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quinta-feira, 24 de maio de 2018

A posologia Varandas (vulgo mezinhas)



E hoje, no meio da turba e de todo o ruído que infelizmente impera no Sporting, Frederico Varandas, chefe do departamento médico do Sporting, demite-se para "liderar uma solução" de direção. 

Ainda mal a tinta tinha secado na carta apresentada ao presidente do Sporting em funções, e as reações fizeram-se sentir. Há os céticos, os prudentes, os inflamados, os crentes…e outros que são uma mistura de dois ou três dos anteriores. Há também os que não opinam e aguardam desenvolvimentos. E, há o pai do bruno de Carvalho…

Para mim falta o essencial para poder julgar. A existir realmente uma confirmação desta candidatura, é feita em que moldes? É apoiada por quem? Em que fundamentos assenta o seu projeto? Qual a viabilidade desta candidatura? E terá o Sr. Dr. competência para liderar o nosso enorme Sporting?

Tudo questões que o tempo vai ajudar a responder caso se confirme esta vontade de Varandas. Para já sabemos que perdemos o diretor clínico que conseguiu pôr o Coentrão a jogar mais partidas do que algum dia imaginávamos. Talvez saiba apaziguar a dor que invade os corações dos sportinguistas. 

Parece-me que o mais inteligente será não condenar uma alternativa sem a conhecer. Aguardemos pela terapêutica.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Sobre o presidente-adepto...


Sejamos pragmáticos, não sendo mais do que um meio e um instrumento, o futebol serve os mais diversos fins, uns mais lícitos do que outros. É, porém, um meio e um instrumento demasiado importante para que possa ser utilizado de forma irresponsável.

E quando de paixão se imiscui, a razão fica aquém do desejável, ou moralmente aceitável. A euforia, a leitura enviesada dos factos e o sentimento de impunidade tomam de assalto o processo decisivo (quem sabe até o próprio cunho identitário) e os limites do que é permitido vão estendendo, tornando-se cada vez mais ténues e com tendência a desaparecer.  A transgressão é consentida porque quando “amamos” os fins justificam os meios.

Lideramos com estas premissas, a perceção do redor é toldada por um pequeno mundo que se forma, para onde todos convergem prestando a sua vassalagem à figura de proa, e todas as leituras do que acontece de menos favorável vão no sentido de um ataque cerrado. As respostas, essas, são quase sempre de vitimização.

A ausência de vergonha, culpa, de remorso que orientam o individuo para um pedido de desculpa, um aquietar reconciliando-se com o social, dificultam o entendimento entre todos.
Há uma impossibilidade de voltar atrás, de reconciliação. Já demais foi dito e feito sempre com um registo autoritário baseado nas convicções ocas de quem está alienado da realidade.

Também é certo que qualquer um de nós se dá conta de como é difícil praticar o bem em certas situações. O interesse pessoal e a pressão social, por exemplo, conduzem-nos à prática de ações conscientemente imorais. Não queremos aqui ser mais papistas que o Papa. Mas o consecutivo erro, a leitura das consequências desse erro, e partindo do princípio de que há a possibilidade de uma aprendizagem, devem ser alertas para uma alteração de conduta.


Dizem que quem conhece o bem, escolhe o bem. O problema começa quando deixamos de o conhecer...




Nota da Autora : Isa, camisola nº10, Sportinguista desde sempre e apaixonada pelo Futebol. Obrigada J.


terça-feira, 22 de maio de 2018

Aqui está o anúncio da primeira aquisição da época

Este blogue tem o prazer de anunciar a renovação do seu corpo de redação com a aquisição da Isa (@Idzabela no Twitter). A Isa define-se como camisola 10, Sportinguista e desde sempre apaixonada pelo futebol. Ficam desde já expressos os nossos desejos de grandes assistências, bons remates e a esperança de que constitua também uma preciosa ajuda na renovação do jogo da opinião Sportinguista. O primeiro remate segue dentro de momentos. Que seja pois então bem-vinda!

Uma semana depois há ainda muito para saber sobre o que se passou em Alcochete

Cumpre-se hoje uma semana dos ignóbeis acontecimentos na Academia de Alcochete. Ontem o Sporting deu a conhecer algumas medidas de reforço de segurança, que na realidade significam uma tentativa de prevenção relativamente à possibilidade de começarem surgir as tão faladas tentativas de rescisão por parte dos jogadores. Compreende-se a ideia mas duvida-se da sua eficácia. Deixo a matéria para os juristas se entreterem, mas o senso comum remete para o ditado popular: "casa arrombada, trancas à porta". 

Algo muito semelhante se poderá dizer relativamente ao pedido de apoio aos atletas profissionais. Depois dos repetidas dissertações do presidente sobre os "meninos mimados", dos sucessivos acontecimentos, quer em Alvalade, quer em Alcochete, mais parece estarmos na presença de uma tirada de humor negro. 

Já a suspensão dos benefícios protocolados com a Juve Leo suscita-me algumas dúvidas. Não havendo um inquérito interno e não se conhecendo outras conclusões do inquérito judicial que não sejam a prisão preventiva dos envolvidos presos preventivamente pergunta-se porquê só agora.

 Mais:

A medida representa um desmentido à Juve Leo, cujo o líder veio repudiar e desligar a claque de responsabilidades do sucedido? 

Ou porque, com o final das competições profissionais de futebol, a medida é mais fácil? 

Nas medidas referidas está incluído o espaço no estádio, conhecido como "a casinha"? 

Qual é a duração temporal desta suspensão? 

Há contudo algo que me parece ainda mais intrigante e não vi ainda nenhuma menção ou abordagem. Trata-se da responsabilidade administrativa, a começar pelos responsáveis eleitos até aos funcionários sob sua alçada:

Quem é o vice-presidente responsável pelo pelouro das instalações e da segurança e o que tem a dizer sobre o sucedido?

Quem é o director da Academia de Alcochete, que responsabilidades lhe foram pedidas e o que tem a dizer sobre o assunto?

PS: A prisão preventiva dos envolvidos, muitos deles miúdos e folha de cadastro limpo, se comparada com a continuação em liberdade de Luis Pina, indiciado pelo crime de homicídio de Marco Ficinni, deveria envergonhar a magistratura portuguesa

segunda-feira, 21 de maio de 2018

O Sporting Clube de Portugal é dos seus associados!

O Sporting Club de Portugal precisa, hoje mais do que nunca, de uma Mesa da Assembleia Geral (MAG) e de um Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD) livres e independentes que saibam defender e respeitar de forma intransigente o Clube, os seus estatutos e aquele que é o seu maior património: Os seus associados, atletas, treinadores e restantes funcionários.

É imperioso acabar com este clima de guerra permanente, discurso de ódio, desrespeito pelas regras, falta de cultura desportiva e até democrática, e, em especial, urge por termo à guerra civil que grassa no clube e unir a família leonina.

O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL é, segundo os seus estatutos “uma unidade indivisível constituída pela totalidade dos seus associados”.

É tempo de olharmos apenas para nós e não para o vizinho do lado, de trabalharmos virados para o futuro em vez de vivermos obcecados com o passado, honrando os valores e os princípios que sempre pautaram a nossa existência como sportinguistas desde 1906.

Só assim será possível cumprir o desígnio de “ser tão grande como os maiores da Europa” 

O Sporting Clube de Portugal é nosso? 

A palavra deve ser dada imediatamente aos associados.

Texto de autoria de Rui Morgado  (ex-vice presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal e ex-Vice-Presidente da Mesa da A. Geral da SAD)

Dor de alma!

Tenho pena mas fiquei com a sensação que o essencial  do que estava em jogo passou ao lado da grande maioria. O resultado passou a ser secundário a partir dos tristes acontecimentos do passado dia 15 de Maio. O mais importante era restaurar a moral de um clube que foi atingido no seu âmago num acto inqualificável e inclassificável. 

Apresentarmo-nos de forma digna no Jamor, respeitando o clube e também o adversário foi a decisão tomada pelos jogadores. Uma lição de dignidade, coragem, generosidade e superação que nos foi dada por aqueles que foram directamente atingidos no corpo: os jogadores, técnicos e todo o staff! Muitos muitos de nós não a souberam merecer. A imagem que deixamos no Jamor ilustra bem o momento: um clube à deriva, sem liderança, afastado dos seus princípios e valores. Uma dor de alma!

P.S.- As minhas desculpas a todos quantos deviam ter sido aqui mencionados por terem contribuído para um dos melhores dias de sempre da minha história de Sporting. Nestas alturas temos que nos agarrar ao que fica de bom para podermos superar o momento e olhar para o futuro, porque o passado já foi e não pode ser alterado. O meu obrigado a todos.

P.P.S- Parabéns ao Desportivo das Aves

sexta-feira, 18 de maio de 2018

"On Bruno we trust"

Era uma manhã bonita do dia 15 de Maio de 2018. O Sporting deveria acordar engalanado de pendões e grinaldas para celebrar um dos seus mais lustrosos feitos: a conquista da Taça das Taças, 54 anos antes. A Taça do Cantinho de Morais. A data conheceu o dia sepultada no tumulto dos últimos meses e exacerbados pelos tristes acontecimentos que se seguiram à derrota no Funchal. Não se sabia ainda, mas Sporting estava prestes a entrar pela madeira dentro, corroído pelo bicho do fanatismo e da violência.

Ainda estará por explicar o que aconteceu ao Bruno de 2013. Estava tudo a correr tão bem, o Sporting tinha acordado, o estádio voltava a estar cheio e, mesmo sem a celebração de um titulo nacional no futebol, a equipa voltava a orgulhar os adeptos. Tínhamos acabado de inaugurar o Pavilhão e voltávamos a contar também para o totobola das modalidades, onde quase só passeávamos o nome e as camisolas. Restauramos as finanças e não fazíamos saldos de jogadores.

Mas o Bruno não estava satisfeito. Não lhe bastava o reconhecimento e até a idolatria. Queria mais. Queria mais poder, queria controlar o que os seus detractores diziam, pensavam e escreviam no Facebook. É que isto de dizer mal e insultar não é prerrogativa para qualquer um. 

O Bruno zangou-se e amuado abandonou a AG marcada para a alteração estatutária, quando confrontado com a possibilidade de não ver aprovados os seus intentos. Depois de barafustar e insultar, voltou a vestir o fato mais cordato e em campanha dramatizada promoveu a aprovação dos estatutos. Arrasou a oposição que só ele conhecia. Mas, a época que até corria bem na generalidade das modalidades e especialmente no futebol, entrou aí num plano inclinado de onde nunca mais sairia. Coincidência?... Registe-se também  o prestimoso auxilio mediático aos rivais num momento de aflição, em que as revelações dos emails entupiam as noticias.

O Bruno esperança é agora o Bruno pesadelo. O Bruno solução é agora o Bruno problema. Afinal o salvador metamorfoseou-se em coveiro, emulando e assimilando os anos de história que se apresentou para combater. Também a era Roquete foi esperança até ser desapontamento e pantanal. Tivemos sorte não ver trocado o leão por uma lagosta rampante. A diferença é que "eles" foram-se embora quando se aborreciam ou nos aborreciam e voltaram às suas vidas prósperas. O Bruno tem a garagem da fundação para refundar, sabe que deixou de ser solução para o clube, mas o clube é a solução para ele e para os que o acompanham.

Foi doloroso perceber na conferência de imprensa que só se falou no Sporting por causa e pelo Bruno. Carlos Vieira, que podia ser a solução de transição para o Sporting, preferiu ser a tábua de salvação para o Bruno e certamente do seu próprio caixão. Transformou Jesus, uma das melhores decisões do Bruno num mercenário ("o mais bem pago"). Para os jogadores e técnicos agredidos nem uma palavra.

Aquelas figuras pungentes, de orquestra do titanic a tocar, não tiveram a dignidade de perceber que o seu tempo acabou no momento em que foram triplamente negligentes. Não estiveram na Madeira, não estiveram na garagem e deixaram às escâncaras a Academia e, dessa forma a imagem e a honra do clube. Azar? Três vezes seguidas tem outro nome. É assim tão difícil de entender que é por isso que se deviam demitir? 

Nessa enxurrada alienaram a confiança dos jogadores. Então mas que importa que os jogadores tenham sido sovados no seu local de trabalho e mesmo assim tenham a generosidade de voltar a vestir a nossa camisola e representarem-nos no Jamor? Importa é que o Bruno tem legitimidade. Também o dono do Pingo Doce tem, mas o que faz sem os supermercados? E a NOS ou Altice se perderem os transmissores? Refundamo-nos!, dizem. E ainda temos as modalidades! Sim, que são alimentadas com o dinheiro dos sócios. E sem futebol, quantos serão? Se este "não me demito" é uma questão de números inclua-se no próximo orçamento o valor do resgate. Ofereça-se pensão completa se necessário for.

É assim que estamos. O Sporting encontra-se manietado pelo interesse de menos de meia dúzia e da turbamulta a galope em direcção ao abismo, cantando "on Bruno we trust". Gosto mais do "na na na na na Bas Doosst! É uma questão de gosto.

Os Sportinguistas mais uma vez são chamados a escolher. Desta vez a corda está esticada ao limite de quem nada tem a perder. A escolha é agora apenas entre o Sporting e o Bruno. Com o Bruno passou a ser assim o jogo. Jogo que ontem entrou no prolongamento e o Sporting está a perder. Se for a penalty's podemos já nem ter cá o Rui Patrício para defender.

P.S.- Assembleia Geral para ouvir os sócios? Se o Bruno estivesse realmente preocupado com o que os sócios pensam e sentem não lhes tinha traído os sonhos e as expectativas. Os sócios queriam um presidente, não um caudilho.

P.S.- Não falo na questão Geraldes por dias razões: do que vi até agora parece-me um processo com indícios fracos, colados com cuspe. Mas a principal é que as consequências deste processo, se as houver, quando forem conhecidas já pouco importarão para o Sporting que conhecemos hoje. 

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Dead man walking...





O episódio mais degradante da centenária história do SCP
Parabéns, Bruno! Finalmente conseguiste que "os meninos mimados" fossem sovados...

Sejamos claros, BdC não enlouqueceu após Madrid, dos quartos-de-final da Liga Europa. Bdc Está a ser o que sempre foi! Desde o início. A mim também me enganou… Quando nele votei em 2011. Mas, por pouco tempo, pois a reacção dele a essa derrota, e todo o seu comportamento durante o mandato de GL deu logo a entender o que mais tarde se tornaria óbvio para mim: ele colocava sempre os seus interesses pessoais à frente dos do SCP. O pior que podia acontecer (para o SCP) era que a direcção de GL fracassasse da forma estrondosa com que aconteceu… A saturação, o desgaste acentuado do regime, a decadência financeira e a pior classificação no campeonato, deu azo a que este auto-proclamado 'maluco', mais o seu populismo e demagogia tivessem possibilidade de vencer. Desde o início que nunca escondi a antipatia pelo sujeito. Mas, ao longo que os deploráveis episódios se sucediam e acentuavam, e os erros escabrosos se repetiam, ficou claro para mim, que muito dificilmente BdC garantiria clima e condições de sucesso no futebol profissional, modalidade na qual ele constantemente metia o bedelho… Foi sempre o principal e mais determinante foco de instabilidade dentro do futebol profissional! Também começou a ficar claro, e disso dei conta regularmente durante estes cinco penosos anos, verbalmente a amigos e em diversos posts nas minhas páginas pessoais das redes sociais e mais esporadicamente aqui no blogue, que BdC iria desgraçar o Sporting…. Porquê? Porque todos os sinais assim o evidenciavam. Expliquei aqui, resumidamente, o porque de tamanho flop Brunaico: um líder com mau carácter não será nunca um bom líder. No máximo será um chefe arrogante e ditatorial. Porquê tamanha popularidade entre sócios e adeptos, apesar da visível falta de estratégia e do clima de guerrilha interna constantes? Porque BdC pode não dever muito à inteligência, principalmente emocional, mas de espertismo e sabujice tem de sobra. Ele sempre falou aquilo que a massa adepta leonina gostaria de ouvir, mesmo quando faltava às promessas e se desdizia logo a seguir… e, pior, aproveitou-se de um ódio visceral que ainda permanece em grande parte dos adeptos do Sporting ao rival e alimentou-o, porque sabia que isso lhe dava dividendos. BdC sempre usou, privilegiou, explorou até, os sentimentos negativos e mais básicos em seu favor. Este mandato será conhecido não pelo extremo amor ao Sporting, mas pelo acerrar do ódio contra o eterno rival… Foram as vitórias do rival, muitas delas conquistadas de forma dúbia, que aguentaram BdC, circunstância que sempre o favoreceu nessa tácita de manutenção do poder pessoal e das consequentes regalias financeiras e mediáticas que ele sempre desejou … O que também fica do mandato de BdC é o ódio em forma de insultos vis e atitudes persecutórias, contra todos os sportinguistas que, em que circunstância fosse, se manifestassem contra ele ou discordassem das suas posições, acções ou afirmações. Fê-lo muitas vezes a roçar a ordinarice e a provocação pura e dura. Ora, esse ódio, acabou por se voltar contra ele. Ao contrário do que afirmou no recente entrevista ao “Expresso” (a enésima a auto promover-se, a desculpar-se e a acusar outros do insucesso), BdC não tinha qualquer controlo sobe o clube que comandava e a sua permanente instigação contra o plantel e equipa técnica desde que percebeu que teria de quebrar mais uma promessa (demitir-se caso não conseguíssemos o titulo mais desejado e que foge há 16 anos) durante semanas a fio e o incentivo ao clima de ódio contra os próprios atletas degenerou no episódio mais degradante dos quase 112 anos de vida que leva o Sporting Clube de Portugal… Como afirmei antes, o “Brunismo” já tinha morrido. Ontem foi só o princípio das cerimónias fúnebres.

Nota final: espero que as suspeitas que giram em torno do andebol não se venham a concretizar. Mas as notícias divulgadas esta manhã, deixam-me ainda com muitas dúvidas e inquietações… Isso seria uma machadada final no meu sportinguismo, patrocinadas por esta deplorável administração.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Esta é a hora de Bruno de Carvalho cumprir uma das suas primeiras promessas

Quando foi eleito Bruno de Carvalho foi eleito deu uma entrevista à SIC onde fez uma promessa solene. Depois do inqualificável episódio de hoje ocorrido no balneário da Academia de Alcochete está na altura de lhe dar cumprimento. 

Trata-se do mais triste episódio da nossa história, um dia de luto para todos nós. Há uma parte da alma Sportinguista que morreu hoje e, independentemente das culpas e responsabilidades directas e indirectas que se venham a apurar, os órgãos sociais do clube devem assumir responsabilidades, não se ficando apenas pelas vãs palavras de repúdio.

Foi no seu turno e por isso não podem fazer de conta que nada aconteceu. Isto sem apurar ainda todas as consequências do que hoje sucedeu e que não tardarão a penalizar-nos duramente. Porém a vergonha que hoje nos manchou é infinitamente maior e difícil de suportar. E aí os órgãos sociais falharam pelo menos por incúria e acção irresponsável e continuam a falhar, pelo que se pode ver pelas declarações ocas quer do presidente do clube  ("foi chato"??? ) e da SAD e do PMAG (Ah e tal vamos ver).

Sporting: 3 casos, 3 maus sintomas

A seguir à profunda desilusão que se instalou após o naufrágio da Madeira, e com as tristes cenas que se seguiram, advinhava-se a entrada num período de grande turbulência. Nestas alturas, em que todos parecem ter uma solução milagrosa, o melhor mesmo é ficar calado. Não vou por isso pronunciar-me sobre a saída provável do treinador, das responsabilidades e consequências da caída para o terceiro lugar, porque não é ainda o tempo. 

Também não vou ousar comentar aquilo que me parece uma contradição nos termos a correr na noticia de hoje do CM Jornal: Sporting e corrupção de árbitros.

Não deixo porém de notar, não posso deixar mesmo de o fazer, três sinais de que muita coisa vai mal no Sporting para acontecerem estes episódios todos em sequência e que nos tiram o sossego:

Episódio 1: Como é possível que um atleta como o Rui Patrício, capitão, segundo jogador com mais jogos com a camisola do Sporting vestida seja insultado, ameaçado fisicamente e transformado em réu de uma época que só não acabou mais cedo para nós precisamente pela quantidade e qualidade das suas intervenções?

Episódio 2: Como é que, acabado o período de nojo e os inevitáveis e compreensíveis desabafos de circunstância após a derrota no Funchal, não cerramos os dentes e reunimos todos os esforços e as últimas forças para ganhar a prova rainha do futebol, a Taça de Portugal, como é nossa obrigação?

Episódio 3- Ao invés, numa encenação de todo evitável, monta-se o triste espectáculo de devassa do clube, com jornalistas instalados em plena garagem de Alvalade, tornando pública a reunião em Alvalade, quando a mesma poderia ter decorrido hoje no recato de Alcochete?

Pode-se culpar os jornalistas quando lhes servimos em rica baixela tamanho banquete? 

O Sporting não consegue fazer e manter em segredo uma reunião de trabalho?

domingo, 13 de maio de 2018

Capitulação total

Vergonhosa é a classificação mais favorável para a exibição de todo incompreensível com que o Sporting fecha a época. Podemos perder ou empatar jogos e aceitar esses resultados mas não podemos perder desta forma obscena, em que nem sequer comparecemos verdadeiramente ao jogo, estando em campo apenas para exibir a capitulação total, sem condições.

sábado, 12 de maio de 2018

A entrevista de Bruno de Carvalho ao Expresso

Definitivamente os Sportinguistas não têm direito ao descanso. Um momento de particular felicidade, com a celebração da conquista de diversos títulos é interrompido com regresso do presidente ao primeiro plano para dar uma entrevista desnecessária e extemporânea.

Desnecessária porque quase nada do que é dito tem particular relevância neste momento da vida do clube, em que se decidem muitos dos campeonatos em que as diversas equipas e modalidades do clube estão envolvidas. Nem uma palavra de apoio e incentivo para os atletas ou uma mensagem de igual teor para os adeptos que se desdobram para acompanhar o clube.

Extemporânea porque volta outra vez várias páginas atrás da nossa história recente para repisar matérias que deveriam estar já definitivamente ultrapassadas, pelo menos no interesse do clube. É difícil de entender que objectivos ela visa que não pudessem ser conseguidos já depois de encerrado este período. Muito particularmente porque poderia muito bem suceder depois dos dois jogos que irão decidir a cor e o tom da época de futebol, cujos atletas e treinador são novamente visados. Insistir só revela que não percebeu completamente as consequências do seus actos, que só não foram mais graves porque houve o bom senso de não deixar levar por diante, entre outras iniciativas "brilhantes", a ideia de suspender a equipa e jogar com a equipa B. Onde estaríamos agora?


Esta não é uma entrevista, são duas entrevistas. O Expresso esteve com Bruno de Carvalho antes da derrota do Sporting em Madrid que provocou um cisma: o presidente de um lado e os jogadores do outro, com críticas violentas, ameaças de greve, suspensões e processos disciplinares pelo meio. Ficou combinada, então, uma segunda conversa para que o presidente leonino pudesse ser confrontado com o motim de Alvalade. Ao todo, foram mais de sete horas de perguntas e respostas, na casa de BdC e na SAD sportinguista, nas quais o líder leonino falou dos futebolistas, de Jorge Jesus, de Vieira e do Benfica, e do seu passado de “trolha” que serviu de preparação para o futebol. “Depois da construção civil, a bola é para meninos.”

O que lhe passou pela cabeça para escrever aquele post?

Vou fazer-vos um enquadramento importante. Primeiro, tem que ver com a linha de raciocínio que eu sigo e defendo: as críticas fazem parte e os jogadores vivem numa bolha. Mas também tem que ver com mais fatores. Antes de mais, a conversa que tive com os jogadores antes de eles irem para Madrid em que eu disse: “Considerem que quando as pessoas criticam e assobiam é porque acreditam em vocês, porque gostam de vocês — e vocês têm de corresponder com vitórias. De onze virem 22 e trazem de lá a vitória.” Na altura, nenhum dos futebolistas me disse: “Veja lá, não nos vá criticar.” Segundo, eu não fui a Madrid porque a minha filha estava para nascer, com todas aquelas questões [dificuldades na gravidez da mulher]. Mas o futebol é um mundo estranho, realmente...

Como assim?

Há uma superproteção dos jogadores e eles com muita facilidade vão para um patamar de total incoerência. Porque estes jogadores normalmente não vêm de meios fáceis ou abonados e esquecem-se rapidamente. Os salários que recebem não estão ligados à realidade do dia a dia. E depois há esta situação de redoma onde são colocados, idolatrados. Os atletas não percebem que são seres normais, cuja profissão é jogar à bola. Seres que têm uma responsabilidade, até social, acrescida, devido ao que ganham em clubes com a dimensão do Sporting. Se calhar os jogadores teriam outro comportamento em campo se não fosse esta teoria absolutamente mirabolante de que são um mundo à parte que tem de ser altamente protegido. Para caminharmos todos juntos, tem de haver um contacto que [não existe porque] os treinadores e jogadores portugueses não têm essa cultura.

Ainda assim, e apesar da forma como olha para o fenómeno, voltaria a escrever aquele post dos “mimados”?

Não, até porque apaguei a página do Facebook. 

Está arrependido?

Não é uma questão de arrependimento.

Mas voltaria a fazer aquela conferência de imprensa?

Qual? A que disse que compreendia os assobios e não os insultos? Pedi para não me chamarem nomes e assumi a culpa total, ainda que deva dizer que houve ali muita encenação, nos cartazes, nas asneiras, etcetera. A conferência durou vinte minutos, mas foi à vossa [jornalistas] custa. E ninguém foi capaz de dizer que fui eu quem foi buscar o treinador do Paços de Ferreira lá para dentro. Os jornalistas estavam a fazer perguntas sem interesse nenhum...



Se não tinham interesse, o presidente podia ter saído.

Sempre me disseram que não devia virar as costas aos jornalistas porque depois eles levam a mal.

Bem, Cristiano Ronaldo já atirou um microfone para dentro de um lago...

Não era de jornalista...

Era da CMTV.

Se é da CMTV não é um jornalista...

Se desconsidera tanto a CMTV, porque ligou para o canal na noite do post?

Bom, isso aconteceu por dois motivos. Um: o Nuno Saraiva [diretor de comunicação] estava em Madrid, com a equipa. Dois: o Nuno Saraiva já tinha tentado entrar antes em direto na CMTV e isso fora-lhe negado. Se me perguntar se [hoje] faria o mesmo, digo-lhe, de caretas, que não. Mas, pronto, liguei porque me alertaram para aquilo que o representante do Sporting estava lá a dizer em direto; extravasaram do post para o lado pessoal. 

Depois disso, dá-se uma espécie de motim, com jogadores de um lado, presidente do outro. Não perdeu o controlo da situação?

Não perdi controlo da situação coisa nenhuma. Foi tudo como dizia o meu tio-avô Pinheiro de Azevedo: só fumaça, a montanha pariu um rato, não houve consequências, ganhámos cinco seis jogos seguidos. Se eu não estivesse a passar o que passei, talvez tudo tivesse sido evitado. A pequenina oposição quis pôr as garras de fora, mas veio o corta-unhas e cortou-as. E atenção: é nesse período que anuncio a renovação com o Superbock Group e com a CUF. Os pseudoespecialistas diziam que a marca estava a perder valor — a verdade é que houve uma melhoria da reestruturação financeira, empréstimo obrigacionista que se resolverá, patrocinadores satisfeitos, modalidades cheias de saúde.

Acha que se fosse hoje a votos teria os mesmos 90%?

Em primeiro lugar, burro é aquele que a três anos de umas eleições está preocupado com isso. Essa leitura não tem interesse nenhum. Acha que daqui a três anos alguém se lembra disto? Olhe, saiu uma sondagem na qual apenas 11% das pessoas discordaram da minha posição — e eu relativizo isso também, nem me interessa.

OK, mas não houve dano com o plantel?

Isto foi um conjunto de precipitações. Aqueles que dizem que me precipitei, também se precipitaram. A relação com os jogadores? Eu não procuro o amor dos jogadores, porque o meu dever é defender, por um lado, os interesses do clube, e, por outro, gerir as emoções dos futebolistas, que querem melhores contratos, mais dinheiro, sair para o estrangeiro, etc.

Ou seja, o que nos está a querer dizer é que um grupo de jogadores insatisfeitos com os contratos aproveitou o seu post para liderar o tal ‘manifesto’ nas redes sociais contra si. 

Ficou agendada uma reunião para depois do jogo com o Paços de Ferreira à chegada da equipa, porque nessa manhã eu tinha de estar no TAD e na PGR. Depois fui surpreendido quando surgiu aquele post do Instagram [partilhado por 19 jogadores]. Pronto, aconteceu.

E porque é que isso aconteceu?

Não sei. Talvez um bug informático.

E o presidente respondeu aos jogadores, ameaçando-os com processos disciplinares, suspensões.

Ação-reação. O sentimento de traição e de deslealdade é o pior; se ficou combinado que nos iríamos reunir no dia seguinte, porque é que escreveram aquele post? Obviamente, não me senti bem com aquilo. Precipitei-me, mas não fui o único.

Jaime Marta Soares também?

Todos. Agora, espero é que não seja um período de reflexão apenas para o presidente do Sporting. É preciso que todos cresçamos um bocadinho mais. 

Há volta a dar na relação com o plantel?

A relação é esta: há uma hierarquia que tem de ser respeitada e um líder que tem de dizer às vezes ‘não’. O jogador quer sair, eu não deixo, ele fica chateado, vai para casa, no dia seguinte volta, a coisa passa. Ponto final. No futebol não funcionam os pedidos de desculpa, não são precisos. 

Nada vai mudar?

Mudou alguma coisa, porque os jogadores já deram uma volta olímpica. Também refletiram um bocadinho.

E os tais jogadores “mimados” que escreveu no post? São os capitães Rui Patrício e William Carvalho?

Olhe, as pessoas que me são leais no Sporting ficaram incomodadas com o que aconteceu, porque sabem que eu dou tudo pelo Sporting. A administração ficou ofendida, porque estava combinada uma reunião que depois foi descombinada — e, depois disso, chegou aquele post dos jogadores.

Ou seja, esses tais jogadores vão sofrer consequências no mercado?

Uma coisa lhe garanto: só vão sair jogadores valiosos se alguém pagar o valor da cláusula ou muito próximo disso.

Então é um castigo para os que pretensamente forçaram a saída com o post?

Não quero acreditar que tenham feito o post com esse intuito. Porque se o fizeram, é porque não me conhecem de todo; se querem que eu seja sensível a alguma coisa, que me ponham bem-disposto, senão vão bater com a cabeça no muro.
percurso Bruno de Carvalho acha que os jornalistas não o pintam como deve ser. “Eu sou popular e sou um exemplo de vida: tive um sonho, lutei, ganhei e tornei-me presidente do Sporting Clube de Portugal”
Recebeu mensagens do plantel de felicitações pelo nascimento da sua filha?

De ninguém, a não ser do Jorge [Jesus]: “Parabéns pelo nascimento da Leonor.” Mas recebi de todas as outras modalidades.

Qual foi o papel de Jorge Jesus nas 72 horas? Levou a mal que ele se tivesse posto ao lado dos jogadores?

Uma pergunta mais inteligente seria: quem é o líder do balneário?

O treinador.

Então acha que um treinador permitiria que os jogadores fizessem aquilo que se escreveu ao seu presidente? Que os jogadores tinham virado as costas ao presidente, gritado com o presidente, que se tinham recusado a treinar, e por aí fora. Só pode ser invenção da comunicação social, não é? Porque se fosse verdade era gravíssimo.

Está a ser irónico?

Têm de ser tudo invenções, não é? Porque senão era mau sinal haver um líder de balneário assim. E o líder de balneário é o treinador. 

Mas subscreve o líder de balneário que diz que o que importa num clube são os jogadores?

Acho que o Jorge teve uma boa tirada contabilística, porque os ativos mais fortes são os futebolistas. Mas o maior património do Sporting Clube de Portugal são os sócios e os adeptos, ponto.

Essas duas formas antagónicas de olhar para o futebol não vão colidir?

Não, porque ele não é o líder dos sócios e dos adeptos. 

Está satisfeito com a forma como o líder do balneário geriu todo este processo?

Partindo do princípio de que é tudo mentira, menos o post, sim, geriu bem.

Pergunto outra vez: está a ser irónico?

Não, não. Você acredita que alguma coisa acontece no balneário sem o OK do líder? Um líder lidera. Imagine que no meu conselho de administração acontecia uma série de coisas e de atitudes para as quais eu não tinha dado o meu OK. Se isso acontecesse, eu não era líder algum.

Falou em reflexão coletiva. O líder do balneário já refletiu?

Tem de lhe fazer a pergunta a ele.

Mas ele precisa de fazer essa reflexão?

Todos nós precisamos.

Jorge Jesus fica na próxima época?

Tem contrato, já estamos a preparar o que aí vem. No outro dia vinha num jornal que ele estava de corpo e alma no Sporting, que queria ficar, que estava identificado com o projeto. E o projeto é este: aqui é para ser campeão em todas as modalidades. Tem de haver atitude e compromisso de todos. Não quero ser mais um. A exigência tem de ser total. Eu comigo sou de uma exigência total e avassaladora. E depois tenho a máxima do meu plano e estratégia de comunicação que vem do meu tio-avô Pinheiro de Azevedo.

E qual era?

A minha mãe trabalhava com o meu tio-avô Pinheiro de Azevedo quando era primeiro-ministro por causa daquela questão de Portugal servir de ponte aérea entre Angola e Cuba, porque ela achava que aquilo nos envergonhava a todos. E ele dizia: “Ó Paulinha, mas o que é que eu posso fazer, isso é com os generais, não é comigo.” E ela insistia e ele lá foi falar com o general a dizer: “Xôr general, isto é uma vergonha, a ponte aérea e tal. Vamos fazer assim, ou faz você alguma coisa ou faço eu.” Passado um dia ou dois, manchete no jornal: “Portugal acaba com a ponte aérea.” E a minha mãe lá vai toda contente dizer: “Ó tio, maravilhoso.” E ele: “Ainda bem que estás contente.” E ela: “E se o presidente não tem feito nada?” E ele: “Isso, Paulinha, é que era uma chatice. Mas vou ensinar-te uma coisa. Para ter sucesso, a primeira coisa a fazer é criar fama de maluco. Depois, é só mantê-la.” É essa a minha estratégia de comunicação. 100% eficaz e eficiente, digo-lhe já.

Voltando atrás: o regresso ao banco de suplentes depois daquele post foi pacífico?

Muito pacífico. Era só o que mais faltava não ser pacífico, porque no dia em que isso acontecesse, era sinal de que não era líder. Eu respondo perante os sócios e adeptos.

Porque decidiu, enfim, sair do Facebook?

Porque tinha uma família alargada para dar atenção e percebi que havia uma maioria inequívoca de sportinguistas, inclusivamente aqueles que não viram nada de mal no post, que me disseram: “Eh, pá, presidente, não continue. Chega.” Se os sócios preferem o caminho B ao A, tenho de aceitar. Fui democraticamente eleito para isso. Houve alguém que me disse algo que me ficou: “Presidente, percebeu-se na cara que você queria mesmo dizer aquilo na conferência de imprensa, mas eu não o queria ouvir.” Foi de uma honestidade intelectual tremenda, uma lição que eu aprendi para a vida. As pessoas, por vezes, pura e simplesmente não nos querem ouvir. E tenho de respeitar isso. Aprendi que o silêncio é de ouro. Quando apaguei, tudo acalmou. Mas tive de ver com os meus olhos, porque não acreditava que seria assim tão simples. 

Custou-lhe sair?

Olhe, não preciso do Facebook para nada a não ser para fazer passar uma mensagem num canal privilegiado. Nestas semanas, nestes tempos, em que fui operado, em que a minha mulher teve as complicações logo a partir de 20 de dezembro — sem saber se a minha filha iria nascer em condições, estive cinco dias no hospital com a bebé em risco de vida —, em que fui diagnosticado com uma síndroma vertiginosa; enfim, durante esse período todo apercebi-me de uma série de coisas. É como um bloco de notas em que se aponta o bom e o mau: aprendi a relativizar situações, em função das dificuldades da gravidez da minha mulher; e também aprendi com quem posso ou não contar a partir deste momento. Os sportinguistas querem um presidente feliz e contente fora do Facebook? Então é isso que vão ter, sendo que a minha felicidade agora passa por estar mais perto da família. Conto-lhe isto: a minha filha de 15 anos chegou-se ao pé de mim, aos gritos, a dizer que a CMTV estava à porta de casa. “Acabou, pai! Isto é inacreditável. Não pode ser!” Não posso perder a minha filha por estar a escrever posts no Facebook. 

E quem é que o desiludiu nestes momentos?

Houve desilusões, mas guardo-as para mim. Quem não me desiludiu foram os meus únicos seis amigos que tenho desde o tempo do Maria Amália. Obviamente que a administração também me apoiou bastante, mas aqui estamos a falar num plano estritamente pessoal, certo? 

Sim.

Então só tenho seis amigos [gargalhada].

Revê-se na tese de burnout avançada por Eduardo Barroso?

Ouça… Ele tem-me acompanhado nestes problemas de saúde que tive. Ele sabe o que é gerir o Sporting. Acho que o que ele queria dizer era que uma pessoa normal, que estivesse a passar pelo que eu passei, já estaria com uma camisa de forças. O Bruno não. O Bruno aguenta, aguenta, aguenta, aguenta. 

Porque não delega mais?

Eu delego, mas… tem noção dos inimigos que eu já colecionei? Eu confio em todos, mas não quero que tenham de se sujeitar a isto. Não é justo que eles travem as guerras que eu tenho de travar.

Uma das suas primeiras ‘guerras’ estratégias foi atacar o FC Porto e Jorge Nuno Pinto da Costa. Como é que isso resultou para si e para o clube?

Quando cheguei ao futebol, achava que o poder estava num lado e, afinal, estava noutro. Facilmente percebi isso: que o Benfica tinha o poder. Agora, podia puxar dos meus galões e dizer que, enquanto estive em guerra aberta, fiquei sempre à frente do FC Porto.

De que forma é que esse poder se manifesta?

Em primeiro lugar, quero relembrar a cena dos vouchers. Era tudo uma mentira pegada, mas depois os responsáveis do Benfica e os árbitros disseram que era verdade, que existiam, que eram ao portador e que podiam ser à discrição. Depois vieram os chavões: “Mas algum árbitro se vende por um jantar?” A seguir, comecei a dizer que havia alguém que se achava o rei-sol — e acusaram-me de estar obcecado com o Benfica. E o que dizem, então, os e-mails? Que havia pessoas que se julgavam acima da lei, que tinham montado uma teia sem limites que abrangia Federação, arbitragem, Governo, polícia, etc. A polícia pode, de uma vez por todas, mudar a sociedade portuguesa. Se me perguntar se eu acho que é verdade, eu digo, enquanto cidadão, que é verdade. São muitos sinais: vouchers, emails, E-Toupeira. Se isto resultar em nada, as pessoas não vão gostar. O ‘Apito Dourado’ teve um problema: não havia redes sociais. As redes sociais podem ser uma forma de estupidificação das massas, mas também são um lugar onde tudo aparece, onde tudo é escrutinado. Se fosse agora, o resultado seria outro.

Acha que perdeu algum título por causa disto? 

Acho que isso aconteceu no campeonato 2015-16 [Benfica sagrou-se campeão com dois pontos de vantagem sobre o Sporting].

Mas nos anos que se seguiram e nos anteriores acha que o Sporting também podia ter ganhado? 

E não acha estranho só sermos burros no futebol? Conseguimos ser campeões em todas as modalidades menos no futebol... sénior masculino, porque no feminino também já fomos. Falta-nos esse neurónio no futebol masculino, deve ser isso...

Alguma vez presenciou algumas das coisas que são referidas nos e-mails e que podem configurar pelo menos tráfico de influências? 

Ninguém ligou nenhuma... Mas vocês ligaram alguma coisa quando eu disse que o presidente do Benfica, na garagem da Liga, quis fazer um acordo em que ora ganhava ele ora ganhava eu?

Tem testemunhas disso?

Desculpe lá, eu fui chamado à Liga para falar disso. Mas o assunto foi arquivado. E é incrível, porque a Liga tem uma câmara na garagem.lar O presidente do Sporting fotografado na sua casa em Lisboa

Então há imagens?

Não. Dizem eles que apagaram. E apagaram porquê?, perguntei eu. Eles deviam ter mantido as imagens.

Isso foi quando?

Foi uma reunião que se fez na Liga quando eles estavam a querer expulsar o Mário Figueiredo. É na época 2013/14. E depois acabei eu a levar um processo.

Quais eram os termos do acordo proposto? Ganhar um de cada vez os títulos?

Ele [Luís Filipe Vieira] disse-me isto. E eu respondi: “Espere aí um pouco que eu vou à casa de banho.” E depois saio, vou para a porta principal da Liga e liguei ao motorista a dizer para me ir buscar que eu não queria aturar mais aquele tipo e ele, que gaguejava, só me respondia: “Mas ele tá tá tá tá tá tá aqui ao meu lado.” O homem entrou no carro e tentou convencer o meu motorista a convencer-me. Não sei que relação ele lá tinha com o motorista dele, que achou que convencia o meu motorista que um acordo destes era muito benéfico para o Sporting. Eu já disse isto. E fui processado.

E já assistiu a mais comportamentos que indiciem tráfico de influências?

Precisa de mais do que disto? Quando uma pessoa faz uma proposta destas, o resto não me espanta nada.

Surpreendeu-a detenção de Paulo Gonçalves?

As pessoas têm de decidir o que querem fazer de Paulo Gonçalves: ou condecoram-no ou prendem-no. Condecorar, porque foi campeão em todo o lado, mas é preciso ver como é que ele conseguiu ser campeão. Ganhar no FC Porto, Boavista e Benfica não é para qualquer um. 

FC Porto e Benfica já tinham conquistado títulos antes da chegada de Paulo Gonçalves.

E o Boavista? 

Não. 

Pois é.

Aparentemente, já fez as pazes com Pinto da Costa e até se sentou na tribuna presidencial ao lado dele. Vê-se a fazer o mesmo com Luís Filipe Vieira? Apertar-lhe-ia a mão?

A resposta é: não. Os problemas que tive com o FC Porto foram centrados em mim. No Benfica já se ultrapassou tudo o que era razoável. Já houve situações em que a minha morada privada foi revelada publicamente… E acho que a amizade entre a Cinha Jardim e a minha ex-mulher é estranha, para ser simpático…

O que nos está a dizer é que a sua ex-mulher está a ser instrumentalizada na disputa desportiva?

O que estou a dizer é que acho completamente estranha e descabida esta amizade meteórica entre a Cinha Jardim e a minha ex-mulher. Mas se quiserem fazer perguntas mais interessantes do que essa...

O que é que isso implica com a sua filha?

Implica o facto de a minha ex-mulher de repente achar que eu só posso ser pai da minha filha 67 dias por ano.

Mas antes tinham guarda partilhada?

Tínhamos o mesmo acordo que temos agora, mas era encarado de forma perfeitamente normal. E neste momento a minha ex-mulher decidiu levar o acordo de forma literal. E infelizmente está a ser apoiada por uma juíza que acha que uma pessoa pode ser pai 365 dias estando 67 dias com uma filha. Eu estou a pedir a guarda partilhada porque não acredito que se possa ser pai em 67 dias. Apenas progenitor e ama. Isto não se faz... Vocês estão habituados aos presidentes que têm fortunas, negócios e então acham que podem atacar todos de forma igual. Ainda não perceberam que a minha vida é esta. Não alterei absolutamente nada. E infelizmente, não posso ir à Quinta das Conchas, a um café ou jantar fora com as minhas filhas sem segurança. Se quiser ir jantar — com segurança — tenho de ir para os restaurantes mais caros. Como se tivesse possibilidades para fazer isso. Não tenho. E os jornalistas queixam-se de que eu estou a atacar a profissão deles, não percebendo que também estão a atacar a minha vida e o sustento da minha família. E se julgam que isto não tem influência na decisão patética que esta juíza tomou... claro que tem! Estou a ser muito prejudicado por uma imagem absolutamente falsa que a comunicação social passa. Até na minha vida pessoal sou prejudicado. Porque ninguém normal toma uma decisão como a desta juíza sobre a minha filha, quando a jurisprudência diz que o ideal é a guarda partilhada. Fiquei muito ressentido com a comunicação social por isto.

Os últimos e-mails do Benfica revelam algo mais?

Por exemplo, o e-mail do Powerpoint de Domingos Soares de Oliveira… Bom, o que me surpreende é como é que o Estádio da Luz inteiro não assobiou esta gente toda e o presidente da mesa da Assembleia Geral não pediu eleições. Se um post meu deu no que deu, imagine que o Powerpoint era meu. Eu não saía daqui com dores de costas, mas todo partido com a pancada que levaria. Há pessoas que foram constituídas arguidas, outras presas — e eu fiz um post... O Sporting é mesmo um clube sui generis.

Acha que a linguagem que usa é adequada à função que desempenha?

Nós estamos a falar de futebol, não estamos a falar de ópera. Temos de usar um palavreado adequado ao mundo em que estamos. Venho da construção civil para o futebol, ou seja, fui trolha e deixei de o ser. Nos meus primeiros dias eu também ia de fato e gravata e com os sapatinhos para as obras. E ouvi isto: “Aqui o gravatinhas tem a mania que manda, mas nós vamos fazer-lhe a folha.” Pensei: “O gravatinhas sou seu.” Fui a casa, troquei de roupa, ganga e T-shirt, voltei a essa obra — que é aqui onde nós estamos, nesta rua e neste prédio, fui eu que fiz isto tudo — e disparei asneiras a torto e a direito. E as coisas fizeram-se e passei a ser respeitado. Mas depois do que passei na construção civil, devo dizer que o futebol é só meninos. Digo-vos mais: o tipo de presidente que eu sou, o presidente-adepto, é o presidente do futuro. As coisas não andam para trás, o futebol tem de ter uma transparência total, porque as pessoas estão fartas, fartas, fartas. Temos é de trazer pessoas sérias para o futebol — e sério sou eu. Chega de hipocrisia. O futebol não precisa de indícios de corrupção, de gente presa, de tráficos de influência, de programas de televisão desportivos que são uma nulidade. Mas, depois, a culpa é do Bruno de Carvalho, do casaco do Bruno de Carvalho, do fumo e do cuspo — como é que eu conseguiria cuspir e expelir fumo ao mesmo tempo? Dizem: “O Bruno tem de ter é bom senso.” O que é isso de bom senso? Se há um manual de conduta presidencial, que mo enviem, porque eu preciso de o ler para me comportar convenientemente.

Sente-se excluído e perseguido?

Nada no futebol me espanta, nem o facto de estes tipos terem todos a primeira classe e eu, que sou o único licenciado e com um mestrado, me sentir como aquele que tem apenas a primeira classe. A mim espanta-me a forma que a comunicação social arranjou para ganhar dinheiro comigo, não percebendo que o poderia fazer de uma forma muito melhor. Primeiro, porque sou popular. Segundo, porque sou um exemplo de vida: tive um sonho, lutei e ganhei, quando era chamado nas primeiras eleições, “o homem um por cento”. Terceiro: há o Bruno que faz o “Congresso Internacional The Future Of Football”, que levou propostas à Assembleia da República, Presidente da República, Parlamento Europeu e à Comissão Europeia que irão ser aplicadas. E esse Bruno não tem interesse para a comunicação social. Recordo que tive uma entrevista com um diretor de um jornal desportivo, em que gastei quatro horas da minha vida na Academia, e como não disse uma asneira, a pessoa levantou-se e disse-me, na minha cara, que a entrevista não tinha tido interesse. “Pois é a primeira e a última vez que você me entrevista.” O que eles querem saber é se uso ou não cuecas vermelhas. Lá fora, a BBC liga-me, aqui as pessoas acham que ganham dinheiro amplificando aquilo que de mau eu possa ter feito ou dito. No entender deles.

E qual é o seu entender?

Eu preciso de paixão, eficácia e eficiência. A célebre frase das nádegas foi eficiente. Se gostei do que disse? Não. Mas fui 100% eficaz, alertando para uma manobra dos bastidores sobre o fim da centralização dos direitos televisivos: era 50% do maior clube do Norte [Porto], 50% do maior clube do sul [Benfica] e o Sporting ficava nos outros. A partir daí, começaram a falar da tal bipolarização.

Isso aconteceu no início da sua vida no Sporting e parece não ter mudado muito.

Não mudei, até porque a mudança de estilo, já vos disse, foi na construção civil. Aprendi que temos de representar um papel nos determinados contextos em que estamos. No futebol, tenho de usar um português muito básico, provocar choques que emitem ondas contra o Bruno, mas que se fale sobre o que eu quero pôr na agenda. E isso tornou-me uma pessoa muito mais amargurada. Foi-me dito uma vez por um diretor que o posicionamento na grelha da TV ou nas páginas de um jornal depende do tipo de relacionamento pessoal entre as partes. Vou contar este exemplo. Passei coisas que não desejo a ninguém, mas ganhei um processo contra uma juíza que me dizia que uma criança precisa de um pai e de uma mãe, e eu respondia assim: “Sim, ela tem um pai, que cuida e ama, e vou encontrar uma mãe, porque a pessoa que a deu à luz não é isso.” Venci esse preconceito do pai e da mãe há quase 15 anos e fiquei com a guarda total da minha filha mais velha. Eu sou realmente diferente, têm de perceber isto: não tenho negócios nem negociatas, não quero mais nada do que ser presidente do Sporting. Sou uma ilha deserta linda de morrer no meio de um oceano num planeta de um só continente onde toda a gente se conhece.

É acusado de promover o culto da personalidade e dou-lhe um exemplo concreto: aquele vídeo que passou nos ecrãs do estádio de Alvalade a anunciar que iria ser pai.

Foi uma péssima iniciativa e nunca mais farei uma coisa destas. Não tenho necessidade disso para me promover, porque teria tido muito mais visualizações no meu Facebook do que ali. Mas quem pensa que eu preciso dos ecrãs do Sporting para alguma coisa, lá está, não é estimulante.

Então mas porque é que o fez?

Porque foi uma campanha para angariar novos sócios, que até foi engraçada. A comunicação social manipula. Até quando fui eleito e disse “bardamerda” para quem não é do Sporting… Pegaram nesta expressão, mas esqueceram-se de tudo o que foi afirmado antes: “Estive o dia todo a ser atacado nas televisões por paineleiros que me chamaram demagogo e populista e eu e a minha família tivemos de levar o dia todo com estas pessoas. Por isso, e citando o meu tio-avô, digo bardamerda para os que não são do Sporting.” O Rogério Casanova, acho que na Tribuna Expresso, foi o único que disse que não percebia como é que a comunicação social não tinha percebido o fenómeno Bruno de Carvalho e citou os nomes das pessoas que passaram esse dia todo a atacar-me.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Sporting orgulhosamente só?

No Sporting discute-se tudo e mais alguma coisa, muitas vezes coisas que até não fazem muito sentido. Por exemplo, discute-se se Rui Patrício era ou não o alvo preferencial dos engenhos pirótecnicos enviados da curva sul e constroem-se teorias sobre o assunto. A menos que me provassem o contrário não estou a ver que um dos ídolos da bancada, ou melhor, de todas as bancadas pudesse ser alvo de uma acção como estas e logo com origem naquela bancada em concreto. É, quanto a mim, um não assunto, um fait-divers.

Outras matérias há que, apesar da sua importância, tendem a escapar a um escrutínio e discussão dos adeptos. Por exemplo, a equipa B de futebol, estruturante para o sucesso da nossa formação na última década, vai ser extinta e substituída por outra sub-23, sem se perceber ainda muito bem que melhorias tal decisão visa obter. Isto sem falar da forma "silenciosa" com que a equipa se arrastou até à descida, carregando agora o titulo de primeira dos grandes a obter este "feito".

De igual modo não deveria ser questionado a actual estratégia de abandono e falta de comparência às reuniões da Liga, fazendo com que o Sporting, ainda que não tenha qualquer capacidade de influência ou decisão, pelo menos se faça ouvir e marque a diferença com as suas ideias e posições? O que ganhamos com este isolamento?

terça-feira, 8 de maio de 2018

A paz agora anunciada entre Bruno de Carvalho e Marta Soares é apenas até à próxima crise?

A paz, finalmente?
No passado sábado os Sportinguistas foram surpreendidos pela comemoração de Bruno de Carvalho de braço dado com Marta Soares. Surpreendidos, se for levado em linha de conta as tomadas de posição públicas de ambos. Enquanto Marta Soares, depois da série de posts infelizes de Bruno de Carvalho e, sobretudo!, pela forte reacção dos adeptos declararia:
"Estão esgotadas as hipóteses da manutenção da atual presidência". Com Bruno de Carvalho não há paz no Sporting". Os sócios deram o sinal. Os sócios disseram aquilo que querem".
Na sequência desta declaração Bruno de Carvalho ripostaria:
O silêncio que se seguiu, e especialmente o fim dos posts intempestivos do presidente, deram o espaço necessário a que houvesse ponderação e certamente a mediação para que se restaurasse a normalidade. E ao que parece o regresso da paz. Independentemente da apreciação que cada um faça dos intervenientes e do seu papel nesta crise, julgo que é pacifico reconhecer que ninguém gostaria que ela se prolongasse e muito menos agudizasse. Se não há alturas boas para lançar o clube num poço cujo fundo se desconhece, esta, nesta altura, com as várias planificações ainda pendentes, faria perigar uma parte substancial das condições necessárias para o êxito do clube nas suas diversas actividades. 

Tal filho, tal pai?
Infelizmente no Sporting os motivos de sossego e até de festa são mais fugazes que os rastos luminosos das estrelas cadentes. Depois do silêncio auto-imposto de Bruno de Carvalho é agora o pai a recorrer ao Facebook. Até pode ser injusto para o próprio, que como qualquer cidadão, tem direito à expressão livre das suas ideias. Acontece que o pai do presidente do Sporting não é um qualquer cidadão e associações e suspeitas que lançam sobre os seus posts prejudicam o Sporting e o próprio presidente, obviamente. Quanto mais não seja pela semelhança na irresponsabilidade de achar que se pode apoucar em público jogadores e agora o treinador Jorge Jesus:
"Será necessário aumentar o ordenado do treinador? Era um jogo da maior importância por todas as razões e não vi a equipa fazer o que esperava dela para ganhar como era tão necessário para o Sporting. Pareceu-me desorganizada."
Atendendo ao tempo que levamos sem ganhar o titulo a dúvida com que finaliza o texto também deve ser comungada pelo filho:
"Não sei o que será necessário fazer para a equipa ficar ao nível de tantas outras em outras modalidades."
Estamos em final de época. Era bom que os erros que cometemos no passado recente não voltassem a ser repetidos e pudéssemos encarar a próxima época mais fortes e desde logo a partir de casa. É que lá fora já são muitos os adversários e não faltam os quem não nos deseje ver triunfar.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Da amarga nulidade quase total aos saborosos bis

Derby nulo
Decepcionante e de nulidade quase total o nosso desempenho no último dérby da época. Salvou-se o resultado, que nos mantém na luta pelo segundo lugar, o que permite continuar a acalentar a possibilidade de voltarmos a participar na Liga dos Campeões. Um objectivo secundário mas determinante para o prestigio e sustentabilidade do clube, como agora se percebe melhor com os novos plafonamentos de verbas destinadas aos participantes na competição.

Das duas estratégias em confronto para o jogo, há que reconhecer que a do nosso adversário se superiorizou à nossa, sobretudo pela forma como soube trancar a generalidade das nossas tentativas de organizar o ataque e, em contrapartida, soube criar condições para o sucesso das suas perigosas transições. Samaris e Fesja (especialmente) superiorizaram-se a Battaglia e William (sem ritmo) e abafaram completamente Bruno Fernandes, o nosso elemento mais importante na criação de jogo. Um recurso já anteriormente usado por outros adversários, nomeadamente Sérgio Conceição, e que explicam em muito a ausência de vitórias a nosso favor em jogos entre os grandes. Fica a satisfação de, ao contrário de outras ocasiões recentes em que fomos superiores, termos alcançado um resultado que nos pode ser útil, apesar do menor desempenho.

Destaque maior para Rui Patrício, que voltou a ser determinante para chegarmos assim ao mínimo admissível, nestas circunstâncias, jogando em casa: manter a vantagem alcançada na última jornada. Falta agora confirmá-la na última jornada, algo que não se augura como fácil. Quer pela pouca vitalidade exibida nos últimos jogos, quer pelo que os interesses em jogo podem provocar e de cujo exemplo tivemos na arbitragem do sr. Xistra e pela "falta de comparência" do vídeo-árbitro. 

Mão na bola e no bis
Quem não esteve com dúvidas nem procrastinações foi o andebol. Muito empenho (sem ele não se ganha, muito menos no andebol) e muita classe estiveram na base da confirmação do ressurgimento da modalidade com a expressão de que já havia gozado anteriormente. 

A memória de "Os Sete Magnificos" (Carlos Correia, Alfredo Pinheiro, Ramiro Pinheiro e Manuel Brito, Adriano Mesquita, Bessone Basto e Manuel Santos Marques) dos anos 60/70 em que dominamos a modalidade, os que estrearam a primeira equipa portuguesa na Taça das Taças (1975/76), os primeiros vencedores de uma competição europeia de clubes (Taça Chalenge, 2009/10, feito repetido por este grupo de trabalho o ano passado) é assim honrada e a transmissão do seu importante legado é concretizada. 

O significado desta conquista é ainda maior se se atender aos pormenores: alcançamos o segundo titulo consecutivo, o que ractifica a nossa qualidade. E ainda por cima voltamos a liderar em número de campeonatos nacionais alcançados, suplantando o FC Porto, que de 1999-2000 até hoje dominou como quis, conquistando onze títulos.

Os parabéns a todos os envolvidos neste titulo, direcção, seccionistas, equipa médica, dos jogadores, enfim, a verdadeira equipa que se formou e cujo trabalho realizado na organização da época foi fundamental para superar as muitas contrariedades e que, além de cumprirem o desígnio de ganhar, construíram uma relação notável com os adeptos.

O futebol e os títulos também são para meninas 
Foi "Sem desculpas", o lema de toda a secção, que a equipa feminina revalidou o título e confirmou a hegemonia na modalidade, com uma goleada ante o Valadares, por 4-1. Este é o primeiro titulo sénior de futebol celebrado em Alvalade, desde a inauguração do estádio, o que só pode ser entendido como um exemplo deixado pelas meninas e que o fim da "eterna malapata" está a chegar. A diferença de andamento para a concorrência tem sido tão grande que leva a supor que a esta equipa (tal como acima dizia, todos os que a compõem, da direcção ao roupeiro) nos vai continuar a dar muitas alegrias. O facto de estarmos na presença de um grupo jovem e que ainda por cima domina as convocatórias da selecção nacional assim o leva a supor.

Notas soltas:

- É impossível constatar o ressurgimento das modalidades sem que isso não obrigue a uma reflexão e comentário. Tentarei fazer isso aqui de forma tão breve como possível. Mas a constatação de que a  necessidade de um pavilhão era estruturante era tão "lapalissiana" que nem sequer merece comentários, como se pôde ver nesta última semana.

- Uma nota pessoal sobre o dérby. Não vou enunciar os nomes daqueles que finalmente tive oportunidade de conhecer pessoalmente, porque não quero incorrer na injustiça de me esquecer de algum. Pelas mesmas razões não vou enunciar os nomes daqueles que ficaram por voltar a cumprimentar, voltar a abraçar ou finalmente conhecer pessoalmente. Este misto agridoce dos encontros e desencontros, mas especialmente o calor da comunhão dos mesmos interesses e da imensa paixão por este clube é que dá forças e vontade de superar todas as contrariedades para voltar a casa sempre.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

O Dérby dos milhões e importância do segundo lugar

É já apelidado de jogo dos milhões mas, para o comum adepto como eu, a última coisa que interessa agora é fazer contas ao dinheiro que nos caberá em sorte. Até porque a designação é desajustada, a possibilidade de receber o tal pote cheio a que teríamos direito terá ainda que ser mediada em duas pré-eliminatórias. Mas é sim um jogo de milhões. De milhões de emoções como é sempre um dérby. Mas este mais ainda porque pode ser decisivo para confirmar a ultrapassagem definitiva do arqui-rival, alcançando assim o segundo lugar.

Mas um segundo lugar nunca poderá ser motivo de festejo para um clube como nosso. Agora, estando agora essa posição ao nosso alcance como a melhor classificação possível, tornou-se na nossa obrigação. A satisfação de poder ser alcançado nas actuais circunstâncias será enorme, como é natural, mas festejar segundos lugares nunca!

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Tio Patinhas de Alvalade analisa o artigo de Bruno de Carvalho sobre as contas do Sporting

Olá a todos.
Tio Patinhas is back!!

Depois de algum tempo ausente, volto à escrita, depois do Presidente do Sporting ter publicado um artigo no DN, onde falava sobre o estado das finanças do Sporting e da recente polémica sobre as obrigações. Mas foi ainda mais longe e revelou alguns dados novos sobre a reestruturação financeira que, aparentemente, teve uma renegociação com os Bancos.

Mas vamos por partes.

Em primeiro lugar, abordar a polémica do empréstimo obrigacionista. Existe muita informação e desinformação sobre este assunto. Ainda ontem, lemos uma notícia do CM em que nos dizia que o prorrogar das obrigações, por um período de 6 meses, originou um custo de quase 1 Milhão de Euros. O que é verdade, mas este custo não é adicional. Se a emissão “velha” tivesse sido substituída por uma nova, este valor seria pago à mesma, pois as obrigações vencem juros e o Sporting não tem liquidez para simplesmente reembolsar as obrigações, sem fazer o “revolving” da emissão.

Várias pessoas questionaram a minha opinião sobre o prorrogar e principalmente sobre a nova autorização para pedir um novo empréstimo obrigacionista num valor que poderá ir até 60 Milhões de Euros. Não tendo qualquer informação sobre o que motiva esta autorização, tenho a convicção que, no contexto atual da banca, que o Sporting dificilmente teria autorização para aumentar a sua dívida num valor de mais 30 Milhões de Euros. A Banca quer reduzir a exposição aos Clubes de Futebol  e paulatinamente, o Sporting tem conseguido reduzir algum do seu passivo bancário. Por outro lado, todos sabemos que os investidores particulares representam uma fatia pequena dos subscritores das obrigações, pelo que são normalmente os Bancos, através dos seus fundos, que tomam a percentagem de leão dos mesmos. 

Com estes dados, leva-me a concluir que deveremos estar a observar uma substituição de dívida ou do valor necessário para recomprar as VMOCs, segundo informação prestada ontem, por Bruno de Carvalho. Aguardemos pelas contas do primeiro semestre de 2018/2019 para verificar como fica o passivo bancário do Sporting e se se confirma ou não a substituição de outras formas de endividamento bancário (factoring, empréstimos, contas caucionadas, descobertos, etc).

Antes de falar das VMOCs, é importante falarmos de uma questão:

Depois da entrada da oficial da Troika, os Bancos foram obrigados a rever as suas práticas e mais do que isso, a reconhecer como imparidades e por conseguinte, assumir as perdas, de uma série de dívidas que os seus devedores tinham. E durante estes últimos cinco anos, quase todos os Bancos Nacionais assumiram milhões e milhões de prejuízos. E entre os quais, muitas das dívidas de todos os Clubes de Futebol, principalmente daquelas que estavam “calcinadas”. E para agravar isso, tivemos a queda do Banco BES, um dos 2 bancos com exposição ao Sporting. E resta saber se as nossas dívidas, incluindo as VMOCs (a parte do BES), ficaram no Banco Bom ou Mau (Novo Banco ou BES). Mas independentemente disso e de acordo com as informações que tenho, os valores das VMOCs foram já reconhecidos como perda total no Balanço dos Bancos e o prejuízo já reconhecido nas diversas contas do BES e Millennium BCP.

Penso ser à luz destes dados que posso compreender as novas informações que saíram ontem. Que ao invés de exercemos a opção de compra de 44 Milhões por um preço de 1,2 X Preço de mercado (cotação), que as mesmas teriam um preço de 0,3 Euros por VMOC. A este preço, o Sporting fica obrigado a comprar a totalidade das VMOCs a um preço de 40,5 Milhões de Euros. O que lhe daria cerca de 88% do capital da SAD.

E porque será que os Bancos acordaram esta redução de preço?…

Penso ser explicado pela razão de que vale mais um pássaro na mão do que dois a voar. Ora vejamos. As VMOCs já devem estar valorizadas a 0, nas suas contas. Os prejuízos já foram assumidos. Recebendo 40,5 Milhões de Euros pelas mesmas, significa que irão reconhecer um ganho nesse montante, com a reversão das imparidades. Ganho esse que irá mostrar uma melhoria nas suas contas de resultados.

E porque é que isto acontece?

Porque naturalmente, se o Sporting só precisava de comprar os 44 Milhões de VMOCs até um valor máximo de 44 Milhões de Euros para manter a maioria, nunca iria comprar as restantes, mantendo-as cristalizadas no Balanço dos Bancos (e volto a referir que, já estão valorizadas a 0 nos mesmos). Assim e perante esse cenários, os Bancos preferem limpar as VMOCs do seu Balanço de uma vez por todas.

No caso destes pressupostos se concretizarem (e volto a referir de que não disponho de nenhuma informação privilegiada, limitando-me a formular as minhas opiniões com base nos dados que são públicos), existirá um haircut de 70% da dívida (constituindo assim um perdão), assumida sob a forma de VMOCs. O que será sempre uma boa notícia e partindo do pressuposto que estamos e iremos continuar a cumprir com os acordos estabelecidos com a banca. A Banca tem cada vez mais instruções para reduzir a sua exposição a Clubes de Futebol e temos de ir arranjando formas alternativas de financiamento e principalmente, aproveitar as milionárias transferências para diminuir as nossas responsabilidades com a mesma.

No meio do extenso artigo, uma confirmação: os 18 Milhões de Euros, do tal investidor que não poderiam divulgar o nome, nunca entraram nos cofres da SAD. Ao contrário do afirmado (e por mim, pessoalmente, no Multidesportivo) em Assembleia Geral do Clube, pelo Presidente Bruno de Carvalho e penso que por Carlos Vieira, Vice-Presidente, em diversas entrevistas. Nos mapas de fluxos de caixa, nunca tinha percebido onde poderia estar reflectida essa entrada, nem nas contas de Balanço. Agora, surge a confirmação. Só não era preciso era ter informado deste assunto de uma determinada entrada de fundos que nunca correspondeu à realidade. 

Em último lugar, confesso que não apreciei a “desavença” entre os maiores accionistas da SAD ser discutida em plena praça pública. Não sendo a Holdimo uma “santinha”, também é necessário recordar que esta aceitou a conversão de uma dívida em capital, permitindo a este acionista ter uma participação de quase 30% no capital da SAD do Sporting. Será vantajoso estarmos a “pisar” no segundo maior acionista e assumir que queremos provocar-lhe uma diluição de capital? Ou será que os actuais accionistas (que não o Sporting) poderiam comprar algumas das VMOCs ao preço estabelecido pelo Sporting?

Aguardemos pelos próximos capítulos, mas estou curioso para saber o que irá sair deliberado na próxima AG da SAD do Sporting.

Até lá que é hora de despedir de todos os sportinguistas que nos seguem, aqui no Blog A Norte de Alvalade

Saudações leoninas,

O Vosso Tio Patinhas de Alvalade

terça-feira, 1 de maio de 2018

O regresso em glória do voleibol!

Demorou vinte e quatro anos a construir a ponte que assinala o regresso aos títulos na modalidade de voleibol e logo no ano em que se assinala o nosso regresso à modalidade. Com muito bem assinalou o treinador Hugo Silva, trata-se também da interrupção da hegemonia de quase uma década do nosso adversário de hoje, uma dificuldade acrescida que exponencia o feito hoje alcançado.

Este titulo terá sempre por isso um significado especial que é amplificado pela conjunção de elementos que tornam a conquista de hoje ainda mais saborosa: a celebração em ambiente de grande fervor clubistico sob a tutela de João Rocha, nome que o pavilhão eternizou e cuja construção tão ansiada teve hoje aquela que esperamos seja a primeira grande celebração. A passagem de testemunho do titulo pelas mãos de Miguel Maia, campeão também em 1994, é outro dos factos digno de registo.

Parabéns a todos os que tornaram este momento possível, nomeadamente a actual direcção que levou a efeito a construção do pavilhão e o regresso da modalidade, aos atletas, técnicos, seccionistas  envolvidos, que acreditaram sempre que este momento era possível.

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