dar tudo, jogar com muita vontade, a tal "atitude", é aqui sinónimo de elevado nível de concentração do primeiro ao último minuto de jogo. Mas significa também uma boa organização defensiva que começa logo a produzir bons resultados pela forte pressão que os homens de Sérgio Conceição exercem em qualquer lugar, por via da boa disposição colectiva em campo, a partir do momento em que perdem a bola.

Uma vez retomada a posse, a equipa azul e branca tem sempre na manga uma paleta de jogadas, normalmente iniciadas em transições muito rápidas, sem fosquinhas, com a ideia de golo como objectivo primordial. Como se não bastasse, tem ainda ao seu dispor uma panóplia de recursos nas bolas paradas que em muitos encontros lhes tem valido como desbloqueador de resultados. E, como é bom não esquecer, tem muita força em Aboubakar e Marega para juntar aos atributos técnicos de Brahimi.

Só um Sporting personalizado e confiante na sua qualidade - que não é pouca! - logrará um bom resultado. Concentração máxima até ao apito final, sem inseguranças ou vacilações. Por exemplo, as mesmas que teve na primeira parte contra o Aves, que não terão outro resultado senão um rápido e inapelável sentenciar do resultado por parte dos aríetes africanos vestidos de azul e branco. O mesmo se poderá dizer das bolas paradas, com as movimentações de Danilo, Filipe e Marcano a exigirem atenção acrescida.

Na frente, em ataque organizado, ou em transições, exigir-se-á uma assertividade muito maior e que tem estado ausente, como por exemplo em Setúbal. Tal tem tem determinado o desperdício de grande parte do volume de jogo leonino, especialmente na definição das jogadas.  Muita dessa imprecisão tem vindo de Acuña e Gélson, cuja  forma já conheceu melhores dias.

Exigir-se-á também muito mais a Bruno Fernandes do que aquele desaparecimento no combate do clássico da primeira volta em Alvalade. Para isso será determinante o que o Sporting conseguir fazer no eixo central, onde o número 8 leonino não pode ficar afogado, como esteve nesse jogo,  entre os médios portistas e excessivas preocupações defensivas. É por isso que não deverá ser de estranhar que Rúben Ribeiro estagie no banco no inicio e Battaglia regresse ao onze para dar nervo e músculo àquela zona.

Não ignorando que tem um adversário forte e confiante pela frente, deverá ser porém contra si mesmo uma parte importante da tarefa a superar pelos jogadores de Jesus. Uma luta contra os momentos de desconcentração, mesmo que breves, bem como a falta de rigor e facilitismo no último terço do terreno, onde se exige acuidade, precisão e instinto letal de predador ante a presa.

Isto para não ter que prolongar os efeitos agónicos do terramoto de Setúbal e para que a respectiva memória não seja mais do que o embaraço de ter saído do meio do pó e dos escombros, mas ileso e de ambições intactas. A repetição de um novo desaire, ainda por cima com o grande rival nortenho, poderia significar que o abalo sentido em Setúbal era apenas um prenúncio de abanão maior e mais profundo.

Nota: artigo publicado ao abrigo da parceria com o portal FairPlay

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Recado para o balneário: ponham os olhos no Benfica.

Sim, leu bem o que escrevi com destino aos nossos jogadores, treinadores e dirigentes: ponham os olhos no que fez o Benfica. Sei que custa ler, especialmente porque é o nosso arqui-rival, mas a verdade é que souberam gerir bem o seu pior momento da época, após ficarem apenas "ligados à corrente" via campeonato nacional.

No jogo decisivo, no passado dérby, os jogadores encarnados jogaram de dentes cerrados e de faca na liga. Deram tudo o que tinham e acabaram por salvar o que havia para salvar, que era manterem-se na luta, evitando uma derrota comprometedora e de elevado potencial devastador para a moral colectiva. É isso que se pede sempre e mais ainda agora aos nossos jogadores: que respondam em campo!

O seu treinador percebeu que tinha que proceder a alterações e assim fez. Por vezes é preciso o contrário, é preciso a coragem de acreditar nos seus processos. A diferença entre actuar de uma forma ou outra cabe ao treinador percepcionar e gerir. É isso que JJ tem agora de fazer.

E os dirigentes também podem aprender. O SLB vive uma das maiores crises de sempre, por via do que se vai sabendo através da divulgação dos emails e não menos por uma época que quase acabava antes do Natal. Remeteram-se ao silêncio. 

Ao invés do barulho constante, das atoardas, dos posts ridículos e da falta de respeito pelos adeptos que dão tudo pelo clube, que tal tentarmos também um pouco de silêncio, de concentração e união de esforços, desde logo para a tão importante meia-final que se avizinha?

Também temos bons exemplos em casa. Veja-se por exemplo o percurso do ano transacto do andebol, várias vezes dados como mortos, mas acabaram por nos dar uma das mais importantes vitórias e uma das maiores alegrias dos últimos anos.

Dar o exemplo do rival é tudo menos agradável mas, perante o ruído permanente, à falta de melhores exemplos e discernimento  talvez não custe tentar...

sábado, 20 de janeiro de 2018

Vitória 1 - Sporting 1: Ai Jesus, que falta de estofo!

Ter ou não ter estofo para ser campeão é uma frase que acabou por ficar no jargão futebolístico, cuja autoria é de Pedroto e remonta aos finais dos anos 70 do século passado. Como poucos, o antigo treinador portista usava o que hoje se chama de "mind games" em seu favor, acentuando as dúvidas e hesitações dos adversários. Neste caso concreto decorria a época 77/78 e o SLB acabava de empatar 1-1 na Póvoa de Varzim. Pedroto assistiu pessoalmente ao tropeção do adversário, não deixando perder a oportunidade para sair por cima.

Ora o que o Sporting fez no estádio do Bonfim foi um filme, ao vivo e cores, com um guião perfeito do que é não ter estofo para ser campeão:

- Perde a liderança à condição sem que o adversário tenha sequer necessidade de ter número igual de jogos.(!).

- Não consegue levar de vencida um adversário que tem sido dos mais frágeis de competição.

- Permite que a distância para o adversário que precede aumentando assim a pressão sobre si mesmo.

- Produz uma exibição atabalhoada, pouco esclarecida, denotando claro incómodo perante a pressão de ganhar.

- Sofre um golo já no final da partida, num lance normal para uma equipa inexperiente, mas inadmissível para um candidato ao título com uma equipa recheada de jogadores experientes. Como é possível sofrer um golo em contra-ataque com o jogo já no final e ainda por cima negligenciar a linha que colocaria Edinho fora-de-jogo?

O Sporting queima assim um cartucho que para já - muita coisa pode mudar ainda, mas... - nos obriga a vencer o FCP em sua própria casa. Culpas para os jogadores obviamente, por serem eles os actores directos de tanto erro e desperdício e pela falta de serenidade.

Responsabilidade para o treinador Jorge Jesus, que pouco podendo fazer para evitar tantas falhas em campo, podia e deveria ter agido de forma mais proactiva e esclarecida, no sentido de deixar a sua equipa mais confortável em circunstâncias muito favoráveis. Algo que se volta a repetir, depois do que já havíamos visto anteriormente, como por exemplo no dérby.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

À volta da primeira volta do Sporting

As primeiras impressões
As primeiras 5 jornadas da Liga corresponderam a outras tantas vitórias, carimbando logo aí a seriedade da candidatura do Sporting ao título. Algumas das dúvidas relativamente à qualidade de alguns dos novos jogadores foram também por aí perdendo força. Apenas Coentrão confirmou a debilidade física que o fez sair de Madrid à procura da reafirmação e de um lugar no avião da selecção nacional para a Rússia, lá mais para o Verão. Piccini entraria ainda com hesitações que se tem encarregado de superar com distinção. Mathieu foi desfazendo os piores temores, sendo, de todo o quarteto defensivo, aquele que se revelaria a melhor surpresa, pela qualidade e equilíbrio das suas acções.

Mas a grande surpresa teria sotaque italiano pelo clube de origem, mas expressa-se em bom português: Bruno Fernandes. Uma das melhores aquisições do Sporting dos últimos anos e um dos melhores resgates do futebol nacional. A maior visibilidade proporcionada por jogar num dos grandes nacionais retirou-o da penumbra a que desde muito cedo se havia recolhido em Itália. Pela qualidade de soluções que o seu jogo empresta - ligação entre sectores, equilíbrio, meia distância -  dificilmente poderá ficar excluído das escolhas de Fernando Santos à partida para a concentração em Kratovo, nos arredores de Moscovo. No final desta primeira metade do campeonato é um dos nomes incontornáveis quando se pensa em fazer lotes dos melhores.

Os primeiros tropeções
Estava tudo aparentemente bem encaminhado quando acontece o primeiro tropeção. Não se pode dizer que não estávamos avisados, pelo menos pelo historial de resultados surpreendentemente maus em Moreira de Cónegos. Mais surpreendente ainda que o resultado foi a exibição tristonha. Talvez se possa contabilizar este nulo (1-1) como os primeiros danos colaterais pela participação na Liga dos Campeões. 

Danos Colaterais 
A factura da participação nas competições europeias é paga por quase todas as equipas, mais tarde ou mais cedo, no campeonato. Seja por cansaço, seja pela dificuldade em manter foco e motivação permanentes. Talvez não tenha sido um acaso que o empate se tenha registado nesta viagem por tortuosas estradas ao coração do Minho a anteceder a recepção à multitude de flashes que habitualmente acompanham as estrelas do Barcelona. Isto depois de já ter mostrado ao Steua de Bucareste o sinal vermelho no play-off da Liga dos Campeões e tomado de assalto a base do Olimpiakos, no Pireu. Este jogo confirmaria uma das debilidades na construção do plantel: a ala esquerda da defesa fica exposta a cada ausência de Coentrão. A confiança na prontidão de Jonathan Silva é manifestamente infundada.

Fraqueza com os fortes
Até o inicio de Dezembro, enquanto decorreu o ciclo europeu, o Sporting haveria de perder mais quatro pontos - que poderiam ser seis, uma vez que do jogo em Vila do Conde salvou-se o resultado - todos eles com um ponto em comum que se voltaria a confirmar no derby da Luz: a incapacidade do Sporting em vencer os mais fortes do campeonato. Precisamente o oposto do que representou a chegada de Jorge Jesus a Alvalade, uma alteração que se associa também a uma outra ainda não totalmente confirmada: esta versão 17/18 parece querer abordar os jogos de forma mais conservadora, expectante, cínica até, mas denota dificuldade na sua concretização.

Seis dos oito pontos são perdidos
Seguindo a lógica que para ser campeão se é obrigado a ganhar todos os jogos com os pequenos em casa e fora e todos os jogos em casa e fora chega-se à conclusão que dos oito pontos que não conseguiu amealhar (Moreirense, FC Porto, SC Braga e SL Benfica) seis têm que ser dados como perdidos. Seguindo o mesmo critério ficou em vantagem relativamente ao SL Benfica para os jogos entre si, que podem ser importantes em caso de desempate, se cumprir a obrigação de ganhar o seu jogo em casa na volta do campeonato.

Curiosidades estatísticas
Desde a longínqua época de 1994/95 que o Sporting não dobrava a primeira metade do campeonato invicto. Porém isso à época valeu-lhe de pouco, uma vez que Bobby Robson vingava-se então de um despedimento absurdo de Sousa Cintra e venceria o campeonato.

Há ainda uma outra interessante e desafiadora: nas últimas sete vezes que o actual comandante virou na frente à primeira volta, foi sempre campeão. Porém na oitava vez foi precisamente o Sporting que o impediu de chegar ao titulo numa outra coincidência: tal como então, o Sporting buscava interromper um longo período sem vitórias. 

Outro dado interessante para registo é que nos embates entre os principais candidatos ninguém logrou superiorizar-se na conquista de pontos, já no terreno jogo julgo ser inteiramente justo admitir que, no computo geral, o sinal mais foi dado pelo FC Porto nos jogos disputados entre candidatos.

E é aqui que surge alguma estranheza, que acentua a ideia de um Sporting diferente dos anos anteriores: na comparação entre rivais e contendores ao título o Sporting ostenta os número mais débeis em parâmetros importantes na análise de desempenho. Por exemplo, número de remates concedidos e efectuados, e os valores percentuais da posse de bola (dados GoalPoint).


E se houve algo verdadeiramente surpreendente no último dérby foi a apatia de Jesus no banco perante uma equipa sua tão distante daqueles princípios que tanto o notabilizaram: grande intensidade na pressão, quase sempre exercida em duas linhas, independentemente dela ser exercida alta ou com linhas mais recuadas. Muito critério na saída de bola no inicio de construção, sendo a proximidade entre sectores e as diversas soluções de passe que se oferecem ao portador determinantes para o sucesso da jogada.

Ao contrário, esta primeira volta revelou uma equipa demasiado permissiva com especial evidência no recente dérby. Viu-se um Sporting claramente partido entre sectores, onde um William demasiado encostado à linha defensiva compromete o êxito das saídas para o ataque. Dessa forma a bola ou chega raramente à frente sem bola e esta sem grande qualidade para permitir o êxito quando tal sucede. Mais estranho ainda foi constatar a inação de Jesus perante o desmontar de todos as cautelas e tracção traseira do adversário - Pizzi e Fejsa - sem que tivesse ocorrido uma resposta à altura a partir do banco.

Paradoxo Sporting
Para contrariar esta ideia de sinal negativo a equipa de Jesus vestiu o fato de gala para o encerramento da primeira volta, trucidando o Marítimo com uma mão cheia de golos. Por sinal, uma equipa cuja melhor virtude que lhe era apontada era a capacidade de defender. O Sporting é ainda uma equipa invicta, contrariando a ideia (que os números confirmam como uma das equipas que mais remates dentro da área concede) de equipa permissiva e os seus números de golos marcados (38) e sofridos (11) não estão distantes do que os seus rivais conseguiram: FC Porto 45M/9S e SL Benfica 40M/11S.

Ao contrário do que era a marca das equipas de Jorge Jesus, tem havido muito maior relevo para as acções individuais do que as de cariz colectivo. Aqui sobressaem Patrício, a realizar uma época no auge das suas faculdades, alcançando finalmente tudo aquilo que se lhe augurava. A eficácia de Bas Dost, mas muito dependente da capacidade que a equipa tem de lhe colocar a bola na área, onde é sibilinamente letal. Bruno Fernandes surge como a argamassa que une as diferentes pedras e o trio  Piccini, Coates e Mathieu como muro que tudo sustenta quando à frente tudo falha.

Não menos paradoxal é o comportamento até ao momento no mercado de Janeiro. Apesar da qualidade indiscutível dos jogadores até agora contratados aquelas que seriam as principais prioridades -  defesa esquerdo, número 8 "Adrien style", avançado para jogar com Bas Dost* - continuam por fechar. Ou haverá surpresa com Rúben Ribeiro e afinal Wendel este afinal é que é?

*Quando o artigo foi escrito não se conhecia ainda a vinda de Montero 

As dúvidas
É verdade que as equipas de Jorge Jesus tendem a crescer sob o seu comando e talvez ninguém tenha reparado que no recente jogo com o Marítimo, como na generalidade dos jogos realizados desde Agosto, Jesus tenha jogado com quatro titulares que chegaram este ano Ristowski, André Pinto, Coentrão, Bruno Fernandes. Este número de jogadores sobe para sete considerando os suplentes utilizados (Acuña, Battaglia e Medeiros).

As perguntas que agora se colocam é se este registo agora obtido é suficiente para chegar ao tão desejado campeonato. Confiando na sorte que tem protegido a equipa em alguns jogos e num eventual desaire futuro do actual comandante, claramente que sim. Parece-me no entanto demasiado ligeira este tipo de abordagem, por confiar em excesso em factores que lhe escapam ao controlo.

O ideal seria por isso eliminar as principais fraquezas acima descritas, o que não se afigura difícil para um técnico tão bem preparado e sagaz como Jorge Jesus. Ainda assim atrevia-me a um vaticínio: a equipa não se sente confortável num registo mais calculista. Ou então, além de uma maior reacção à perda, a melhor organização após posse e as transições deveriam ser melhor trabalhadas.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

De Montero a Barcos e de Vietto a... Montero

Foi assim que aqui expressei o que senti com a troca de Montero por Barcos:

Um dia vamos perceber porque fomos buscar Barcos e despachamos Montero. Mas nunca saberemos se o colombiano tivesse ficado poderíamos ter evitado três nulos fatais (Rio Ave em casa, Guimarães fora, SLB casa) e com isso uma sorte diferente no campeonato. O que nunca perceberemos é porque fomos buscar um jogador que estava parado (...)
 Para que não restem dúvidas, considero o Montero um jogador com talento e que pode trazer algo que tem faltado na ligação do nosso futebol no último terço, especialmente com Bas Dost. Já percebemos que podemos chegar até ao holandês pela via aérea, através de cruzamentos, mas que falta ainda a ligação terrestre, através de assistências para o pé, especialmente quando existe excesso de tráfego naquela zona.

Ora Montero parece-me um jogador capaz de conseguir essa ligação, muito mais até do que daria à equipa como 9. E ainda acrescenta meia-distância. Um bom avançado cujo rendimento não deve ficar apenas pelo número de golos marcados.

Há no entanto muitas dúvidas (minhas dúvidas...) para que esta operação venha a ser coroada de êxito no imediato, que é afinal o que se pretende quando se vai ao mercado no inverno. E duas serão cruciais:

1- O estado de prontidão de Montero, que não joga há um par de meses, fará que Jorge Jesus não poderá contar com ele tão cedo. Tomando o exemplo de Barcos, é caso para perguntar porque veio então?

2- É minha impressão que Jorge Jesus nunca foi propriamente um fã do jogador. Sabemos o que isso representou no passado, foi quase sempre o terceiro avançado da lista, atrás de Slimani e Teo e quando podia ter "dado jeito" deixou-o trocar por Barcos. Lembro-me na altura que JJ disse que o jogador é que lhe pediu para sair. Quem sabe exactamente por perceber que não contava muito...

Obviamente não nos podemos esquecer que o JJ queria mesmo era Vietto, que infelizmente optou por outros ares. Mas, ao que parece - e isto parece-me o lado bom da chegada de Montero  - é que o facto de ser declaradamente uma segunda escolha não parece assustar "El Avioncito". Pois então que venha e faça muitos voos rasantes e picados que tanta felicidade nos trouxeram no passado. Aquela da imagem no topo do post é inesquecível.

Números da anterior passagem de Montero por Alvalade (imagem Sporting Adeptos):

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Pedro Rodrigues pela Madeira dentro

Pedro Madeira Rodrigues desistiu da auditoria forense que se havia proposto e não podia ter ficado pior na fotografia. Não por não querer custear as despesas inerentes ao trabalho que seria realizado pelos funcionários do clube - algo que é muito discutível... - mas pela forma como concluiu a sua intervenção:

"Enquanto essa investigação não der frutos a dúvida sobre a honestidade do presidente do Sporting vai manter-se, uma vez que não é possível responder de uma forma rápida e cabal à pergunta 'desviou verbas do nosso clube?'
Ora quem levantou essas dúvidas foi precisamente ele e que as trouxe à praça pública. E, para quem se dispunha a realizar uma auditoria, não revelou nada de consistente até agora, para lá de desconfianças e estranhezas relativamente a alguns procedimentos relativamente a transferências.

Procedimentos esses que são de facto muito discutíveis, como por exemplo a preferência por figuras estranhas como José Fouto. Ou associações do nome do Sporting a protocolos com a Trafic ou a um clube facilitador de transferências como o Clube Deportivo Maldonado, nomes ligados a fundos e à falta de transparência cuja bandeira contra foi tão vigorosamente agitada por esta administração. Ou o facto, tão criticado no passado, incluindo por Bruno de Carvalho, de estarmos a pagar comissões quando vendemos e quando compramos. Mas que, até prova do contrário, tal configura incoerência mas é preciso mais do que isso para a acusação formulada por Madeira Rodrigues.

Julgo que alguém que foi candidato à presidência do clube querendo corporizar precisamente uma alternativa a Bruno de Carvalho estaria obrigado a maior rigor e outro comportamento. Assuntos desta natureza não podem ser tratados com a mesma ligeireza que uma conversa de redes sociais ou entre amigos, no café. É um mau serviço prestado a si mesmo, destruindo qualquer réstia de credibilidade mas sobretudo ao clube. É de prever que o seu mau exemplo seja colado a todos que se venham a constituir como alternativa à actual gestão.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Sporting 3 - D. Aves 0: mais um Ribeiro a correr para o mar holandês

Muita da sorte dos reforços de inverno é marcada pelo momento que a equipa onde vai inserir atravessa e pela forma como se faz a sua integração. Muitos bons jogadores ficam afastados do sucesso quando aquelas condições lhes são adversas. Parece que não será o caso de Rúben Ribeiro, que entrou muito bem com o pé esquerdo, aquele que daria a assistência ao inicio de mais um hat-trick de Bas Dost.

A chegada de Rúben Ribeiro, e o impacto que a sua presença promete vir a ter no desempenho da equipa é uma das notas mais salientes do jogo de ontem, onde o único aspecto negativo terá sido uma série de desatenções defensivas da primeira parte, que não são repetíveis com adversários com executantes de melhor qualidade que os avenses. 

O meu maior receio relativamente ao jogador não residia na sua qualidade para ser jogador do Sporting mas sim nas oportunidades que lhe seriam oferecidas para as demonstrar e que poderia acontecer caso as coisas não corressem bem no imediato. Isto porque sabemos bem como pode ser implacável o tribunal de Alvalade com jogadores chegados de clubes mais modestos e sem nomes terminados em "inho", "ov" "ic", etc...

Esteve por isso muito bem Jorge Jesus na gestão deste momento, com ganhos que se estimam poderemos vir a recolher mais adiante. Como é evidente, a presença de Rúben Ribeiro obrigará a algumas mexidas, uma das mais evidentes foi o recuo de Bruno Fernandes, o que lhe retira algum protagonismo que só se voltou a ver na segunda parte, quando o ex-jogador do Rio Ave já estava a descansar das fortes emoções dos últimos dias. Mas não creio que tal possa vir a representar um real problema, esses ocorrem mais facilmente quando há falta de talento, o que não é o caso.

O outro destaque obrigatório é o novo hat-trick de Dost. A forma como holandês converte é tão simples e limpa que até dá impressão de ser fácil. Bom, e até é, utilizando a simplicidade de processos como ele utiliza. 

Ainda no âmbito das análises individuais a impressão de menor fulgor de dois jogadores de quem esperamos muito mais - Gélson e Acuña - o que certamente acontcerá assim que recuperem a boa forma. Do outro lado o impressionante momento de forma de Patrício, pela qualidade e consistência das suas intervenções. Os seus números de intervenções estão ao nível dos melhores europeus e, para lá das qualidades colectivas, devemos a ele e Dost o lugar que ocupamos, bem como a manutenção intacta das nossas ambições.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Taça de Portugal: Das Covas com muita Piedade (e sorte...) até às meias

O mais importante foi conseguido, que foi a qualificação para as meias-finais da competição. Já a forma como lá chegamos foi pouco brilhante, em muitos momentos foi até confrangedor. Aquela primeira parte podia até ter posto em causa a qualificação. Tudo isto muito por culpa própria, pela falta de intensidade e concentração. 

Mas há que reconhecer também o mérito do adversário, pela abnegação e em alguns momentos até com alguma qualidade. Tanto assim foi que tivemos que nos socorrer dos valores depositados no banco para calçar as meias, cujos 180 minutos são agora o obstáculo a transpor para por os pés no Jamor onde, tudo indica, caso lá chegue, encontrará um adversário perfeitamente ao seu alcance.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Vietto, viste-o?

O jogador que o Sporting teve quase contratado mas que acabou por preferir viajar para Valência ontem, depois de quase um ano sem marcar, encerrou um hat-trick assim, desta forma que as imagens documentam.

Fica o registo, documentando que o Sporting acertou em cheio ao escolhe-lo. Pena foi que a sua opção tivesse sido recaído no Valência, algo que se explicará pelo facto de Marcelino Garcia Toral ser o actual treinador do clube che. O treinador asturiano foi responsável pela boa época de 2014/15 com 20 golos, que o levaria ao Atletico de Madrid.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Movimento G-15, qual é a estratégia do Sporting?

Não se sabe ainda que alterações serão capazes de produzir ao actual modelo de governo do futebol português o recém fundado grupo de quinze clubes, denominado G-15. Mas, atendendo ao seu número devem ser, pelo menos até ver, ser levados a sério. Dessa forma interessa saber qual é o posicionamento e a estratégia do Sporting e que consequências terão no futuro para o clube as decisões que daí resultarão.

Sem grande surpresa, até agora as coisas não parecem estar a correr muito bem para os nossos interesses e muito começou pela inabilidade com a questão foi abordada num primeiro momento. Sem perceber muito bem quem eram, que força tinham e a que se propunham, o Sporting começou logo por ameaçar os eventuais subscritores de decisões deste grupo com a nega ao empréstimo dos seus jogadores. 

Isto é aquilo que na gíria se chama uma "entrada de carrinho" ou se preferirem, a "falar grosso", saltando à evidência, de forma imediata, várias dúvidas:

Esta é a abordagem correcta para atrair, como nos interessava, o maior número possível de clubes para a nossa causa?

Temos força suficiente para fazer este género de ultimatos?

O eventual fim dos empréstimos seria mais penalizador para os clubes envolvidos, que poderiam recorrer sem problema, a outra fontes sempre mais "generosas", ou para o Sporting, como clube formador que é?

Pouco depois, mas já tarde para desfazer o equívoco inicial - talvez percebendo que se colocou em posição ideal para ser ultrapassado - o Sporting apresentou uma série de propostas [LINK] para serem discutidas na AG da Liga, de dia 29 de Dezembro. Do que li, devo confessar a minha desilusão pela falta de profundidade e pelo afunilamento das propostas a interesses e matérias da agenda mediática, sem nada de muito relevante e estruturante.

Como já hoje se sabe a reunião não correu bem, acabando com o abandono por parte do presidente do clube ao som de "cobardes" e classificando um processo decidido por maioria como um "processo antidemocrático"(!). Ainda que lhe assista a razão, nomeadamente em questões processuais, por certo que não será com esta dose de "vinagre que atrairá as moscas..."

Ao contrário, apercebendo-se do que pode vir a representar este movimento para os seus interesses, LFV manobrou no silêncio, negociou directamente pelo menos com um dos mentores do movimento, António Salvador, presidente do SCBraga. 

Pinto da Costa, que estava na referida AG, também haveria de abandonar a reunião, mas de forma mais discreta e sem hostilizar aqueles com quem sabe terá que voltar a encontrar e a discutir. Ainda assim manteve o seu representante. No seu "modus operandi" estará certamente já a negociar a reversão da aparente maioria que agora se formou ou a estudar como a reverter em seu favor.

O actual clima do futebol português não é favorável a alianças, mesmo quando existem interesses comuns, como é o caso dos chamados três grandes. É esse o mérito de António Salvador, sempre à espreita de uma boa oportunidade de fazer crescer o seu Braga. Ele sabe que se se entendessem os três grandes poderiam esmagar com relativa facilidade esta Revolta do Minho, desta vez comandada por uma Maria da Fonte de calças.

A menos que haja alguma reviravolta inesperada, o Sporting está agora completamente isolado, tão isolado como sempre teve, tendo demolido várias das pontes de entendimento que eram possíveis. Nomeadamente negociando directamente com os clubes com quem tem boas relações ou pelo menos normais, como por exemplo aqueles onde tem atletas emprestados.

Ao invés Bruno de Carvalho preferiu o insulto. No "seu" Sporting é um novo normal insultar sócios que não concordam com ele e ao que parece ninguém se importa - o PMAG ainda deve continuar a apagar fogos... - vamos ver como funciona na LIGA...

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Sporting 5 - Maritimo 0: Paquete verde oferece cruzeiro de luxo

No encerramento da primeira volta, na recepção ao Marítimo, se houve história trágico-maritima ou dramas eles foram exclusivamente vividos pelos insulares. Da parte do Sporting houve isso sim, uma exibição competente, segura e em crescendo. 

Tudo isso fruto de uma boa dinâmica no jogo interior, o que nem sempre tem conseguido, bem como graças a uma ala direita a funcionar a todo o vapor. Se é verdade que Piccini tem surpreendido pelo seu crescimento, não é menos verdade que Ristowski o supera no que oferece ofensivamente. A verdade é que não me lembro de estarmos tão bem fornecidos de laterais direitos numa época. Mais ainda se atendermos que qualquer um deles tem ainda espaço para crescer. Ristowski, por exemplo, dificilmente repetirá a desatenção que permitiu um lance de golo feito a Diney...

Não querendo retirar brilho a uma exibição colectiva competente, como acima foi afirmado, não pode passar sem citação especial o hat-trick de Bas Dost, que dessa forma está apenas a um golo de igualar Slimani, mas com uma diferença substancial: está ainda meio da sua segunda época, quando o argelino conseguiu os seus 57 golos em 3! 

No mesmo patamar de grande influência está Bruno Fernandes, jogador que assina um sem número de assistências para golo e absolutamente letal se lhe é dado espaço. A sua preponderância no nosso jogo é tal que se pode associar os nossos bons resultados aos jogos bem conseguidos por ele e o inverso.

Referência obrigatória também para o regresso com golo à titularidade de Bryan Ruiz. O seu golo foi em muito facilitado pelo passe de Bruno Fernandes, mas a forma como olhou primeiro para o guarda-redes e temporiza para escolher o momento certo e o local por onde fazer a bola entrar é de classe. É porém verdade que o seu lado, o esquerdo, foi muito menos proficuo que o oposto. A isso não terá sido alheia a ausência de Mathieu. Embora André Pinto esteja a cumprir defensivamente é indiscutível que a presença do francês dá outra amplitude ao nosso jogo ofensivo, quer em organização quer em transição e outra dimensão na área nas bolas paradas.

E assim dobramos metade do campeonato, a dois pontos do líder. Diz a história que nas últimas sete vezes que o FCP liderava na viragem para a segunda volta foram sempre campeões. Mas a história também regista que da última vez que não conseguiram o titulo nessas circunstâncias (99/00) fomos nós que os impedimos e tínhamos então três pontos de atraso. Estamos mesmo a tempo de repetir a gracinha não estamos?

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Tio Patinhas de Alvalade analisa o relatório da Soccerex Football Finance

Saudações leoninas a todos e muito obrigado pelas fantásticas reações ao meu primeiro post. Irei comentar em futuros posts, alguns dos aspectos importantes mencionados nos comentários ao mesmo, sem procurar ser consensual, pois a divergência de opiniões é salutar quando bem “praticada”. Mas vamos ao que me traz aqui hoje, o nosso Quinquagésimo Lugar no Finance Football Index da Soccerex.

Depois de mais um derby (com um resultado bem melhor que a exibição), a Soccerex lançou a edição 2018 do seu Relatório Football Finance, onde elenca, de acordo com um indicador criado por si, os 100 maiores clubes, em termos de poderio financeiro.

Este relatório refere-se à análise das contas dos Clubes referentes à época 2015-2016. O Manchester City aparece em primeiro lugar, estando algo surpreendentemente, o Arsenal em segundo. Apesar de futebolisticamente andar longe de um novo título de campeão inglês, a sobriedade da sua gestão origina a que não tenha praticamente dívida nenhuma e apresente resultados financeiros interessantes. No entanto, é de referir que um dos 5 sub-indicadores que constitui o FFI (Football Finance Index) é o do potencial de investimento pelos “donos” do Clube, o que favorece aqueles que têm accionistas fortes por trás em detrimento do modelo de sócios. 

Por isso mesmo, clubes como o Real Madrid (6º Lugar), Bayern Munique (10º Lugar) e Barcelona (13º Lugar) estão fora do top-5, porque neste sub-indicador são avaliados com 0. À imagem do que acontece com os 3 Clubes portugueses que aparecem no Top-100, o nosso Sporting (50º Lugar), Porto (52º Lugar) e Benfica (64º Lugar). Se expurgássemos este efeito, o topo do ranking seria certamente diferente, assim como os nossos 3 clubes subiriam uns bons lugares nesta tabela (que favorece o modelo inglês).

Analisando o FFI, verificamos que ele é constituído pelas seguintes variáveis:

• Activos (jogadores)

• Activos Fixos (estádios, academias, etc)

• Liquidez no Banco • Potencial de Investimento dos Donos

• Dívida Líquida

O nosso Clube aparece como tendo Ativos em jogadores de 196M€, Activos Fixos de 165 Euros, 3 Milhões de Liquidez, 0 em Potencial de Investimento e uma Dívida Líquida de 222 Milhões de Euros, dando um FFI de 0,469 atribuído pela Soccerex.

O Porto aparece como tendo o plantel mais valioso dos 3 Clubes nacionais – 206M€, mas tem menores ativos fixos (140M€), maior liquidez (13M€) e uma dívida maior (234M€).

Por seu lado, o Benfica aparece como o plantel menos valioso (175M€), ativos fixos de 169M€, com maior liquidez no banco de entre os 3 (30M€), mas uma dívida líquida de 339M€, superior em mais de 100M€ de Sporting e Porto.

Agora sabemos que indicadores como a valorização do plantel valem o que valem, porque realmente um jogador só vale aquilo que se especula, quando alguém se chega à frente em termos de compra de jogadores. E vemos que apesar de o Porto ter o plantel mais valorizado que, durante o período de 1 de julho de 2016 a 31 de agosto de 2017, teve muita dificuldade em realizar dinheiro com os seus ativos, enquanto que Sporting e Benfica encaixaram mais de 100M€ com ativos que estavam na valorização mencionada pela Soccerex.

De referir que este estudo apresentado pela Soccerex é apenas um exercício baseado nas variáveis e indicadores escolhidos pela mesma. Outros estudos que considerem variáveis diferentes (e pesos também) originarão resultados diferentes. Por exemplo, se ao FFI expurgássemos a capacidade de investimento dos donos / accionistas e considerássemos também a capacidade de geração de receitas, os resultados operacionais e o EBITDA gerado pelos diferentes clubes, muitas alterações ocorreriam. 

Estou curioso (mas esperarei pacientemente, porque deve ser daqui a um ano) para ver os resultados após contabilizarmos a época / ano fiscal 2016/2017, mas estou em crer que o Sporting manterá a dianteira neste campo, em particular.

E que juntemos o tão almejado título de campeão 2017/18 à liderança neste campo. Agora, encher Alvalade dia 7 de janeiro e empurrar a equipa para um bom final de primeira volta, com o Marítimo. 

Tio Patinhas de Alvalade

PS: pode encontrar o estudo [aqui]  para download

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Derby: este foi o pior da era Jesus

Desde a chegada de Jorge Jesus ao Sporting em 2015 que, independentemente dos resultados (tivemos de tudo...), sempre senti a nossa equipa por cima do adversário ou pelo menos com abordagens ao jogo mais correctas do ponto de vista da organização colectiva com vista à obtenção do que é mais importante num jogo e nestes em particular: a vitória. 

Ontem foi a primeira vez que não gostei da ideia de jogo de JJ. O Sporting quase nunca esteve por cima, quase nunca controlou o adversário e, pior, deixou-se estar em grande parte do jogo à sua mercê, confiando em demasia na sorte que pouco fez por merecer ou na falta de acerto dos avançados adversários. 

O que este jogo mais uma vez nos ensina é a sua própria imprevisibilidade e o que me parece inevitável aprender é que é necessário um pouco mais de audácia, especialmente quando a tivemos com adversários bem melhores num passado recente (Liga dos Campeões) e jogamos com um adversário no seu pior momento da época que, para conseguir um ponto, praticamente desmontou toda a equipa, arriscando tudo sem que o Sporting se mostrasse capaz de tirar outro proveito que deixar-se empatar.

Bem sei, salvou-se o resultado, mas é talvez agora o fraco consolo. Porque, atendendo ao resultado do FCP, os dois pontos que voaram são ainda mais penalizadores. A verdade é que deixamos de ganhar ao SLB (a última vitória foi em Outubro de 2015, na Luz 0-3), depois de uma verdadeira entrada de leão de JJ (3 jogos três vitórias e grande superioridade) e, este ano, não ganhamos um único jogo aos melhores (FCP, SCP, SCB) e em qualquer um deles a revelar menor prontidão do que era esperado. É cada vez mais nítida uma diferença de abordagem do treinador, mais cerebral, mas ainda não suficientemente eficaz ou, se quisermos, cínica para nosso proveito.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Sporting 6 - U. Madeira 0: O União para mostrar a força

Mesmo considerando o facto de o adversário ser de escalão inferior, a força demonstrada ontem pelo Sporting é um momento digno de nota, especialmente por dar indicações de a equipa vir em crescendo e estar nesta altura a viver o seu melhor momento da época. Algo que em breve, logo no inicio de ano, será testado ao mais alto nível no Eterno Dérby.

Uma primeira observação para a meia surpresa de Jesus, apresentando praticamente a equipa titular. Talvez seja algo injusto para alguns jogadores que esperariam uma nova oportunidade. Ristowski e André Pinto, por exemplo. Como não era avisado jogar com uma equipa de jogadores menos utilizados JJ optou por premiar Salin, Bruno César e Bryan Ruiz. 

O costa-riquenho justificou a chamada, não pelo que fez mas pela demonstração de necessidade de rodar para adquirir ritmo. Doumbia continuou o sumário da lição anterior: eficácia e noção de golo que pode ser muito interessante, pena é a alergia que se instala entre ele e Dost, parecem água e azeite. Saliência ainda para a descida promissora de Acuña até à lateral esquerda da defesa. Algo que não é de todo estranho, embora num registo algo diferente, inserido numa defesa a três ao centro. Foi tão bom que ainda deu para ver Iuri fazer uma demonstração do seu potencial individual, falta agora deixar ser aquilo que muitas vezes tem sido: um corpo estranho para a equipa.

E assim vamos descansados para ceia de Natal, esperando que os jogadores, merecendo inteiramente um breve intervalo com os seus familiares, não se distraiam com as luzes, prendas e viagens e mantenham o foco e o compromisso que têm alardeado nos últimos jogos.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Para afixar nos balneários em Alcochete

Por vezes não se consegue perceber o que leva um jogador talentoso e cheio de potencial acabar por se perder na imensidão de grandes jogadores que nunca o chegaram a ser. Muitas vezes nem sequer conseguem ser profissionais de futebol. 

O miúdo da foto acima (de 2014) é o miúdo das fotos actuais e, numa magnifica entrevista ao The Player's Tribune, onde cheguei através do site Trivela, ajuda a explicar como é que se escolhe o caminho, como se pode estabelecer a diferença. E ainda assim deixa ficar subentendido que a ideia que se chega lá cima facilmente só acontece nos filmes e nos romances.~

Um belo pedaço de prosa que devia ser lido por todos os craques em potencial e, não menos importante, pelos pais e educadores, por vezes tão ou mais sonhadores e ambiciosos que os futuros craques.

Sempre que eu marco um gol pelo Manchester City, minha mãe liga para mim. Assim que a bola balança no fundo da rede, o telefone toca.

Não importa se ela está em casa, no Brasil ou no estádio me assistindo jogar. Ela me liga todas as vezes. Então, eu corro até a bandeirinha do escanteio, coloco a mão no meu ouvido e digo: “Alô, Mãe”.

Quando eu cheguei no City, as pessoas acharam isso muito engraçado, e eles viviam me perguntando o que aquilo significava.

Tem uma resposta rápida: amo minha mãe e ela está sempre me ligando.

E tem uma resposta longa, que começa quando eu ainda era um menino com um sonho.

É claro que no Brasil existem milhões de meninos com um sonho. Mas eu tive sorte, porque no meio do caminho eu pude conhecer alguns super-heróis.

Não ria. É verdade. Eu vou provar para você.


Eu cresci num bairro chamado Jardim Peri, na Zona Norte de São Paulo, e para algumas pessoas que moram lá a vida é uma luta. Mas eu tive minha mãe. Que trabalhava muito duro e garantia sempre à nossa família comida na mesa. Mas para muitos garotos com os quais eu cresci era mais difícil. Às vezes, eles só tinham uma única refeição no dia, e essa era a que eles recebiam dentro do clube. Para ser sincero, muitos deles nem mesmo apareciam para jogar. Eles só vinham para se encontrar e comer de graça um sanduíche de mortadela com refrigerante. Era sempre pão com mortadela e uma lata de refrigerante.


Às vezes, era só refrigerante. E isso tinha que durar até o fim do dia.

Para mim, todos os meus sonhos, todas as coisas que eu tenho agora – tudo isso começa com o Pequeninos. Na verdade, é mais do que um clube de futebol. Não pense nas praias e todo esse tipo de coisa. Nosso campo era do lado de fora de uma prisão militar. No lugar onde era para ter o gramado, só havia sujeira e estava cercado por grandes pinheiros. As únicas pessoas que jogavam lá além das crianças eram os policiais dessa prisão.

Quando eu tinha nove anos de idade, eu apareci lá com meu amigo Fabinho, para ver se nós podíamos jogar pelo time. Nós andamos pela mata com as nossas chuteiras de futebol embaixo do braço. E foi então que nós conhecemos o cara que mudou nossas vidas – José Francisco Mamede, técnico do time mais novo. E ele disse pra gente “Com certeza, vocês podem jogar na próxima partida”.

Não tinha nenhum papel para assinar, nada. Porque este clube não era do tipo que tentava fazer crianças se transformarem em lucro – tem a ver com mostrar para essas crianças algo positivo, e dar a elas alguma coisa para comer e mantê-los longe das ruas. O Pequeninos não é um clube grande, então provavelmente você nunca ouviu a respeito. Mas eu tenho de dizer, eles fazem milagres por lá.

Era engraçado porque o técnico Mamede tinha um velho fusca branco – devia ser anos 70– e ele levava todos os garotos nele, e nós éramos tão pequeninhos que ele fazia caber 9 ou 10 dentro do carro, mais as chuteiras, as bolas, as cestas básicas e todo o resto.

Cara… o que esse clube faz por aqueles meninos, é incrível.

No Brasil, nós temos um nome para pessoas como Mamede: heróis desconhecidos.

E foi isso que ele representou para muitos garotos. Ele e outros técnicos… Eles  deram pra gente uma chance na vida.

Para mim, o amor pela bola era tudo. O treino pelo Pequeninos acontecia somente duas vezes por semana, então, se eu não estava lá, eu estava jogando nas ruas do Jardim Peri. Às vezes, eu ficava jogando bola com os meus amigos até meia noite – depois, nós ficávamos na rua falando sobre as meninas e tirando um com a cara do outro até as duas da manhã.

Em casa, não tinha muita coisa para fazer. Meu pai deixou a família logo depois que eu nasci, então minha mãe trabalhava todo o santo dia para sustentar a mim e a meus irmãos. Ela era faxineira na cidade, e quando ela voltava para casa no fim do dia, ela tinha que dividir a cama comigo e com um dos meus irmãos.

Alguns garotos têm videogame. Eu tinha a bola e a minha imaginação. E foi legal porque eu tive uma infância de verdade. Havia esses grandes torneios de futebol em que cada rua tinha um time, e o troféu era uma garrafa de refrigerante. Cara, era uma guerra por aquele refrigerante. É tudo o que você tem, sabe? Na real, aquilo era mais importante pra gente do que uma Copa Libertadores.

Se você ganhou o título, você passava a garrafa ao redor, e é diferente de tudo que você já provou antes. Todo mundo podia dar um gole e passar pra frente. O troféu de refrigerante é dez vezes melhor do que a champagne. Dez vezes melhor.

Quando eu tinha 13 anos de idade, aconteceu uma coisa que realmente me marcou. Nosso time, Pequeninos, entrou num campeonato importante em São Paulo, e, cara, nós éramos bons. Nos jogos das primeiras rodadas, nós vencemos clubes maiores por 12 ou 13 gols. Mas quando chegamos na final nós tínhamos pela frente a Portuguesa de Desportos, que é um clube profissional. A única razão pela qual os clubes grandes entravam no campeonato é que eles podiam selecionar os jogadores dos times menores. E, você sabe, é como nos filmes. Nós éramos o time pequeno que jogava do lado de fora da prisão, e eles eram do clube profissional com equipamento e todo o resto. Mas eu e meus amigos falamos assim: “Ah, a gente vai ganhar essa. Deixa com a gente.”

Então, veio uma tempestade. Na noite anterior ao jogo, choveu tão forte que quando amanheceu as pessoas estavam falando em talvez cancelar a partida final.

Na hora em que demos o pontapé inicial, o campo todo era uma lama só. Esse dia foi louco. Nós começávamos a correr e nós caíamos pelo campo. Ninguém no nosso time conseguia ficar em pé. Mas de alguma maneira os jogadores da Portuguesa estavam bem. Eles ficavam em pé.

Eles tinham chuteiras de trava de metal. Aquelas que você pode usar na chuva.

Nossas chuteiras eram aquelas das mais baratas, com travas de borracha. Elas estavam todas gastas. Nós não tínhamos dinheiro para comprar as chuteiras mais caras.

E eu me lembro, naquele momento, de pensar algo tipo “não é justo… mas a vida continua.”

Mesmo assim, nós demos a vida para vencer aquele jogo. Mas nós acabamos perdendo por 4-2. Eu nunca vou me esquecer de ver a Portuguesa comemorando com o troféu. Foi uma lição muito boa para mim. Futebol é como tudo na vida. Não é justo. Então, você tem que dar um jeito, mesmo não parecendo justo.

Foi uma lição perfeita, porque os próximos anos da minha vida seriam muito difíceis. No Brasil, se você tem sonho de se tornar um jogador profissional, você geralmente está na Academia de um grande clube aos 12 ou 13 anos. Mas, por alguma razão, as coisas não estavam funcionando para mim. Eu fiz um teste no São Paulo Futebol Clube, e eles gostaram de mim, mas então me disseram que não poderiam me oferecer um quarto na Academia, que era muito longe da minha casa. Se eu fosse de ônibus para lá todos os dias, eu teria que largar a escola e minha mãe… hahaha… certamente não aceitaria isso. Ela era totalmente a favor da escola.

Eu devo tudo para minha mãe principalmente nessa fase da minha vida. Porque muitos garotos no Brasil, quando são de origem mais humilde, têm de começar a trabalhar quando fazem 14 anos de idade para ajudar a família. Eles não podem jogar futebol, ir para a escola e trabalhar ao mesmo tempo. Então, o sonho deles morre nesse momento.

Mas minha mãe… cara, ela acreditou em mim. Seja qual for a razão, ela acreditou. Ela falou para eu continuar, não importando o que eu tivesse que fazer.

Então, aos 13 anos de idade, eu comecei a jogar com os caras mais velhos na várzea.

OK – todos em São Paulo sabem do que estou falando agora (e provavelmente já começaram a rir). Mas para todos aqueles que não sabem do que estou falando, vou explicar.

A várzea é como o basquete de rua nos Estados Unidos, ou como a Liga semiprofissional de futebol na Europa. Os campos são todos esburacados e você joga contra os marmanjos – os caras casca grossa. A várzea é conhecida por ser de extremo contato físico. Tinha muita coisa pesada acontecendo no campo.

Eu nunca vou me esquecer de um momento…

Nós estávamos jogando uma partida importante contra um time grande. Eles sempre tiveram uma das melhores equipes da várzea, mas eles estavam fora da Liga por alguns anos por causa de algo que fizeram depois de um jogo, e eu não quero entrar em detalhes porque provavelmente tem criança lendo isso aqui

eu vou quebrar as tuas pernas se você tentar me driblar de novo”.

Então, esse era o primeiro ano deles de volta à Liga, e eles estavam jogando contra nós uma partida para classificar para um campeonato maior. Eu me lembro de todos os jogadores deles olhando para mim antes do jogo: “Quem é esse moleque? Isso é sério?”

E era sério!

Aos quatro minutos de jogo, eu driblei o melhor zagueiro do time deles e marquei um gol, e eu me lembro de todos eles olhando para mim, tipo “Ok, moleque, nós vamos fazer da sua vida um inferno”.

Foi a partir daí que eles começaram a me bater todas as vezes que eu tocava na bola. Eles ficaram muito loucos – como se eles tivessem vindo atrás de mim para me machucar. Tinha um baixinho no meio de campo deles que era conhecido por ser um valentão, e ele ficava me dizendo: “eu vou quebrar as tuas pernas se você tentar me driblar de novo”.

Então, eu peguei a bola… e o driblei novamente.

Foi um lance como na NBA. Quebrei a espinha dele. Deixei no chão.

Eles mais uma vez fixaram os olhos em mim como se fossem realmente me matar.

Mas… o que eu posso dizer? Quando eu tenho a bola aos meus pés, vivencio um mundo diferente. Então eu peguei a bola de novo e, sem olhar, dei um passe para um companheiro de time marcar um gol.

A torcida que acompanhava o jogo estava indo a loucura.

A partida terminou em 2-2, e nós vencemos nas cobranças de pênaltis. Eles ficaram revoltados. No apito final, o valentão virou pra mim e disse: “ Eu falei que ia quebrar as tuas pernas, moleque. Te espero no estacionamento”.

Ele estava sério. Foi tenso. Eu me lembro de pensar “já era… Eu posso não sair daqui.”

Mas, por sorte, meus colegas de time me protegeram. Todos eles ficaram em volta de mim e me levaram até o estacionamento, e só assim consegui chegar em casa em segurança.

Mas esse está longe de ser o fim da história. No Natal do ano passado, eu fui para casa para ver minha família, e tive de ir ao banco para resolver alguns problemas burocráticos. Fui pegar meu carro no estacionamento… e o cara que cuida dos tickets no guichê me deu aquela olhada, como se ele me conhecesse.

Ele devolveu o ticket.

Mas seguiu fixando o olhar em mim.

Então ele diz “Ei, garoto”.

Estou olhando para ele, tipo, Huh?

Ele diz: “Lembra de mim? Da várzea, mano! Eu ia quebrar as tuas pernas!”

E eu assim: Oh meu Deus. Eu não sabia o que ele ia fazer.

E então ele diz: “Cara, eu ia mesmo quebrar as suas pernas. Você acredita nisso?”

E eu tentando manter a tranquilidade, tipo: “Que isso, mano. Você não ia fazer isso, não. Eu sei que você só estava brincando”.

Mas ele segue afirmando: “Não, mano. Não. Eu ia mesmo quebrar as suas pernas. E agora você está jogando pelo meu time, cara! Eu te amo, mano! Eu não posso acreditar nisso. Você consegue imaginar se eu tivesse quebrado as tuas pernas?”

A gente riu, e eu tirei uma foto com ele.

Existe uma expressão no Brasil, e é a única forma de descrever o que aconteceu comigo. Minha vida mudou da água pro vinho. Cinco anos atrás, eu estava jogando na várzea, apenas tentando sobreviver, apenas tentando chegar num clube grande no Brasil. A várzea me deu uma boa perspectiva. Eu joguei com grandes jogadores que hoje são motoristas de ônibus, ou trabalham no supermercado, ou são pedreiros. E não foi porque eles não eram bons jogadores ou porque não se esforçavam. O que conta nessas horas é a sorte e a oportunidade. Algumas pessoas têm que ir atrás do seu sustento e não podem ficar correndo atrás dos seus sonhos.

Se eu não tivesse o apoio da minha mãe, eu provavelmente estaria no mesmo caminho desses outros jogadores da várzea.

Mas, em vez disso, eu tive a oportunidade de fazer um teste para o Palmeiras quando eu tinha 15 anos, e tudo decolou a partir dali. Acho que não consigo nem explicar. Foi como destino, de certa forma. Deus escreveu tudo perfeitamente.

Eu fiquei com o time júnior e assinei o meu primeiro contrato de verdade. De lá para cá, o tempo passou voando… Fui para o time principal, consegui me destacar e, para minha surpresa, cheguei até a Seleção Brasileira e pude participar dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Quando recebi a ligação, foi uma emoção inexplicável.

Para fazer você entender o que esse momento significou para mim… apenas dois anos antes, eu estava nas ruas do Jardim Peri pintando as calçadas de verde e amarelo para a Copa do Mundo de 2014. Os caras da vizinhança que desenhavam muito bem fizeram grandes murais – com os rostos dos jogadores brasileiros, como David Luiz e Neymar – e nós estávamos ajudando a deixar tudo aquilo colorido.

Esse torneio em 2016 foi bastante especial para os brasileiros, porque a medalha de ouro olímpica era a única conquista que o país do futebol jamais tinha vencido. Eu lembro que o peso daquele campeonato era muito grande – não apenas porque era no nosso país, mas pelo que aconteceu na última Copa do Mundo. Depois que nós não jogamos bem as duas primeiras partidas, a crítica ficou muito intensa, especialmente contra o Neymar. Eu realmente admiro o Neymar pelo modo como ele lidou com tudo isso e pela maneira que ele conseguiu liderar nosso time.

Antes do campeonato, eu era apenas mais um fã do Neymar, como tantas outras pessoas. Ele é um jogador de futebol incrível, que todo muito conhece. Mas ter a chance de saber quem ele é de verdade durante esse período…foi especial, por causa do jeito dele. A forma que ele trata todo mundo me surpreendeu bastante – porque mesmo no curto período de tempo que eu vivi no futebol, eu vi tantos caras que nem são grandes jogadores, que não ganharam nada, serem mascarados. Mas o Neymar trata todo mundo como se fosse irmão dele. Ele foi a grande razão pela qual a gente foi capaz de se unir e ignorar a pressão e jogar um para o outro.

Quando a gente ganhou a medalha de ouro, foi um momento incrível para o time, e também para o país. Antes dos Jogos, o Neymar fez uma tatuagem, e eu me inspirei nele para fazer uma parecida, porque realmente diz tudo o que isso representou para mim: uma criança pequena, que está de pé no fundo de um morro, olhando para as favelas, segurando apenas uma bola de futebol debaixo do braço e sonhando com seu momento.

Não sou somente eu, e não é apenas Neymar. São tantos brasileiros. E isso é o que aquele ouro significou pra gente.

Eu quero fazer tudo o que estiver ao meu alcance para fazer parte da equipe da Copa do Mundo de 2018, e eu sei que há muita disputa para ver quem será convocado. Essa foi a grande razão pela qual eu decidi vir para o Manchester City. Eu sei que eu preciso continuar me desenvolvendo como jogador.

Eu vou dizer pra você, aqui é muito diferente do Brasil. Você não vê muito do sol… Cheguei a receber algumas ofertas para ir para outros clubes, de lugares mais quentes, por exemplo. Mas, para mim, a decisão de vir para o Manchester City tinha um peso maior por poder jogar sob o comando de Pep Guardiola.

Esta é minha primeira vez num país que é realmente muito frio e onde eu não falo a língua. É um desafio ser compreendido, e pode ser solitário nesse sentido. No entanto, quando Guardiola me ligou enquanto eu decidia para qual clube eu ia jogar, ele disse que estava contando comigo. Eu posso dizer que o Guardiola estava sendo verdadeiro – e no futebol isso significa muito.

Quando ele disse isso, eu não pensei duas vezes. Minha decisão estava tomada. Era o City.

Mas antes de eu ir para o Manchester City, eu tinha uma última coisa a fazer. Eu tinha de encerrar um capítulo da minha vida.

Então eu voltei para o campo onde os Pequeninos jogam, com as chuteiras debaixo do braço, como quando eu tinha 9 anos de idade. Mas desta vez um pouquinho diferente. Eu tinha 250 pares de chuteiras realmente boas para os garotos.

Agora, quando qualquer um dos grandes clubes jogar contra o Pequeninos num campo molhado, é melhor tomarem cuidado. Daqui em diante, não tem mais essa desculpa.

Sabe, não vou mentir. Quando eu vim para o Manchester City pela primeira vez, eu me senti perdido. Minha mãe estava indo e vindo da Inglaterra para o Brasil, e era extremamente difícil ficar longe dela, porque ela é tudo para mim. Ela foi ao mesmo tempo pai e mãe para mim quando eu estava crescendo. Me lembro que, quando estava jogando pelo Pequeninos, eu via algumas crianças depois dos jogos com os seus pais, e eu estava sozinho. Aquilo foi pesado para mim. Me marcou. Mas agora, quando alguém pergunta do meu pai, eu digo que minha mãe é meu pai. Ela fez tudo por mim e pelos meus irmãos.

Ela foi outra heroína desconhecida.

Quando eu faço um gol, mesmo quando ela não está no estádio, eu “pego o telefone” e falo com ela.

Quando a gente era criança, a minha mãe ficava ligando o tempo todo para descobrir onde é que eu estava, e se eu não atendesse, ela começava a ligar para todos os meus amigos. Era apenas uma piada entre a gente.

“Alô, Mãe!”

Quando eu pego o telefone é em homenagem à minha mãe e à nossa luta. Mas também é uma homenagem aos meus amigos e à minha família, e também ao técnico Mamede e a todas as pessoas no Brasil que me ajudaram a chegar até aqui.

Eu sempre fui um sonhador. Mas mesmo nos meus melhores sonhos, eu não pensei que estaria vivendo o que estou hoje. Sei que existem muitos garotos que vão pintar as ruas, que não jogam por um grande clube e que as pessoas têm dito que eles não vão conseguir chegar lá.

Eu diria para eles nunca pararem de lutar.

Quatro anos antes de eu andar pelo túnel do estádio Etihad, eu ainda estava jogando na várzea – e os caras estavam falando que iam quebrar minhas pernas num estacionamento.

Sua vida agora pode ser apenas sanduíche de mortadela com refrigerante.

Mas se você continuar a correr atrás dos seus sonhos, cara… quem é que sabe o que pode acontecer?!?

A água pode se transformar em vinho…

Então, para todas as crianças. Se você chegou até aqui na minha história, eu tenho uma mensagem final, e isso é realmente importante.

Jamais parem de sonhar.

Ah, façam mais uma coisa por mim. Liguem pra Mãe. Ela sente saudade.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Saiba o que diz o Tio Patinhas de Alvalade sobre as contas do Sporting

Saudações Leoninas a todos!! 

Inauguro hoje uma colaboração com o distinto “Leão de Alvalade” e começo por agradecer o honroso convite que me endereçou para assumir uma colaboração com o seu blog, versando sobre os aspetos financeiros do Futebol e do nosso Clube em particular.

Assim, começo esta colaboração escrevendo sobre as últimas demonstrações financeiras apresentadas pela SAD do Sporting e que apresentam um resultado positivo de 24,9M€. E prevejo (e se me enganar, estarei aqui para dar a mão à palmatória) que se não ocorrer uma venda neste mercado de Inverno ou antes do fecho do exercício (antes de 30 de junho), penso que o Sporting corre o risco de poder apresentar prejuízo ou algo muito perto disso. Mas vamos antes tentar dissecar alguns números.

Os nossos proveitos operacionais do trimestre foram de 34.79 M€, dos quais 17,04M€ dizem respeito à Liga dos Campeões, pelo que os proveitos expurgando a LC e transferências, devem rondar os 70 a 75 M € por ano. Com a boa prestação da UEFA, direi que será possível passar dos 100M€ sem transferências, pela primeira vez (no ano passado, foram cerca de 80M€). O aumento de cerca de 2M€ dos proveitos operacionais é explicado pelo facto de termos disputado a Pré-Eliminatória e pela receita de bilheteira acrescida, no mês de agosto (sem correspondência com o período homólogo).

E por falar em bilheteira e apesar de no início de cada época, a Direção ser criticada pela sua política de preços (estes têm subido a cada ano) e de muitos preverem a descida apocalíptica das vendas de lugares anuais, os números têm dado razão à política seguida, uma vez que temos um aumento de cerca de 15% das receitas com a venda de lugares anuais, as nossas Gameboxs.

Ao nível dos custos, existe mais um aumento da massa salarial (depois das duas primeiras épocas de apertar o cinto, têm crescido ano após ano). Mesmo descontando 0,8M€ respeitando a jogadores que já não se encontram no plantel, temos um aumento de pelo menos 7M€ neste ano. Atrevo-me a dizer que o impacto da massa salarial da SAD rondará os 70 a 75M€, sendo similar aos proveitos operacionais sem a Liga dos Campeões e receitas com alienação de passes.

No que concerne aos Bancos, verificamos que os depósitos à ordem restritos, totalizam já mais de 5M€. Para quem não lê os R&Cs, estes DO restritos servem para liquidação de dívida bancária, juros e constituição de conta reserva (pagamento de VMOCs). O “famoso” factoring reduziu cerca de 13,3%, para 26M€, sendo 22,4M€ referentes a épocas futuras (chegou a ser mais de 38M€ em 2014). Verificamos uma redução do passivo bancário num trimestre de 2M€ e uma reestruturação entre diversas dívidas, diminuindo os descobertos bancários e aumentando os empréstimos “normais”. Um dia, prometo escrever mais sobre o factoring, mas ressalvo que não deixa de ser mais um instrumento financeiros colocado à disposição das empresas e claro está, do Sporting. No entanto, ao contrário do que muitos afirmam, o facto de anteciparmos o recebimento de proveitos futuros não influencia a nossa Demonstrações de Resultados, pois estes proveitos serão diferidos e reconhecidos contabilisticamente, no período temporal a que dizem respeito.

Em resumo e para que este primeiro “escrito” não se torne demasiado longo, um primeiro trimestre em linha com o esperado e uma estrutura de custos, algo dependente da Liga dos Campeões (sem esta receita, nunca operacionalmente o Sporting atingirá o equilíbrio, com a atual estrutura de custos). Num ano sem LC, os prejuízos sem alienações de passe, podem atingir “facilmente” números acima dos 20M€. Ainda por cima, quando algumas rúbricas de receitas parecem ter deixado de ter espaço para crescer, nomeadamente Patrocínios, Loja Verde (variação de apenas 100 mil Euros de um ano para o outro), Direitos Televisivos (uma vez que já foram revistos em alta, há 2 épocas atrás).

Para terminar e porque muitas vezes me perguntam, confirma-se que o valor à Doyen já foi liquidado, pelo Tribunal Suíço, que havia solicitado a retenção das nossas receitas da Liga dos Campeões do ano transato, apesar de a “batalha” judicial ainda não ter terminado (e a provisão ainda não foi totalmente revertida). Assim, o pagamento desta dívida é a grande explicação para a diminuição do nosso passivo, face a 30 de junho de 2017.

Comentem e aguardem pelos novos capítulos!

O vosso “Tio Patinhas” de Alvalade

domingo, 17 de dezembro de 2017

Sporting 2 - Portimonense 0: As passas dos algarvios

Por vezes, tal como aconteceu hoje em Alvalade, há jogos que têm tudo para ser complicados e acabam por ser simples e ganhos com relativa facilidade. E, para que tal suceda, é importante marcar cedo, quer para conforto da equipa quer para não permitir veleidades ao adversário. Neste jogo, se há alguma coisa a lamentar é provavelmente o índice de eficácia, tantas foram as oportunidades criadas.

Especialmente naquela que foi uma das melhores primeiras partes da presente época, o Sporting podia ter arrumado logo com o jogo, particularmente na demolidora meia hora inicial. A dado momento os algarvios devem ter pensado que jogávamos com jogadores a mais, tanto era o jogo que canalizávamos para a sua baliza e tamanho era o anel constritor que uma pressão quase exemplar que os impedia de saber se era o Patricio ou o Salin quem ocupava a baliza titular.

Não há neste jogo especiais menções individuais negativas, embora se possa considerar que já vimos o Marcos mais capaz de meter uma (ou mais...) Acuña pela equipa... Mas claro, nunca é demais lembrar que este deveria estar a ser o seu final de época e vem de uma lesão. Já Gelson, sendo incapaz de jogar mal, teve uma "exibição inútil", isto é, o resultado final das suas estonteantes jogadas continua a ficar aquém do seu esforço e participação no jogo. Várias vezes podia ter assistido melhor e, se tal acontecido, os algarvios teriam um cabaz bem cheio de passas, o que viria a calhar com época natalícia, já que das ditas algarvias já levam deste jogo de sobejo.

É muito dificil e talvez injusto este tipo de nomeações. A equipa actuou como um bloco, e foi essa a grande virtude e razão do triunfo. Mas obviamente que lembrar a grande meia-hora de Podence, com aquela assistência de compêndio se torna obrigatório. Bem como lembrar mais um golo de Dost em mais uma assistência de Bruno Fernandes. Mas estaríamos provavelmente a lembrar-nos aqui de alguns jogadores algarvios - alguns deles têm andado, e justamente,  na boca do mundo futebolístico nacional - não fora a prestação exemplar da equipa, a começar pela organização defensiva. Só não falo no Patricio porque, graças à eficácia de Coates, Mathieu & Cia, agora que escrevo esta crónica já não me lembro da cor do seu equipamento, tão poucas vezes foi visto hoje em Alvalade.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Astana: No Casaquistão o Sporting tem de mandar nos que lá estão!

Sorteio: quando os extremos se tocam

Calhou em sorte ao Sporting fazer aquela que será provavelmente a viagem mais longa em provas europeias: deslocar-se do extremo sudoeste da Europa até ao transcontinental e longínquo Cazaquistão. Sim, é verdade, é por uma pequena faixa na margem direita do Ural, o rio que separa a Europa da Ásia. A grande parte do seu território fica já no grande continente asiático, onde o país dos cazaques vai recolher uma parte substancial da sua identidade e costumes.

Uma lição de geografia

A única lição que mereça a pena retirar talvez seja a de geografia. Porque a de futebol estima-se que seja leccionada pelo Sporting, pelos diferença de galões. Mas a pior forma de abordar esta eliminatória seja mesmo essa: a da sobranceria de pensar que os galões serão suficientes para seguir em frente. Exemplos ainda bem recentes de que pode não ser bem assim devem por o clube de sobreaviso.

Um pesadelo logístico

Já foram sobejamente citadas as enorme distâncias a percorrer pela equipa para chegar a Astana, uma capital desenhada e construída de encomenda, como só os petrodólares permitem alcançar. Felizmente há já no clube conhecimento de experiência feita, uma vez que no ano passado a equipa de futsal do Sporting se deslocou a Almaty para disputar a respectiva final europeia.

Agora o esforço é acrescido pelo maior número de pessoas a deslocar e onde à chegada  a podem recepcionar temperaturas negativas que só conhecemos de ouvir falar. E quando se diz negativas o plural é amplamente justificado: é comum que quer a máxima e a mínima andem sempre abaixo de zero nos termómetros. 

Pior ainda será satisfazer a necessidade de observação do adversário. Uma tarefa complicada, uma vez que neste momento o campeonato vive a sua pausa de inverno, que é também o final. Este só se inicia em Março e nem sequer se consegue antecipar qual será o plantel adversário porque, entretanto, o mercado voltará a fervilhar e não parece que dinheiro ali seja um problema.

Nem tudo é desvantagem. Quando a eliminatória se disputar os cazaques estarão ainda na pré-época, ao passo que o Sporting estará provavelmente já em velocidade de cruzeiro, provavelmente até já mais equilibrado, se conseguir ser assertivo na reabertura de mercado. E não se pode dizer que o calendário seja particularmente complicado no momento em que as equipas se encontrarão em Fevereiro:

Dia 11: Feirense (c)
Dia 15: Astana (f)
Dia 18: Tondela (f)
Dia 22: Astana (c)
Dia 25: Moreirense (c)

  O adversário, tanto quanto se conhece hoje

A primeira nota de interesse relativamente ao Astana é o facto de o futebol português ser tudo menos desconhecido para o seu treinador. Stoilov, de seu nome, era médio e, em meados dos anos 90, teve uma passagem rápida e discreta pelo Campomaiorense durante duas temporadas. Dividiu o balneário com Beto, Paulo Torres, Jimmy Hasselbaink, entre outros.

A equipa orientada por Stoilov é marcada pela veterania e elevado índice físico atrás. O guarda-redes Nenad Eric (35 anos) tem menos tempo de jogo (10 jogos) na época que o seu colega Alexandr Mokin (24 jogos) mas foi ele o titular nos últimos jogos da actual campanha europeia. Tem quase dois metros de altura, no que é muito bem acompanhado pelos homens que habitualmente pontuam à sua frente, ao centro da defesa: Logvinenko (1,87m) e Anicic (1,92m). Não são contudo um exemplo de fiabilidade. Até os laterais (Shitov e Shomko) não descem abaixo dos 1,85m. Shomko, à esquerda, é indiscutivelmente o melhor dos dois, é rápido e dá bastante profundidade ao flanco.



Na intermediária sobressaem Grahovac (bósnio) e o Maewski (bielorrusso), dois médios defensivos que equilibram, seguram e são muito criteriosos com a bola nos pés. Na frente o jovem Twumasi (23 anos) e o experiente Kabananga (28 anos) trazem a velocidade, imprevisibilidade e fantasia africanas e também golos. Dezanove o primeiro e treze o segundo só este ano, sendo curioso e avisado assinalar que o central Logvinenko tem quatro golos no seu pecúlio e oito para Grahovac, o que é interessante para a sua posição.

O Astana joga habitualmente com quatro defesas, variando depois o número e funções nos jogadores mais adiantados. Mas não hesita em recorrer a um preenchimento diverso quando Stoilov entende ser útil para a sua estratégia. Por exemplo, com o Villareal chamou Egveny Postnikov para o lado dos centrais habituais, jogando assim com 3 centrais, mas sem grande sucesso (2-3). Porém resultou muito melhor com o Macabi em Israel (0-1). É uma equipa que, conhecedora das suas potencialidades, não vive obcecada pela posse de bola, privilegiando as rápidas e venenosas transições para chegar à frente.

Por tudo quanto envolve esta deslocação - a distãncia, o desconhecido, etc - esta eliminatória tem tudo para ser dificil e complicada. Por isso, quando chegar a hora do jogo o Sporting tem de se mentalizar que naquele relvado, no Casaquistão, vai ter que mandar nos que lá estão.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Sporting 4 - Vilaverdense 0: Tempestade Gélson derruba verdura minhota

Tempestade Gélson no lugar de uma sociedade de lentos
A história desta eliminatória ficou definitivamente escrita com entrada de Gélson que, qual tempestade tropical, derrubou toda a resistência minhota. Há de facto um antes e depois neste jogo: no antes imperou uma sociedade de lentos e pouco esclarecidos Ruizes e um inócuo Iuri. Depois, o tal furacão Gélson e sempre, em todo o jogo, um muito eficaz Doumbia. Parece que não mas é preciso saber alguma coisa para saber estar no sitio certo, porque sem isso o trabalho de Gélson a assistir não seria tão facilitado e, logo, tão assertivo.

"Estes jogos são oportunidades, ou aproveitas ou não aproveitas"
A frase é de Jorge Jesus. Nem sempre é muito justo avaliar um jogador que entra sem ritmo para uma equipa sem rotinas como a que iniciou o jogo ontem. Mas é a vida e, nesse sentido, estes jogos acabam por contribuir para a tomada de decisões, especialmente quando o campeonato se apresta a ver aberta a janela de mercado. Do lado dos que não aproveitam o caso de Bryan Ruiz é ligeiramente diferente, porque a sua época até agora também o tem sido. O Alan não consegue sair daquele registo de inutilidade e ausência. Medeiros não consegue justificar as chamadas e o mesmo se aplica a Petrovic, cuja preferência só se justificou ontem pela lesão de Palhinha. Muito interessante e novamente promissora a prestação de Ristowski.

Orgulho minhoto
Muito interessante a proposta de jogo, dentro das suas possibilidades, de António Barbosa. Ajudou a explicar o porquê de merecer a atenção e o titulo de um dos tomba gigantes da prova. E a conferência de imprensa confirmou que o tempo dos treinadores / curiosos mas pouco instruídos nas equipas mais modestas é cada vez mais coisa do passado. Uma palavra de reconhecimento também para os adeptos vilaverdenses que souberam merecer a festa, mesmo sendo esta a meio da semana.

Agora venham as sortes
Boas ou más virão agora as sortes. Algo me faz pensar que Sérgio Conceição ainda tem atravessados aquelas "duas charutadas". Quem sabe não nos encontramos no Jamor...

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