Últimos Artigos

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Uma boa cerveja Checa para esquecer a Astenia

Foi um Sporting muito asténico que se deixou resvalar até ao empate com os cazaques do Astana. Agora que a neura já se perdeu entre lençóis é hora de olhar em frente e perceber que os danos são de menor importância e que há uma boa oportunidade para continuar a fazer história na competição. Ainda por cima na terra da boa cerveja, o que faz deste sorteio quase uma receita médica para levantar a moral e acabar com astenia. Venha daí o Plzen!

P.S.- O Senhor de costas na foto deu mais um passo para uma grande época, um grande Mundial e, infelizmente (porque os grandes jogadores fazem-nos muita falta) para uma transferência astronómica.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Legal versus ilegal ou a justiça poética

Tanta indignação que provocou um golo ilegal para, ao virar da página, acontecer isto que a foto documenta. Estavam quase tantos jogadores em fora-de-jogo e marcar um golo ILEGAL como os minutos de desconto dados para um golo LEGAL. E o video-árbitro? Estaria a consertar a bancada? Imbestigue-se!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Tondela 1 - Sporting 2: Alcançar apesar de mal porfiar

Com duas falhas individuais onde menos se esperava (Coates pouco intenso no golo do Tondela e a paragem cerebral do cerebral Mathieu) o Sporting quase viu perigar a conquista dos importantes três pontos. O facto de o ter conseguido já muito fora de horas significa apenas que, apesar das contrariedades, ainda assim a equipa tentou, mesmo sem muita arte, tudo o que podia e enquanto podia. 

A natural azia dos tondelenses é compreensível, se fosse comigo sentiria o mesmo. Mas há que reconhecer o mais importante, o nosso golo não é ilegal, pelo que toda a polémica que se seguirá perderá muita força. Ou devia perder... É bom lembrar que éramos nós que jogávamos em inferioridade numérica e vínhamos de uma longa e desgastante viagem, pelo que o prolongar do tempo de jogo funcionou a nosso favor porque arriscamos o que o Tondela, em superioridade numérica, preferiu não fazer. O que também é compreensível, ao contrário de nós, o empate servia-lhes. O incompreensível é que tenha deixado de arriscar precisamente quando ficou em vantagem.

Quanto ao jogo ele teve diversas partes. A inicial, com o Tondela a superiorizar-se com mérito - a forma rápida como saía para o ataque, alargando primeiro a frente de ataque e dando-lhe depois profundidade  - também por falhas nossa organização defensiva, muito por descuido com as movimentações, especialmente de Miguel Cardoso e não menos por falta de intensidade na abordagem dos lances.

Até que se ouviu um "alto e para o baile" onde Acuña, Bruno Fernandes e especialmente Gélson, começaram a obrigar o Tondela a maiores cuidados defensivos, retirando-lhe o fulgor e o perigo que os tinham levado até ao golo de vantagem. E foi assim, com um míssil teleguiado de Acuña, que a bola chegou ao implacável Dost. Parece simples, fica por saber porque não acontece mais vezes...

Mudamos de campo e voltamos a mudar de forma de olhar para o jogo. Até já parecia ganho, que o Tondela se sentia a perder, como se o golo de Dost valesse por dois. Ou que o jogo era a feijões, se não foi isso que Mathieu percebeu assim pareceu. 

A saída do central francês minou a organização da equipa e passamos a jogar de uma forma que só com muita felicidade chegaríamos ao golo. Foi quando tudo já parecia inapelavelmente resolvido que lá chegou o golo tardio e a remissão de Coates. Não façam muitas destas, pelo nosso coração e sobretudo porque o final nem sempre será este.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

E agora, depois da AG, podemos concentrarmo-nos no que realmente importa?

Finalmente a AG passou à história, é tempo por isso de nos voltarmos a concentrar no que é realmente importante: as diversas competições onde as muitas equipas que representam o clube estão envolvidas. Os resultados de ontem ajudaram a esclarecer e desmitificar algumas ideias:

- A votação esmagadora recolhida pelos órgãos sociais ontem confirma que não há facção ou facções com massa critica para exercer contravapor. 

- Aquela que é a maior AG de sempre vem juntar-se às eleições mais participadas de sempre. Há ou não há militância?

-  Estes são os órgão sociais com o apoio mais claro por parte dos associados e maior suporte dos órgãos institucionais.

Entretanto o que estava inicialmente em causa - as alterações estatutárias e o regulamento disciplinar - passaram em segundo plano. Só o tempo poderá confirmar o que isso realmente representará de novo na vida do clube.

Como nota final a minha discordância relativamente à "fatwa" declarada à generalidade dos órgãos de comunicação social, com as consequências a serem sentidas logo no imediato, à saída do pavilhão. Estava habituado a ver este tipo de actos no outro lado da estrada. Acredito que a generalidade dos Sportinguistas têm competências suficientes para separar a boa da má moeda na comunicação social.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O Sporting160 e eu


Estou cansado. Há meses, (muitos, demasiados já) que tudo o que pode correr mal tem corrido mal e por vezes bem pior do que julgava ser possível suportar. A "sorte" é que só vive mesmo um dia de cada vez, algo que se aprende com o tempo e nos protege da ansiedade e relativiza o medo dos desfechos que sabemos inevitáveis e dolorosos. O que não consigo resolver ou o que não se auto-soluciona hoje tem no dia seguinte uma nova oportunidade. 

Do lado bom das coisas estão os muitos poucos mas muito bons amigos que me restam e aqueles que amo incondicionalmente e de quem nunca me permitirei desistir. No meio de todos, está o Sporting que, para ficar de bem com a minha consciência, evito atribuir-lhe uma posição hierárquica definida, porque sei que são muitas as ocasiões em que lhe dou toda a prioridade, muito além até do que racionalmente me deveria permitir.

Muitos dos que ainda vão lendo este blogue há muito que já me julgaram e etiquetaram definitivamente como oposicionista, "croquette", talvez até agora já seja "sportingado". Como há alguns anos antes despejavam o "terrorista". Não sou nem nunca serei oposicionista ao Sporting posso, isso sim, manifestar opinião discordante relativamente às matérias que assim entender.

O "A Norte de Alvalade" faz este ano 10 anos de actividade e posso-me orgulhar de até mesmo nos piores momentos não ter ultrapassado os limites da decência que devem nortear a relação entre adeptos e nessa qualidade com os seus eleitos, mesmo que a tal tenham chegado sem o meu voto. As piores e por vezes mais violentas criticas abstenho-me de as publicar, partilho-as de forma privada, não por receio de represálias, mas porque tenho consciência do poder destruidor que por vezes podem alcançar, sobrevoando apenas o criticado mas aterrando com estrondo no Sporting, particularmente nos momentos mais críticos. 

Exerço o direito à minha opinião sem receios, porque não estou vinculado a pessoas, grupos ou movimentos, nem tenho "rabos de palha" que me possam chamuscar. Quanto ao "croquette" sou fã incondicional, mas apenas como iguaria culinária. Quanto ao que o apodo representa para o Sporting, desafio qualquer um que, no devido tempo, tenha alertado para os erros desportivos e de gestão da "res publica" Sportinguista (nomeadamente o património intangível que são os sócios e o imobiliário) como aqui foi feito nestes 10 anos. Muitos o fizeram melhor que eu, mas não estive calado como seguramente muitos dos que me tentam agredir estiveram. Não preciso de dar cabo da coluna, em violentos flick-flacks, para agora aparecer bonito na fotografia deste "novo Sporting".

Quanto ao "sportingado" assumo-o sem dificuldade. Se isso quer dizer um Sportinguista zangado com o continuo desperdício das melhores energias de um clube cheio de gente boa, capaz e desinteressada, que apenas aguarda que o convoquem para dar o que for necessário e estiver ao seu alcance. Cansado com o desperdiçar continuo das melhores oportunidades para revitalizar o clube e devolvê-lo ao caminho projectado e já anteriormente trilhado pelos que nos antecederam.

É por o Sporting me ser muito importante que estou a roubar tempo ao descanso para escrever e  dizer isto não é fazer uma queixa. O primeiro parágrafo também não é para apelar ao sentimento, é um mero desabafo, a tirar do peito para que não apodreça e se transforme em azedume. É por isso também que estou a escrever agora, nunca desistir do que é realmente importante para mim. E o Sporting é importante, entre várias razões porque o amor não se explica. Mas também por gratidão, alguns dos tais poucos mas muito bons amigos conheci-os debaixo da bandeira que nos é comum.

Entre esses bons amigos estão o Pedro Varela e o João Castro, com tenho tido a felicidade de fazer o podcast [Sporting160]. Se nunca ouviram, não sabem o que estão a perder. Fazer o Sporting160 com eles depressa se tornou dos melhores momentos da semana. E julgo que também tem sido um bom serviço prestado ao Sporting, sem outros apoios que não sejam os conhecidos, amigos e amigos dos amigos e os muitos amigos que fidelizamos entretanto.

Sabia desde o inicio que a minha presença poderia ser incómoda e disso dei conta a ambos, tendo já diversas vezes posto o meu lugar à disposição, por não querer significar um entrave às naturais ambições de fazer mais e melhor. Tenho a minha consciência tranquila, sou exactamente a mesma pessoa que escreve aqui e fala no 160, por muito que queiram dizer o contrário. Há uma diferença substancial: aqui sou eu que elejo os temas, lá comento o que me é pedido. E como não tenho "agenda" não preciso de dizer lá o que escrevo aqui, a menos que me seja pedido o comentário. Mas se me apanharem em contradição agradeço o reparo.

Sabia também que, mais cedo do que tarde, a minha permanência ali seria objecto de auditoria. Imaginava que esse dia chegaria um dia. E que se repetiria. E assim tem sido. Que esteja a decorrer no Twitter há dois dias sob o pretexto "é para saberem quem ele é", referindo-se a mim é a novidade. Sem dúvida que é o local adequado para "flash mobs". Lamento com pesar que na cegueira vingativa de me atingir a mim se leve tudo de arrasto. Eu não tenho nenhuma importância, sou eu e a minha opinião.

Mas o Sporting160 tem! E o grande trabalho do Pedro e do João também tem mas, acima de tudo, não merecem algo como isto. E, embora eu considere que posso ser uma mais valia, também não ignoro que posso ser um incómodo. Especialmente porque a minha opinião em relação a muitas matérias relacionadas com o Sporting são tendencialmente minoritárias e muitas vezes incómodas. Também o são para mim, pois poucas coisas são tão desagradáveis como estar em sentido oposto à corrente dominante.

Mas acima de tudo sou leal aos meus amigos especialmente quando sofremos e celebramos sob o emblema que é tudo para nós. Por isso eles sabem desde a primeira hora que o meu lugar está sempre à disposição deles. Porque eu sei o quanto gostam do que fazem e como esse trabalho redobra o amor e a ligação ao clube. No Sporting160 eu sou o menos importante e o mais facilmente dispensável. Se isso acontecer, o que eu compreenderia perfeitamente, até ganhavam mais um ouvinte. Porque das idas aos jogos espero que nunca me dispensem.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Como vamos sair todos a perder da AG de dia 17

Independentemente do que sejam os resultados da próxima AG, o Sporting já está a perder e não vejo como possa sair a ganhar deste processo. As consequências do abandono da reunião inicial e subsequente radicalização por parte de BdC - ou aprovam ou bato com a porta - mais os tristes episódios no Facebook, a acabar no número patético que a "sessão de esclarecimento" representou, tudo concorreu para deixar o Sporting mal colocado na fotografia. E o desfecho deste processo não se afigura mais vantajoso.

É muito provável que, tal como pretendido, todos os pontos venham a ser aprovados, é pelo menos essa a minha convicção. A chantagem feita certamente que produzirá os seus efeitos mas é indiscutível que, houvesse coragem por parte da massa associativa, o resultado poderia ser bem diferente. A AG seria o local indicado para chamar à razão os órgãos sociais que a eventualidade da rejeição de algum ponto da ordem de trabalhos decorre do exercício normal da vida de um clube e não representa uma censura e muito menos a necessidade da abertura de uma crise carregada de absurdo. Mas a democracia dá muito trabalho, obriga a  explicações, obriga a compromissos, eventualmente a cedências das partes envolvidas e por isso Bruno de Carvalho preferiu um processo autocrático, optando por extorquir aos sócios a aprovação dos pontos restantes da ordem de trabalhos. 

Seguramente que não foi pelo respeito que deve aos associados que os quer obrigar a aprovar alterações estatutárias sob coacção. E quando se queixa de ingratidão que deveremos dizer das suas acusações de falta de militância ("neste momento estão quase a matar-me e a culpa sinceramente está a ser dos sportinguistas, porque eu preciso de militância"), quando o número de sócios aumenta, os números de assistências são as maiores de sempre, apesar dos sacrifícios impostos pelos custos e pelas inúmeras solicitações? Provavelmente enganou-se e queria dizer "concordância"... 

A AG seria também o lugar adequado para responsabilizar os órgãos sociais, lembrando que têm um mandato para cumprir e que ninguém pôs em causa. A patética tentativa de criação de um governo sombra, que vestisse as roupas de uma oposição encarniçada, na pele de "meia-dúzia" de nomes e posts coscuvilhados nas redes sociais foi direitinho para o meu álbum de recordações dos momentos mais tristes do Sportinguismo. 

Ao contrário do que se pretendeu com este auto-de-fé, o Sporting não tem oposição organizada. Nem tem sequer uma figura emergente que agregue descontentes. Tem e espero que tenha sempre pessoas que não receiam em manifestar a sua opinião. Tem e terá sempre também exemplos melhores e outros piores na forma como a manifestam. Dar como exemplo opiniões extremadas, pretendendo que estas são uma tendência entre nós é tão só um convénio de disparates e disparatados.

Bruno de Carvalho deveria explicar na AG, especialmente aos muitos que o apoiam, porque prefere a negativa pela positiva, isto é, destacar permanentemente os que com ele não concordam e ignorar o enorme apoio que recebe. Será para se desresponsabilizar da sua afirmação: "com os sportinguistas atrás, farei tudo, levarei o Sporting ao céu. Não tenho dúvidas disso". Afinal quantos mais são precisos?

Este tem sido um processo gerido desde o seu inicio com muita inabilidade, precipitação e até mesmo prepotência. Como se percebeu pela actuação dos órgãos sociais, afinal os esclarecimentos eram mesmo necessários, ou não se teriam posteriormente  desdobrado em tentativas de explicar ou pelo menos relativizar a importância do que estava em discussão. Foi pela falta deles e pela marcação inopinada da AG face à importância das matérias que o processo se polemizou. 

A maior parte da polémica advém sobretudo da proposta de um novo regulamento disciplinar. Que não deve ser olhado de forma isolada porque, por exemplo, pretende-se também extinguir o método de Hondt na eleição do órgão que o aplicará, o CFD. Os argumentos invocados são pífios e meramente focados na circunstância, escapando às alterações propostas um efeito estruturador. Creio mesmo que é esse o espírito desta AG, a circunstância. Não há nenhuma medida verdadeiramente reformista que ofereça aos sócios um clube mais aberto e moderno. Por exemplo para um clube que se diz de Portugal, a centralização em Lisboa continua a onerar desnecessariamente os milhares que vivem longe. Quanto fica no final uma ida à AG?

Mas a polémica faz sentido. Mesmo descontando o exemplo acima do CFD, há ainda a troca de um Conselho Leonino eleito pelos sócios por um comissariado indicado pelo presidente que, sintomaticamente, também não se esqueceu de reforçar os poderes, tornando-se um órgão social. Esse sentido é ainda mais aguçado quando o famigerado regulamento que ia entrar em vigor no próximo mandato diz-se agora que é para efeitos imediatos. Não querem alterar desde já a redação e dotá-lo de efeitos retroactivos?...

Creio que toda esta pressa e forma de proceder, associada à falta de uma discussão aprofundada confirmam os piores receios. Acresce que esta sanha punitiva me parece farisaica, pois o próprio presidente tem feito os possíveis e os impossíveis por ser conhecido pelos excessos de linguagem e falta de respeito generalizada. Ficamos por exemplo a saber na sessão de esclarecimento que, alegadamente, PMAG é um "cabrão" quando demora a publicar os resultados eleitorais. Que, quando chamado à razão pelo uso de linguagem inapropriada nas instalações do clube na presença de elementos do sexo feminino ele quer, alegadamente, ela "se f%&#". Certamente que não seria a manifestação de uma preocupação com o seu bem estar e qualidade da sua vida sexual... E estas são só as últimas...

Creio que poucos ficarão tranquilos com a sua consciência mas no final, depois de tanta dramatização,  isto não será mais do que um triste episódio e uma desnecessária crise. O que eu gostava que acontecesse não vai acontecer: que os sócios manifestassem sem medo a sua discordância por esta falta de respeito. Sem dramas e demissões, pois não creio que alguém no seu perfeito juízo - no que incluo o presidente... - conseguiria compreender que a direcção caísse assim e agora.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Sporting 2 - Feirense 0: Á prova de VARizes oculares!

Um único aspecto ofuscou a nossa exibição com o Feirense: a eficácia. Nos restantes parâmetros estatísticos - só na primeira parte produzimos jogo ofensivo de elevada qualidade, ao ponto de termos conseguido doze (!) remates na área adversária -  mais a qualidade exibicional foram de uma equipa que quer ser campeã. Tudo isso mais a imperturbabilidade perante as contrariedades impostas por uma arbitragem que, noutro país, seria no mínimo escandalosa. Quantas vezes perdemos pontos em jogos semelhantes por falta de dessa qualidade?

Há ainda outra desconformidade com o estatuto de sério candidato ao título: Doumbia. Tanta falta de jeito só rivaliza com o azar que, persistindo ambos, arrisca-se a passar um ano em Alvalade sem marcar um golo na competição maior. Chegou a ser embaraçoso observar algumas das suas desconjuntadas tentativas de finalização.

Em grande estilo estiveram os guarda-redes. Enquanto Caio na baliza visitante nos prolongava o sofrimento, Rui Patrício assegurava-nos a manutenção da esperança até William conseguir fazer funcionar o marcador. Não fosse ele e os prejuízos causados pelo VAR poderiam ser bem maiores, pois na sequência do lance que marcou a partida realizou uma importante defesa. Quem sabe que história(s) se estariam agora a contar deste encontro e que consequências para o Sporting?

Não como explicar a actuação do VAR. Com este critério arriscamo-nos a vermos anular um golo conseguido por um qualquer jogador porque o avô estava fora-de-jogo umas gerações antes, num jogo qualquer. A interpretação do lance por parte de Jorge Jesus foi correcta: o Feirense chegou a estar na posse da bola já depois da pretensa falta que o árbitro sanciona, anulando assim a interpretação feita por quem estava a cuidar da tecnologia. Mesmo a falta assinalada como justificação para a anulação é muito duvidosa. Já difícil de compreender é que não tenha havido idêntica perseverança a convencer o árbitro a analisar o lance de penalty na área feirense. Enfim, e novidades?

Notas para o regresso dos golos de Montero em Alvalade, para as estreias de Lumor - que ainda precisa de perceber melhor o que precisa para ser lateral numa equipa como o Sporting mas tem boa presença -  e para a irreverência e verticalidade de Rafael Leão.


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

FC Porto 1 - Sporting 0: badamerda para o Sporting italiano!

Sofrer um golo com o avançado adversário a marcar entre dois dos nossos laterais-direitos é a legenda perfeita para a estranheza causada pelas opções de Jesus. Tão estranha, tão estranha que a principal confundida foi a nossa equipa. De tal forma assim foi que esta só conseguiu dizer verdadeiramente presente quando voltou a um formato a que está mais habituada.

Por muito que me custe começa a ser já altura de admitir que algo não está bem. Embora tenhamos conquistado pelo meio o primeiro titulo da época não podemos escamotear que no ciclo dos últimos seis jogos contabilizamos uma única vitória apenas e com dificuldade. Com ou sem Bas Dost. 

Um momento estranho em que a equipa parece ter perdido confiança e identidade. A ideia que Jorge Jesus pretendeu passar de falta de frescura física parece pode muito bem ser aceite. Mas fica a impressão de que, independentemente do resultado, perdemos a superioridade, o fulgor e classe com que esta equipa se apresentou no Dragão desde que Jorge Jesus chegou a Alvalade. Isto é ainda mais estranho quando este plantel é frequentemente apontado como o melhor de sempre. Onde está esse Sporting? Para acentuar essa ideia de regressão até me pareceu ver em campo um qualquer Guimaro de apito na boca...

Talvez isso nos leve a reflectir e acabar a concluir que não devemos acreditar em tudo o que nos dizem. Por exemplo, que o plantel do FCPorto, coitadinho do Sérgio Conceição, é escasso. Pois é. Mas com jogadores lesionados tinha no relvado Marega e Soares, mais Paciência no banco, onde podia estar também Wariz. Uma verdadeira não escassez e mais ainda se compararmos com o que Jesus teve à disposição: Doumbia e Montero, este ainda em pré-época disfarçada. Mas isso é tudo menos culpa do adversário, que fez o que lhe competia. Já nós...

É uma mera opinião pessoal - por isso isto é um blogue de carácter pessoal - mas sempre pensei assim e já sou demasiado burro velho para aprender línguas ou sequer mudar. Prefiro uma equipa personalizada, sem medo, que dá tudo e vai à luta pelo melhor resultado, que para nós é sempre a vitória. A alternativa a isso, isto é, uma equipa calculista, tem de ser a vitória ou um resultado que interesse para o desfecho final favorável de uma eliminatória. 

Como é bom de ver, nada está perdido. Mas não será a jogar como ontem que viraremos o resultado. Até porque o FCP está por cima e confortável. A sorte é que ainda falta tempo e esperamos que esse corra a nosso favor.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Derradeiras notas sobre a AG e o monólogo dos 3 olhos


O que é realmente importante é perceber porque chegamos aqui

Muito se escreveu sobre o que se passou na passada AG e após esta e a conferência de imprensa que Bruno de Carvalho deu na sua sequência. E todo esse ruído depressa sepultou o porquê de o Sporting se encontrar mergulhado em nova crise. Para que fique bem claro:

Não foi a oposição que não existe, embora seja muito conveniente acenar com o fantasma PMR, como tem sido o de Godinho Lopes, numa permanente comparação com o pior. A razão deste momento deve-se em primeiro lugar à sobranceria de quem achou que as alterações propostas, nomeadamente ao regulamento disciplinar, eram favas contadas. E depois, perante as circunstâncias, não percebeu que insistir nelas custasse o que custasse era um mau serviço prestado ao clube. No fundo, no fundo, o mesmo de sempre: apontam-se aos moinhos de vento mas o verdadeiro, mais forte e talvez único opositor de Bruno de Carvalho tem sido... Bruno de Carvalho.


Mas o que é do maior espanto e revolta é inoportunidade. Esta é uma crise promovida do topo, quando nada a fazia prever, para o interior  do clube pela total ausência do mais elementar bom senso e por maioria de razões:

A mais importante delas é anular o tónico do primeiro titulo, e acontecer num momento difícil da época, após o inicio dum ciclo decisivo e, não podemos ignorar, quando a equipa revela dificuldades que o resultado do Estoril é apenas uma confirmação.

Não menos importante é o tirar o foco que incidia e expunha o cada vez mais evidente complot do rival do outro lado da estrada. Para quê  queixarmo-nos da falta de rigor e atenção dos média, se lhes fornecemos o álibi perfeito em forma de primeiras páginas com este episódio lamentável?

Não menos lamentável é constatar e até estranhar o porquê desta urgência, ao ponto de colocar em causa a continuidade de um mandato que vai ainda no seu inicio e cujo resultado se aproximou da unanimidade dos votos expressos. E o respeito por essa vontade, onde está?

Em que é que a aprovação ou falta dela é instrumento imprescindível para a normal gestão do clube ou cumprimento de promessas eleitorais ou "programa de governo"? Afinal há muito que existe um regulamento disciplinar que nem tem sido muito usado.
Quanto às queixas relativamente às dificuldades que o cargo impõe, que ninguém duvide que são reais. É importante porém lembrar que se trata de uma opção voluntária e, segundo o próprio, cumprimento de um sonho que até está a decorrer num ambiente muito mais favorável que qualquer dos seus vários antecessores recentes. Se estes tivessem seguido o exemplo do que agora pretende fazer o Sporting talvez contasse com tantos associados, incluindo ele.
Quanto às queixas do ambiente na AG, por muito que fossem lhe fossem adversas não passou de uma história para embalar meninos se comparadas com várias outras. Algumas antes da sua aparição (p. ex., as da discussão de venda do património) e outras em que participou pessoalmente.
Não deixa de ser curiosa e digna de ser assinalada a enorme contradição entre o Bruno de Carvalho que prefere os monólogos às explicações em ambientes de igualdade ou desfavoráveis, ou o refúgio do FB, insulta a inteligência dos sócios ("manual para burros", "lacraus") com discursos paternalistas, que chantageia descaradamente o seu direito à livre escolha, promove a sua divisão ("sportingados") e listas de excomungados (alguns deles com feitos e anos de trabalho pro bono para lhe ganhar de goleada), que desrespeita os homólogos, promove ou ignora o uso do discurso insultuoso por funcionários do clube (Carlos Dolbeth, Nuno Saraiva são apenas dois exemplos) é o mesmo que se queixa de ser insultado, de não ter direito à privacidade.

Pode até não ser, mas fica difícil de demonstrar que Bruno de Carvalho não pretende mais do que a unanimidade e, chocando de frente com a realidade que lhe demonstra essa impossibilidade, resolve fazer birrinha, seguida de chantagem. E que esta alteração do regulamento disciplinar mais não visa que a domesticação das opiniões e a expurgação de todos os que ousem contestar a sua vontade.

A publicação no seu mural de FB da troca de mensagens com Nuno Mourão como bom exemplo de divergência é, ao contrário do que pretende, uma espécie de confirmação: até os sportingados (Nuno Mourão estava na famosa lista, o que é uma profunda injustiça para com um apoiante da primeira hora) podem ser bons desde que acabem a confessar que continuarão a contar com o seu voto. Até aqui não foi muito feliz.

Pode sentir-se injustiçado pelo que entende serem as dificuldades encontradas e a obra até agora realizada, mas creio que, na sua maioria os Sportinguistas, que gostam dele e/ou do que fez, gostam acima de tudo do clube. O seu monólogo dos três olhos demonstra que não percebe isso e é mau caminho afrontá-los. Demonstra o desconhecimento da identidade associativa basilar do clube (mais de um século de histórias...) o que num presidente é muito mau. Demonstra também a total subjugação da generalidade dos órgãos sociais a um homem só. O presidente da AG, duramente criticado dias antes, enxovalhado até por sectores que sabemos próximos do presidente (leia-se câmaras de ressonância) ali estava mudo e quedo. O presidente do CFD idem aspas, ele que nem se pronunciou sobre as alterações propostas ao regulamento disciplinar.

Pode até correr bem, a dramatização de falta de alternativas ajudará, mas é minha impressão que Bruno de Carvalho, com este episódio, queimou muita da sua credibilidade como líder do Sporting. Com isso também o seu período de validade alienando simultaneamente alguns dos  que mais lhe podiam ser úteis: os que lhe toleravam o estilo. O seu gosto pela guerra e sobressalto permanentes deixa de ser bem acolhido quando se vira para o interior do clube. Por exemplo: que sentido faz a guerra com os Supporting?

Alguém que goste tanto do Sporting como apregoa - mais do que de si mesmo - em vez de ter saído a terreiro em frente às câmaras de televisão anunciar o "ou eu o caos" (terá aprendido com a dinastia Ricciardi?...) teria aceite - e sobretudo percebido que nada disto é assim tão importante que não pudesse ser discutido no final de época. E, uma vez que a AG não foi sequer ainda convocada, um derradeiro rebate de consciência e humildade, o melhor desfecho ainda é possível. Bem sei que não vai acontecer. Mas deveria acontecer, não em favor do Bruno, não contra o Zé, ou outros quaisquer, mas em favor do Sporting.

Por mim aceitarei, como sempre, aliás, qualquer que seja a decisão da maioria dos meus consócios. Ser-me-á difícil de aceitar qualquer das decisões que resultem da próxima AG: ver a maioria dos sócios de joelhos, perante o capricho e a chantagem, transformado o leão num animal de circo, com medo que lhe falte o dono. Ver o clube lançado num vazio, com reformas ainda por consolidar lançando demasiadas interrogações no imediato. Uma certeza porém, já vivemos ambas e sobrevivemos. Também temos no nosso cemitério muitos insubstituíveis.

Preferia obviamente acordar amanhã com o sabor de um bom resultado no dragão e lembrar-me de tudo isto como um dos muitos pesadelos que recentemente tenho vivido acordado. É que já me imaginava em grandes dificuldades em explicar aos meus netos - ao meu filho basta aquele olhar "lá vamos nós outra vez..." - algumas das singularidades da história do Sporting, mas como é que lhes explicarei que o presidente eleito com o maior número de votos, na maior eleição de sempre se decidiu, sem grande motivo aparente colocar a baloiçar com os pés à beira do precipício?

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Sporting decapitado

Não podia ser pior o fim-de-semana. Primeiro uma AG desnecessariamente fracturante em que o presidente faz birra e perde a cabeça. Custa a perceber como é que a prioridade que deveria ir para a concentração total na conquista do campeonato foi parar à aprovação do endurecimento de medidas punitivas de um regulamento disciplinar, a fazer lembrar mais os regimes musculados que um clube.

No Estoril uma equipa sem cabeça a deixar sinais bem claros que a janela de oportunidade que acabou de se fechar para se reforçar é bem capaz de não ter sido aproveitada como devia. As lesões não podem justificar uma derrota embaraçosa, ante uma equipa cujo orçamento não daria para custear um ano de vencimento de alguns dos nossos jogadores.

Sem cabeça, mas felizmente com boas pernas. As vitórias das equipas de atletismo nos Europeus de corta mato, a fazer lembrar os tempos de Carlos Lopes e Mamede, foram um intervalo saboroso entre dois momentos de enorme infelicidade.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

O SPORTING É NOSSO? Alteração de estatutos: porquê assim e agora?

O Sporting é de facto muito importante para nós, ao ponto de nos absorver grande parte do tempo disponível para outras actividades, como por exemplo o descanso puro e simples ou envolvimento, participação ou simples consumo das diversas actividades culturais ou lúdicas. Assim de repente, e sem nada que fizesse supor ou até justificar, o CD resolve promover uma profunda revisão estatutária. Lá se foi o descanso.

Para consubstanciar esta minha afirmação cito o meu caso pessoal: assoberbado com muitos problemas de ordem particular, que me condicionam o normal desenrolar da vida quotidiana, tencionava destinar parte do meu tempo seguindo na tranquilidade do meu sofá a série policial que ocupa hoje a generalidade dos ecrãs portugueses: a Operação Lex, sequela (ou prequela?) da temporada "Os e-mails" e outras que se adivinham. 

Eis então que surgem as já tão faladas alterações estatutárias. Sem muito tempo disponível, socorri-me do favor de alguém que conhece muito bem os estatutos do clube, o Dr. Rui Morgado, Vice-Presidente da MAG da SAD e ex Vice-Presidente da MAG do Sporting e  com cuja opinião aqui expressa concordo. 

É muito provável que a partir daqui se façam processos de intenção, juízos de valor e até a promoção das habituais tentativas de destruição do nome e do carácter de ambos. Da minha parte não existe outra vontade que não a preservação da identidade do clube que amo incondicionalmente e que me fez preferi-lo acima de qualquer outro, de forma voluntária, e sem influências de familiares ou amigos. Seguramente que essa é também a intenção que norteia o Rui Morgado.

Para mim, como adepto anónimo, é incompreensível que alterações de estatutos sejam colocadas como se um mero remendo se tratasse, à pressa e sem tempo sequer de uma discussão aprofundada. Como se a alteração da nossa Constituição fosse um mero ponto e vírgula. Pior ainda, que estas alterações sejam em muitos pontos atentatórias da liberdade de expressão e da pluralidade, marca de um clube centenário, equiparando-o nos métodos a uma qualquer republica das bananas.

"O SPORTING É NOSSO?

No próximo dia 3 de fevereiro irá realizar-se uma assembleia geral extraordinária do Sporting Clube de Portugal, cuja ordem de trabalhos, entre outros, contempla uma ampla revisão dos estatutos e a aprovação de um regulamento disciplinar.

Não me debruçarei sobre a manifesta ilegalidade da convocatória pela não disponibilização atempada das propostas, estando, inclusive as mesmas a serem disponibilizadas a conta gotas.

As regras são claras, e deviam ser, tal como os prazos, para cumprir (em 2013 uma lista candidata ao Conselho Leonina foi recusada por um atraso de 45 minutos…), por todos, e em especial por quem tem por principal incumbência zelar pelo seu cumprimento integral, como é o caso da Mesa da Assembleia Geral (MAG) do clube, para não referir os restantes órgãos sociais, que bem apregoam o “rigor” e a “transparência”, ao melhor estilo de Frei Tomás.

Não se percebe sequer a pressa de aprovar estas medidas, neste momento, uma vez que é uma AG extraordinária, que pode ser convocada a qualquer momento, e porque, segundo o comunicado de dia 1 de fevereiro publicado no site do clube, as medidas serão para aplicar apenas a partir do próximo acto eleitoral.

Em 2011 fazia parte da MAG, eleito por uma lista da candidatura do actual presidente do clube, e para efeitos de uma profunda alteração de estatutos constitui-se um grupo de trabalho com a MAG e representantes do Conselho Leonino (CL). Foram meses de trabalho a apurar uma versão dos estatutos a levar ao CL, alvo de debate público e sessões de esclarecimento aos sócios, antes de se apresentar a mesma a uma longa AG, onde foi alvo de diversas propostas e alterações.

 Foi um processo rigoroso, transparente, e participado pelos sócios, tendo sido aprovadas, por larga maioria e sem contestação, a maior parte das propostas.

O procedimento foi o mesmo seguido com a proposta de Regulamento da Mesa da Assembleia Geral, um ano depois.

Estes processos a que assistimos são a antítese do descrito. O que irá, por certo, originar mais alterações, como a que hoje já surgiu, a corrigir uma espantosa norma proposta que considerava infracção disciplinar “Criar ou fomentar a criação de grupos, dentro ou fora do clube, que por qualquer modo possam perturbar o trabalho dos órgãos sociais”…  Se tal norma vigorasse em 2012, André Patrão e Miguel Paim teriam sido expulsos de sócios…

Curiosamente, fez esta semana 5 anos que a MAG a que pertenci foi atacada com arremesso de ovos e garrafas, insultada e alvo de ameaças, por energúmenos cobardes, nas instalações do clube, no decorrer de uma conferência de imprensa/sessão de esclarecimento em que o que estava em jogo era, precisamente, defender o rigoroso cumprimento dos estatutos e assim garantir a voz aos sócios do Sporting Clube de Portugal, em especial ao grupo então criado pelos citados Patrão e Paim.

Também não abordarei o regulamento disciplinar, pela sua extensão e por só hoje ter sido publicado, apenas direi que um regulamento disciplinar fará sentido numa instituição militar, num partido político de uma qualquer ditadura sul-americana, não num clube que “tem como fins a educação física, o fomento e a prática do desporto, tanto na vertente da recreação como na de rendimento, as actividades culturais e quanto, nesse âmbito, possa concorrer para o engrandecimento do desporto e do País.”.

Nesta matéria o mero cumprimento do princípio do contraditório será sempre bastante para qualquer eventual processo disciplinar no âmbito do Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD).

CFD esse que se pretende volte a ser eleito por lista fechada e não pelo método de Hondt, método esse que permitiu a eleição do actual presidente, nas eleições de 2013, então como vice-presidente, a par de membros da lista a Associação de Adeptos, sem que daí viesse algum mal ao clube, pelo contrário. O método de Hondt devia ser a regra também para a MAG.

Será pelo argumento da solidariedade institucional? Se esse (falso) argumento da solidariedade (que descamba sempre para a unicidade) tivesse vingado em 2012/2013, a mesma MAG a que pertenci teria sido solidária com a direcção presidida por Godinho Lopes em vez de ter optado por ser solidária com a instituição e os seus associados, valores e estatutos…

Por ser impossível comentar todas as ilegalidades/inconstitucionalidades de mais algumas das propostas de alteração de estatutos, cujos princípios básicos são o reforço do poder presidencial e um regime musculado de deveres dos seus associados com um pesado regime sancionatório a reprimir liberdades de expressão, opinião e associação, apenas me deterei em mais uma que não posso deixar passar em claro, tal a aberração que é a proposta de n.º 10 do artigo 38.º: “Um sócio que, no decurso de uma acção disciplinar, deixe por sua vontade de ser sócio, não mais poderá voltar a ser sócio do SCP.”.

Esta norma, além de violar de forma flagrante vários princípios da Constituição da República Portuguesa (não há juristas nos órgãos sociais?), maltrata, e de que maneira, a Assembleia Geral (AG) do clube, o seu órgão máximo, pois se um sócio expulso pode ser readmitido por deliberação da AG, não se vislumbra como é que um sócio que saia, com uma mera acusação, que nem sequer será provada, possa vir a ser impedido de regressar à sua condição de associado, de forma perpétua, nem mesmo se vier a ser autorizado por essa mesma AG.

O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL “é uma unidade indivisível constituída pela totalidade dos seus associados”, nas palavras de Maggy Rocha, na inauguração do pavilhão João Rocha, “o Sporting Clube de Portugal é dos seus associados!”.

Não se vislumbra como se possa cumprir o desígnio de “ser tão grande como os maiores da europa”, quando é notório um maior esforço para expulsar sócios, em vez de se assistir ao inverso.

O Sporting é nosso? De todos?

A palavra aos sócios, enquanto é tempo…

Rui Morgado

Advogado, ex-secretário da MAG do SCP, ex-vice-presidente da MAG da SCP-SAD


Sporting 1 - Vitória SC 0: que bom voltar ao lugar onde somos felizes

Ainda que provisoriamente e à condição é sempre melhor estar em primeiro lugar do que em qualquer outro quando o destino que procuras é ser campeão. Tendo os rivais jogado antecipadamente e escorregado de forma surpreendente a obrigação de ganhar não podia ficar por cumprir. É bom regressar ao lugar onde somos felizes!

Há no entanto que reconhecer as muitas dificuldades reveladas para conseguir um golo. E tal explica-se, por maioria de razões, da seguinte forma:

- O desperdício de mais uma primeira parte. Sabia-se que, não conseguindo marcar cedo, o adversário cresceria em confiança e em dificuldades.

- Muita dificuldade em ligar de forma consequente as jogadas de ataque, especialmente pela inconsequência das acções de Rúben Ribeiro nas deambulações pelas alas

- A deslocação de Bruno Fernandes para a direita, associada à posição muito recuada e acções pouco precisas de William Carvalho, retiraram precisão e acutilância a partir do centro do terreno.

- As transições típicas das equipas de Pedro Martins não permitiam descuidos nem grandes avanços aos laterais, quase sempre bem cobertos pelos vimaranenses. Sem deslumbrar, Raphinha foi demonstrando porque é dos jogadores mais apetecíveis da Liga NOS.

Quando se esperava uma reacção forte na entrada para a segunda parte um tremendo golpe surge com a lesão de Bas Dost. Nesse momento certamente que muitas foram as almas que descreram da salvação e os maus agoiros de experiências de vida anteriores certamente que ganharam a forma em muitos adeptos. 

Mas a solução estava no insuspeito pé esquerdo de Mathieu que desbloquearia aquilo que já parecia uma equipa atascada em mais um jornada invernosa para as nossas ambições. Mon dieu, Mathieu... Já antes do golo há que reconhecer que se Doumbia não tem eficácia de Dost, perdendo-se quase todo o jogo aéreo, o marfinense dá ao jogo a mobilidade que Dost não consegue. E que o adiantamento de William para a organização do jogo deu a acutilância que não estávamos a conseguir ter.

Há várias lições a retirar do jogo de ontem. Como por exemplo:

- A carência de jogadores capazes de executar de forma rápida é uma realidade e não mero capricho dos adeptos. Sem isso o nosso jogo é demasiado previsível e, por consequência, fácil de anular.

- Quaisquer que sejam as contrariedades, e mesmo que tenham a importância como a que representou a saída de Bas Dost - e até futura ausência... - é importante não baixar os braços e acreditar sempre. O Sporting, mesmo considerando que parece ter jogadores de perfil demasiado semelhante para as mesmas posições, tem um plantel de grande qualidade. Pelo menos a suficiente para vencer equipas como a do adversário de ontem.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Taça da Liga CTT: Quanto vale e como fica o Sporting CP após a conquista

Para se perceber melhor a importância que ganhar tem para um clube com as responsabilidades como o Sporting era preciso ter visto a alegria estampada no rosto dos adeptos à saída do estádio, após a final. E desses destacavam-se os mais novos, para quem pouco interessava se a vitória foi na Taça da Liga, ante o Vitória, ou se conseguida apenas após o desempate de grandes penalidades.

O Sporting ganhou, o que, por oposição a "perder" ou "voltamos a não conseguir" é seguramente muito melhor. Por isso a ideia de que há competições menores ou dispensáveis é claramente um erro de avaliação. São todas para ganhar aquelas em que o Sporting participa, ponto! porque é assim que se constrói uma cultura de campeão.

Se é assim para os adeptos o que representa em termos estratégicos para o resto das competições esta vitória, especialmente para a mais desejada de todas, a conquista da Liga NOS? Que equipa sai desta competição, que sequelas e que apronto revela para esses compromissos? 

Do ponto de vista da moral ela não poderia sair mais reforçada. Superar o líder da Liga foi importante mas não foi menos contrariar o golo madrugador e a entrega total do Vitória. As dificuldades superadas nestes dois jogos da "final four", o "suspense" e o dramatismo vividos são um importante reforço para o espírito de grupo, uma espécie de vacina para as dificuldades que se avizinham. 

Uma das principais questões que ressaltam deste quadrangular de inverno é o apronto físico da equipa. A intensidade da meia-final disputada com o FC Porto deixou marcas que ainda se vão sentir nos próximos compromissos, sendo mais óbvio o que diz respeito à perda de Gelson. Aparentemente, não existe no plantel outro jogador com perfil que se assemelhe, especialmente no que diz respeito à capacidade de causar desequilíbrios em velocidade e dar profundidade à equipa. Isso foi particularmente evidente na final com o Setúbal. Uma lacuna cujo preenchimento merece o sacrifício no pouco que resta do mercado. 

Aqui a pergunta torna-se inevitável: então foi preciso Gélson baixar à enfermaria para se perceber que não tem alternativa no plantel? É que não demais lembrar que, para lá de todos os jogadores contratados no verão, nesta janela de inverno já chegaram Wendel, Misic, Montero, Rúben Ribeiro e até Bryan Ruiz foi reintegrado e nenhum deles é propriamente "parecido"...

Jorge Jesus tentou contornar a ausência da velocidade de Gélson pela posse e controlo de bola que Bruno Ribeiro, Bryan Ruiz e Bruno Fernandes podem oferecer, mas ficou claro que há ainda muito a melhorar na integração dos dois primeiros nos movimentos da equipa. É notória a falta de agressividade e intensidade de ambos no momento defensivo, deixando por isso muito "lixo" para os laterais se preocuparem em varrer. Dessa forma, estando preocupados a fechar atrás, diminui-os para as tarefas atacantes e não menos os restantes elementos do meio-campo. 

Disso se ressentem especialmente William e Bruno Fernandes e a sua capacidade de participar nos momentos ofensivos da equipa. Do ponto de vista ofensivo o panorama não é muito melhor, a pouca acutilância que Rúben Ribeiro e Bryan Ruiz emprestaram à equipa resultaram na incapacidade desta ligar o seu jogo até ao último terço. E sem isso, isto é, sem  conseguir chegar com qualidade com bola os últimos trinta metros, ter ou não ter Bas Dost é mais ou menos irrelevante. E não parece que Jesus olhe para Doumbia ou até Podence como soluções.

Convém que não haja muitas ilusões: uma coisa é jogar competições a eliminar, onde os prolongamentos e desempates por penalidades oferecem soluções para a falta de eficácia e menor inspiração momentâneas. Outra bem diferente é jogar numa competição onde a exigência de regularidade na conquista de pontos é determinante para chegar a campeão. E para tal parece bem claro que há três questões cruciais e cuja solução serão determinantes para a sorte no campeonato: 

- A constituição de um meio-campo que dê tanto a agressividade como a organização que pareceram faltar em alguns momentos dos jogos da Taça da Liga. 

- Conseguirá Jesus superar a ausência da velocidade de Gélson nas alas com a criatividade e desequilíbrios com movimentos pelo interior com os jogadores disponíveis?

- Será Montero o oficial de ligação a Bas Dost e dar a profundidade que tem faltado?

As perguntas são ainda mais pertinentes quando se constata que com ou sem Gélson o facto é que o Sporting não conseguiu vencer os últimos três jogos e dois deles foram contra o Vitória de Setúbal, uma das equipas mais frágeis do campeonato, até agora.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Taça da Liga: agora dêem sentido a esta vitória

Ao superar o FC Porto na meia-final o Sporting deu um grande passo para conquistar uma competição que lhe foge desde o seu primeiro ano e cujo troféu ainda falta no seu museu. Julgo que, e afirmo sem confirmação, é precisamente o único das competições nacionais que nos falta na colecção.

Esta vitória, com todo o suspense e dose de dramatismo, é também um importante compromisso contraído com os adeptos, uma vez que o que foi ontem alcançado precisa de ser complementado com a conquista do troféu, no sábado. De outra forma o esforço e empenho para chegar à final não passará de um nota de rodapé na história desta época.

A felicidade do momento não pode também ser desperdiçada, pensando em facilidades no jogo da final, como a história no ensina. E as incidências da partida merecem ser bem analisadas- algo que tentaremos fazer aqui proximamente - porque o nosso jogo esteve longe de ser uma prestação irrepreensível. Mas esta é a hora de respirar fundo, gozar o momento e prepararmo-nos para ganhar a final.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Agora o Sporting ou Liga ou desliga

Como bem se sabe os terramotos não se fazem anunciar, acontecem de forma inesperada. O que aconteceu ao Sporting em Setúbal foi algo semelhante a um abalo telúrico, cujas consequências estão ainda por apurar. De forma inesperada o empate  em Setúbal - ou devo dizer a derrota? - abanou muitas convicções e lançou muitas interrogações cujas respostas vão começar por ser conhecidas já no compromisso com o F.C. Porto, em Braga, nas meias-finais da Taça da Liga.

A tão mal-amada competição não podia pedir melhor, todas as atenções estarão agora para si viradas. Assim, de repente, de jogar na competição enjeitada de forma diletante e apresentado-se com equipa para rodar as reservas, o Sporting não tem outro remédio senão olhar para ela como um objecto de desejo. Ganhá-la significaria que ultrapassaria a equipa que comanda com todo o mérito o campeonato, marcaria um regresso à conquista de troféus, algo que sob o comando de Jesus parece ser já demasiado longínquo e diminuto, se comparado com os meios colocados à sua disposição. 

Mas acima de tudo, talvez o mais importante, a conquista da Taça da Liga significaria as pazes com os adeptos, o regresso do optimismo e o aplacar dos  piores fantasmas sobre a prontidão leonina de voltar a conquistar o tão desejado campeonato. E dentro desses fantasmas o  pior é precisamente aquele que pode vir de dentro: é que a dúvida que o resultado de Setúbal lançou no seio dos adeptos e talvez até na própria equipa só tem antídoto com vitórias.

Sendo muito desejada, a vitória nesta meia-final só pode ser obtida com uma exibição segura e madura, ao nível dos melhores jogos ao alcance do actual plantel sob o comando de Jorge Jesus. A equipa de Sérgio Conceição não está apenas moralizada pela boa campanha que tem levado a cabo. Esta equipa fez as pazes com os adeptos por se apresentar aquilo que eles sentem ser o "jogar à Porto". 

Dar tudo, jogar com muita vontade, a tal "atitude", é aqui sinónimo de elevado nível de concentração do primeiro ao último minuto de jogo. Mas significa também uma boa organização defensiva que começa logo a produzir bons resultados pela forte pressão que os homens de Sérgio Conceição exercem em qualquer lugar, por via da boa disposição colectiva em campo, a partir do momento em que perdem a bola.

Uma vez retomada a posse, a equipa azul e branca tem sempre na manga uma paleta de jogadas, normalmente iniciadas em transições muito rápidas, sem fosquinhas, com a ideia de golo como objectivo primordial. Como se não bastasse, tem ainda ao seu dispor uma panóplia de recursos nas bolas paradas que em muitos encontros lhes tem valido como desbloqueador de resultados. E, como é bom não esquecer, tem muita força em Aboubakar e Marega para juntar aos atributos técnicos de Brahimi.

Só um Sporting personalizado e confiante na sua qualidade - que não é pouca! - logrará um bom resultado. Concentração máxima até ao apito final, sem inseguranças ou vacilações. Por exemplo, as mesmas que teve na primeira parte contra o Aves, que não terão outro resultado senão um rápido e inapelável sentenciar do resultado por parte dos aríetes africanos vestidos de azul e branco. O mesmo se poderá dizer das bolas paradas, com as movimentações de Danilo, Filipe e Marcano a exigirem atenção acrescida.

Na frente, em ataque organizado, ou em transições, exigir-se-á uma assertividade muito maior e que tem estado ausente, como por exemplo em Setúbal. Tal tem tem determinado o desperdício de grande parte do volume de jogo leonino, especialmente na definição das jogadas.  Muita dessa imprecisão tem vindo de Acuña e Gélson, cuja  forma já conheceu melhores dias.

Exigir-se-á também muito mais a Bruno Fernandes do que aquele desaparecimento no combate do clássico da primeira volta em Alvalade. Para isso será determinante o que o Sporting conseguir fazer no eixo central, onde o número 8 leonino não pode ficar afogado, como esteve nesse jogo,  entre os médios portistas e excessivas preocupações defensivas. É por isso que não deverá ser de estranhar que Rúben Ribeiro estagie no banco no inicio e Battaglia regresse ao onze para dar nervo e músculo àquela zona.

Não ignorando que tem um adversário forte e confiante pela frente, deverá ser porém contra si mesmo uma parte importante da tarefa a superar pelos jogadores de Jesus. Uma luta contra os momentos de desconcentração, mesmo que breves, bem como a falta de rigor e facilitismo no último terço do terreno, onde se exige acuidade, precisão e instinto letal de predador ante a presa.

Isto para não ter que prolongar os efeitos agónicos do terramoto de Setúbal e para que a respectiva memória não seja mais do que o embaraço de ter saído do meio do pó e dos escombros, mas ileso e de ambições intactas. A repetição de um novo desaire, ainda por cima com o grande rival nortenho, poderia significar que o abalo sentido em Setúbal era apenas um prenúncio de abanão maior e mais profundo.

Nota: artigo publicado ao abrigo da parceria com o portal FairPlay

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Recado para o balneário: ponham os olhos no Benfica.

Sim, leu bem o que escrevi com destino aos nossos jogadores, treinadores e dirigentes: ponham os olhos no que fez o Benfica. Sei que custa ler, especialmente porque é o nosso arqui-rival, mas a verdade é que souberam gerir bem o seu pior momento da época, após ficarem apenas "ligados à corrente" via campeonato nacional.

No jogo decisivo, no passado dérby, os jogadores encarnados jogaram de dentes cerrados e de faca na liga. Deram tudo o que tinham e acabaram por salvar o que havia para salvar, que era manterem-se na luta, evitando uma derrota comprometedora e de elevado potencial devastador para a moral colectiva. É isso que se pede sempre e mais ainda agora aos nossos jogadores: que respondam em campo!

O seu treinador percebeu que tinha que proceder a alterações e assim fez. Por vezes é preciso o contrário, é preciso a coragem de acreditar nos seus processos. A diferença entre actuar de uma forma ou outra cabe ao treinador percepcionar e gerir. É isso que JJ tem agora de fazer.

E os dirigentes também podem aprender. O SLB vive uma das maiores crises de sempre, por via do que se vai sabendo através da divulgação dos emails e não menos por uma época que quase acabava antes do Natal. Remeteram-se ao silêncio. 

Ao invés do barulho constante, das atoardas, dos posts ridículos e da falta de respeito pelos adeptos que dão tudo pelo clube, que tal tentarmos também um pouco de silêncio, de concentração e união de esforços, desde logo para a tão importante meia-final que se avizinha?

Também temos bons exemplos em casa. Veja-se por exemplo o percurso do ano transacto do andebol, várias vezes dados como mortos, mas acabaram por nos dar uma das mais importantes vitórias e uma das maiores alegrias dos últimos anos.

Dar o exemplo do rival é tudo menos agradável mas, perante o ruído permanente, à falta de melhores exemplos e discernimento  talvez não custe tentar...

sábado, 20 de janeiro de 2018

Vitória 1 - Sporting 1: Ai Jesus, que falta de estofo!

Ter ou não ter estofo para ser campeão é uma frase que acabou por ficar no jargão futebolístico, cuja autoria é de Pedroto e remonta aos finais dos anos 70 do século passado. Como poucos, o antigo treinador portista usava o que hoje se chama de "mind games" em seu favor, acentuando as dúvidas e hesitações dos adversários. Neste caso concreto decorria a época 77/78 e o SLB acabava de empatar 1-1 na Póvoa de Varzim. Pedroto assistiu pessoalmente ao tropeção do adversário, não deixando perder a oportunidade para sair por cima.

Ora o que o Sporting fez no estádio do Bonfim foi um filme, ao vivo e cores, com um guião perfeito do que é não ter estofo para ser campeão:

- Perde a liderança à condição sem que o adversário tenha sequer necessidade de ter número igual de jogos.(!).

- Não consegue levar de vencida um adversário que tem sido dos mais frágeis de competição.

- Permite que a distância para o adversário que precede aumentando assim a pressão sobre si mesmo.

- Produz uma exibição atabalhoada, pouco esclarecida, denotando claro incómodo perante a pressão de ganhar.

- Sofre um golo já no final da partida, num lance normal para uma equipa inexperiente, mas inadmissível para um candidato ao título com uma equipa recheada de jogadores experientes. Como é possível sofrer um golo em contra-ataque com o jogo já no final e ainda por cima negligenciar a linha que colocaria Edinho fora-de-jogo?

O Sporting queima assim um cartucho que para já - muita coisa pode mudar ainda, mas... - nos obriga a vencer o FCP em sua própria casa. Culpas para os jogadores obviamente, por serem eles os actores directos de tanto erro e desperdício e pela falta de serenidade.

Responsabilidade para o treinador Jorge Jesus, que pouco podendo fazer para evitar tantas falhas em campo, podia e deveria ter agido de forma mais proactiva e esclarecida, no sentido de deixar a sua equipa mais confortável em circunstâncias muito favoráveis. Algo que se volta a repetir, depois do que já havíamos visto anteriormente, como por exemplo no dérby.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

À volta da primeira volta do Sporting

As primeiras impressões
As primeiras 5 jornadas da Liga corresponderam a outras tantas vitórias, carimbando logo aí a seriedade da candidatura do Sporting ao título. Algumas das dúvidas relativamente à qualidade de alguns dos novos jogadores foram também por aí perdendo força. Apenas Coentrão confirmou a debilidade física que o fez sair de Madrid à procura da reafirmação e de um lugar no avião da selecção nacional para a Rússia, lá mais para o Verão. Piccini entraria ainda com hesitações que se tem encarregado de superar com distinção. Mathieu foi desfazendo os piores temores, sendo, de todo o quarteto defensivo, aquele que se revelaria a melhor surpresa, pela qualidade e equilíbrio das suas acções.

Mas a grande surpresa teria sotaque italiano pelo clube de origem, mas expressa-se em bom português: Bruno Fernandes. Uma das melhores aquisições do Sporting dos últimos anos e um dos melhores resgates do futebol nacional. A maior visibilidade proporcionada por jogar num dos grandes nacionais retirou-o da penumbra a que desde muito cedo se havia recolhido em Itália. Pela qualidade de soluções que o seu jogo empresta - ligação entre sectores, equilíbrio, meia distância -  dificilmente poderá ficar excluído das escolhas de Fernando Santos à partida para a concentração em Kratovo, nos arredores de Moscovo. No final desta primeira metade do campeonato é um dos nomes incontornáveis quando se pensa em fazer lotes dos melhores.

Os primeiros tropeções
Estava tudo aparentemente bem encaminhado quando acontece o primeiro tropeção. Não se pode dizer que não estávamos avisados, pelo menos pelo historial de resultados surpreendentemente maus em Moreira de Cónegos. Mais surpreendente ainda que o resultado foi a exibição tristonha. Talvez se possa contabilizar este nulo (1-1) como os primeiros danos colaterais pela participação na Liga dos Campeões. 

Danos Colaterais 
A factura da participação nas competições europeias é paga por quase todas as equipas, mais tarde ou mais cedo, no campeonato. Seja por cansaço, seja pela dificuldade em manter foco e motivação permanentes. Talvez não tenha sido um acaso que o empate se tenha registado nesta viagem por tortuosas estradas ao coração do Minho a anteceder a recepção à multitude de flashes que habitualmente acompanham as estrelas do Barcelona. Isto depois de já ter mostrado ao Steua de Bucareste o sinal vermelho no play-off da Liga dos Campeões e tomado de assalto a base do Olimpiakos, no Pireu. Este jogo confirmaria uma das debilidades na construção do plantel: a ala esquerda da defesa fica exposta a cada ausência de Coentrão. A confiança na prontidão de Jonathan Silva é manifestamente infundada.

Fraqueza com os fortes
Até o inicio de Dezembro, enquanto decorreu o ciclo europeu, o Sporting haveria de perder mais quatro pontos - que poderiam ser seis, uma vez que do jogo em Vila do Conde salvou-se o resultado - todos eles com um ponto em comum que se voltaria a confirmar no derby da Luz: a incapacidade do Sporting em vencer os mais fortes do campeonato. Precisamente o oposto do que representou a chegada de Jorge Jesus a Alvalade, uma alteração que se associa também a uma outra ainda não totalmente confirmada: esta versão 17/18 parece querer abordar os jogos de forma mais conservadora, expectante, cínica até, mas denota dificuldade na sua concretização.

Seis dos oito pontos são perdidos
Seguindo a lógica que para ser campeão se é obrigado a ganhar todos os jogos com os pequenos em casa e fora e todos os jogos em casa e fora chega-se à conclusão que dos oito pontos que não conseguiu amealhar (Moreirense, FC Porto, SC Braga e SL Benfica) seis têm que ser dados como perdidos. Seguindo o mesmo critério ficou em vantagem relativamente ao SL Benfica para os jogos entre si, que podem ser importantes em caso de desempate, se cumprir a obrigação de ganhar o seu jogo em casa na volta do campeonato.

Curiosidades estatísticas
Desde a longínqua época de 1994/95 que o Sporting não dobrava a primeira metade do campeonato invicto. Porém isso à época valeu-lhe de pouco, uma vez que Bobby Robson vingava-se então de um despedimento absurdo de Sousa Cintra e venceria o campeonato.

Há ainda uma outra interessante e desafiadora: nas últimas sete vezes que o actual comandante virou na frente à primeira volta, foi sempre campeão. Porém na oitava vez foi precisamente o Sporting que o impediu de chegar ao titulo numa outra coincidência: tal como então, o Sporting buscava interromper um longo período sem vitórias. 

Outro dado interessante para registo é que nos embates entre os principais candidatos ninguém logrou superiorizar-se na conquista de pontos, já no terreno jogo julgo ser inteiramente justo admitir que, no computo geral, o sinal mais foi dado pelo FC Porto nos jogos disputados entre candidatos.

E é aqui que surge alguma estranheza, que acentua a ideia de um Sporting diferente dos anos anteriores: na comparação entre rivais e contendores ao título o Sporting ostenta os número mais débeis em parâmetros importantes na análise de desempenho. Por exemplo, número de remates concedidos e efectuados, e os valores percentuais da posse de bola (dados GoalPoint).


E se houve algo verdadeiramente surpreendente no último dérby foi a apatia de Jesus no banco perante uma equipa sua tão distante daqueles princípios que tanto o notabilizaram: grande intensidade na pressão, quase sempre exercida em duas linhas, independentemente dela ser exercida alta ou com linhas mais recuadas. Muito critério na saída de bola no inicio de construção, sendo a proximidade entre sectores e as diversas soluções de passe que se oferecem ao portador determinantes para o sucesso da jogada.

Ao contrário, esta primeira volta revelou uma equipa demasiado permissiva com especial evidência no recente dérby. Viu-se um Sporting claramente partido entre sectores, onde um William demasiado encostado à linha defensiva compromete o êxito das saídas para o ataque. Dessa forma a bola ou chega raramente à frente sem bola e esta sem grande qualidade para permitir o êxito quando tal sucede. Mais estranho ainda foi constatar a inação de Jesus perante o desmontar de todos as cautelas e tracção traseira do adversário - Pizzi e Fejsa - sem que tivesse ocorrido uma resposta à altura a partir do banco.

Paradoxo Sporting
Para contrariar esta ideia de sinal negativo a equipa de Jesus vestiu o fato de gala para o encerramento da primeira volta, trucidando o Marítimo com uma mão cheia de golos. Por sinal, uma equipa cuja melhor virtude que lhe era apontada era a capacidade de defender. O Sporting é ainda uma equipa invicta, contrariando a ideia (que os números confirmam como uma das equipas que mais remates dentro da área concede) de equipa permissiva e os seus números de golos marcados (38) e sofridos (11) não estão distantes do que os seus rivais conseguiram: FC Porto 45M/9S e SL Benfica 40M/11S.

Ao contrário do que era a marca das equipas de Jorge Jesus, tem havido muito maior relevo para as acções individuais do que as de cariz colectivo. Aqui sobressaem Patrício, a realizar uma época no auge das suas faculdades, alcançando finalmente tudo aquilo que se lhe augurava. A eficácia de Bas Dost, mas muito dependente da capacidade que a equipa tem de lhe colocar a bola na área, onde é sibilinamente letal. Bruno Fernandes surge como a argamassa que une as diferentes pedras e o trio  Piccini, Coates e Mathieu como muro que tudo sustenta quando à frente tudo falha.

Não menos paradoxal é o comportamento até ao momento no mercado de Janeiro. Apesar da qualidade indiscutível dos jogadores até agora contratados aquelas que seriam as principais prioridades -  defesa esquerdo, número 8 "Adrien style", avançado para jogar com Bas Dost* - continuam por fechar. Ou haverá surpresa com Rúben Ribeiro e afinal Wendel este afinal é que é?

*Quando o artigo foi escrito não se conhecia ainda a vinda de Montero 

As dúvidas
É verdade que as equipas de Jorge Jesus tendem a crescer sob o seu comando e talvez ninguém tenha reparado que no recente jogo com o Marítimo, como na generalidade dos jogos realizados desde Agosto, Jesus tenha jogado com quatro titulares que chegaram este ano Ristowski, André Pinto, Coentrão, Bruno Fernandes. Este número de jogadores sobe para sete considerando os suplentes utilizados (Acuña, Battaglia e Medeiros).

As perguntas que agora se colocam é se este registo agora obtido é suficiente para chegar ao tão desejado campeonato. Confiando na sorte que tem protegido a equipa em alguns jogos e num eventual desaire futuro do actual comandante, claramente que sim. Parece-me no entanto demasiado ligeira este tipo de abordagem, por confiar em excesso em factores que lhe escapam ao controlo.

O ideal seria por isso eliminar as principais fraquezas acima descritas, o que não se afigura difícil para um técnico tão bem preparado e sagaz como Jorge Jesus. Ainda assim atrevia-me a um vaticínio: a equipa não se sente confortável num registo mais calculista. Ou então, além de uma maior reacção à perda, a melhor organização após posse e as transições deveriam ser melhor trabalhadas.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

De Montero a Barcos e de Vietto a... Montero

Foi assim que aqui expressei o que senti com a troca de Montero por Barcos:

Um dia vamos perceber porque fomos buscar Barcos e despachamos Montero. Mas nunca saberemos se o colombiano tivesse ficado poderíamos ter evitado três nulos fatais (Rio Ave em casa, Guimarães fora, SLB casa) e com isso uma sorte diferente no campeonato. O que nunca perceberemos é porque fomos buscar um jogador que estava parado (...)
 Para que não restem dúvidas, considero o Montero um jogador com talento e que pode trazer algo que tem faltado na ligação do nosso futebol no último terço, especialmente com Bas Dost. Já percebemos que podemos chegar até ao holandês pela via aérea, através de cruzamentos, mas que falta ainda a ligação terrestre, através de assistências para o pé, especialmente quando existe excesso de tráfego naquela zona.

Ora Montero parece-me um jogador capaz de conseguir essa ligação, muito mais até do que daria à equipa como 9. E ainda acrescenta meia-distância. Um bom avançado cujo rendimento não deve ficar apenas pelo número de golos marcados.

Há no entanto muitas dúvidas (minhas dúvidas...) para que esta operação venha a ser coroada de êxito no imediato, que é afinal o que se pretende quando se vai ao mercado no inverno. E duas serão cruciais:

1- O estado de prontidão de Montero, que não joga há um par de meses, fará que Jorge Jesus não poderá contar com ele tão cedo. Tomando o exemplo de Barcos, é caso para perguntar porque veio então?

2- É minha impressão que Jorge Jesus nunca foi propriamente um fã do jogador. Sabemos o que isso representou no passado, foi quase sempre o terceiro avançado da lista, atrás de Slimani e Teo e quando podia ter "dado jeito" deixou-o trocar por Barcos. Lembro-me na altura que JJ disse que o jogador é que lhe pediu para sair. Quem sabe exactamente por perceber que não contava muito...

Obviamente não nos podemos esquecer que o JJ queria mesmo era Vietto, que infelizmente optou por outros ares. Mas, ao que parece - e isto parece-me o lado bom da chegada de Montero  - é que o facto de ser declaradamente uma segunda escolha não parece assustar "El Avioncito". Pois então que venha e faça muitos voos rasantes e picados que tanta felicidade nos trouxeram no passado. Aquela da imagem no topo do post é inesquecível.

Números da anterior passagem de Montero por Alvalade (imagem Sporting Adeptos):

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Pedro Rodrigues pela Madeira dentro

Pedro Madeira Rodrigues desistiu da auditoria forense que se havia proposto e não podia ter ficado pior na fotografia. Não por não querer custear as despesas inerentes ao trabalho que seria realizado pelos funcionários do clube - algo que é muito discutível... - mas pela forma como concluiu a sua intervenção:

"Enquanto essa investigação não der frutos a dúvida sobre a honestidade do presidente do Sporting vai manter-se, uma vez que não é possível responder de uma forma rápida e cabal à pergunta 'desviou verbas do nosso clube?'
Ora quem levantou essas dúvidas foi precisamente ele e que as trouxe à praça pública. E, para quem se dispunha a realizar uma auditoria, não revelou nada de consistente até agora, para lá de desconfianças e estranhezas relativamente a alguns procedimentos relativamente a transferências.

Procedimentos esses que são de facto muito discutíveis, como por exemplo a preferência por figuras estranhas como José Fouto. Ou associações do nome do Sporting a protocolos com a Trafic ou a um clube facilitador de transferências como o Clube Deportivo Maldonado, nomes ligados a fundos e à falta de transparência cuja bandeira contra foi tão vigorosamente agitada por esta administração. Ou o facto, tão criticado no passado, incluindo por Bruno de Carvalho, de estarmos a pagar comissões quando vendemos e quando compramos. Mas que, até prova do contrário, tal configura incoerência mas é preciso mais do que isso para a acusação formulada por Madeira Rodrigues.

Julgo que alguém que foi candidato à presidência do clube querendo corporizar precisamente uma alternativa a Bruno de Carvalho estaria obrigado a maior rigor e outro comportamento. Assuntos desta natureza não podem ser tratados com a mesma ligeireza que uma conversa de redes sociais ou entre amigos, no café. É um mau serviço prestado a si mesmo, destruindo qualquer réstia de credibilidade mas sobretudo ao clube. É de prever que o seu mau exemplo seja colado a todos que se venham a constituir como alternativa à actual gestão.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Sporting 3 - D. Aves 0: mais um Ribeiro a correr para o mar holandês

Muita da sorte dos reforços de inverno é marcada pelo momento que a equipa onde vai inserir atravessa e pela forma como se faz a sua integração. Muitos bons jogadores ficam afastados do sucesso quando aquelas condições lhes são adversas. Parece que não será o caso de Rúben Ribeiro, que entrou muito bem com o pé esquerdo, aquele que daria a assistência ao inicio de mais um hat-trick de Bas Dost.

A chegada de Rúben Ribeiro, e o impacto que a sua presença promete vir a ter no desempenho da equipa é uma das notas mais salientes do jogo de ontem, onde o único aspecto negativo terá sido uma série de desatenções defensivas da primeira parte, que não são repetíveis com adversários com executantes de melhor qualidade que os avenses. 

O meu maior receio relativamente ao jogador não residia na sua qualidade para ser jogador do Sporting mas sim nas oportunidades que lhe seriam oferecidas para as demonstrar e que poderia acontecer caso as coisas não corressem bem no imediato. Isto porque sabemos bem como pode ser implacável o tribunal de Alvalade com jogadores chegados de clubes mais modestos e sem nomes terminados em "inho", "ov" "ic", etc...

Esteve por isso muito bem Jorge Jesus na gestão deste momento, com ganhos que se estimam poderemos vir a recolher mais adiante. Como é evidente, a presença de Rúben Ribeiro obrigará a algumas mexidas, uma das mais evidentes foi o recuo de Bruno Fernandes, o que lhe retira algum protagonismo que só se voltou a ver na segunda parte, quando o ex-jogador do Rio Ave já estava a descansar das fortes emoções dos últimos dias. Mas não creio que tal possa vir a representar um real problema, esses ocorrem mais facilmente quando há falta de talento, o que não é o caso.

O outro destaque obrigatório é o novo hat-trick de Dost. A forma como holandês converte é tão simples e limpa que até dá impressão de ser fácil. Bom, e até é, utilizando a simplicidade de processos como ele utiliza. 

Ainda no âmbito das análises individuais a impressão de menor fulgor de dois jogadores de quem esperamos muito mais - Gélson e Acuña - o que certamente acontcerá assim que recuperem a boa forma. Do outro lado o impressionante momento de forma de Patrício, pela qualidade e consistência das suas intervenções. Os seus números de intervenções estão ao nível dos melhores europeus e, para lá das qualidades colectivas, devemos a ele e Dost o lugar que ocupamos, bem como a manutenção intacta das nossas ambições.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Taça de Portugal: Das Covas com muita Piedade (e sorte...) até às meias

O mais importante foi conseguido, que foi a qualificação para as meias-finais da competição. Já a forma como lá chegamos foi pouco brilhante, em muitos momentos foi até confrangedor. Aquela primeira parte podia até ter posto em causa a qualificação. Tudo isto muito por culpa própria, pela falta de intensidade e concentração. 

Mas há que reconhecer também o mérito do adversário, pela abnegação e em alguns momentos até com alguma qualidade. Tanto assim foi que tivemos que nos socorrer dos valores depositados no banco para calçar as meias, cujos 180 minutos são agora o obstáculo a transpor para por os pés no Jamor onde, tudo indica, caso lá chegue, encontrará um adversário perfeitamente ao seu alcance.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Vietto, viste-o?

O jogador que o Sporting teve quase contratado mas que acabou por preferir viajar para Valência ontem, depois de quase um ano sem marcar, encerrou um hat-trick assim, desta forma que as imagens documentam.

Fica o registo, documentando que o Sporting acertou em cheio ao escolhe-lo. Pena foi que a sua opção tivesse sido recaído no Valência, algo que se explicará pelo facto de Marcelino Garcia Toral ser o actual treinador do clube che. O treinador asturiano foi responsável pela boa época de 2014/15 com 20 golos, que o levaria ao Atletico de Madrid.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Movimento G-15, qual é a estratégia do Sporting?

Não se sabe ainda que alterações serão capazes de produzir ao actual modelo de governo do futebol português o recém fundado grupo de quinze clubes, denominado G-15. Mas, atendendo ao seu número devem ser, pelo menos até ver, ser levados a sério. Dessa forma interessa saber qual é o posicionamento e a estratégia do Sporting e que consequências terão no futuro para o clube as decisões que daí resultarão.

Sem grande surpresa, até agora as coisas não parecem estar a correr muito bem para os nossos interesses e muito começou pela inabilidade com a questão foi abordada num primeiro momento. Sem perceber muito bem quem eram, que força tinham e a que se propunham, o Sporting começou logo por ameaçar os eventuais subscritores de decisões deste grupo com a nega ao empréstimo dos seus jogadores. 

Isto é aquilo que na gíria se chama uma "entrada de carrinho" ou se preferirem, a "falar grosso", saltando à evidência, de forma imediata, várias dúvidas:

Esta é a abordagem correcta para atrair, como nos interessava, o maior número possível de clubes para a nossa causa?

Temos força suficiente para fazer este género de ultimatos?

O eventual fim dos empréstimos seria mais penalizador para os clubes envolvidos, que poderiam recorrer sem problema, a outra fontes sempre mais "generosas", ou para o Sporting, como clube formador que é?

Pouco depois, mas já tarde para desfazer o equívoco inicial - talvez percebendo que se colocou em posição ideal para ser ultrapassado - o Sporting apresentou uma série de propostas [LINK] para serem discutidas na AG da Liga, de dia 29 de Dezembro. Do que li, devo confessar a minha desilusão pela falta de profundidade e pelo afunilamento das propostas a interesses e matérias da agenda mediática, sem nada de muito relevante e estruturante.

Como já hoje se sabe a reunião não correu bem, acabando com o abandono por parte do presidente do clube ao som de "cobardes" e classificando um processo decidido por maioria como um "processo antidemocrático"(!). Ainda que lhe assista a razão, nomeadamente em questões processuais, por certo que não será com esta dose de "vinagre que atrairá as moscas..."

Ao contrário, apercebendo-se do que pode vir a representar este movimento para os seus interesses, LFV manobrou no silêncio, negociou directamente pelo menos com um dos mentores do movimento, António Salvador, presidente do SCBraga. 

Pinto da Costa, que estava na referida AG, também haveria de abandonar a reunião, mas de forma mais discreta e sem hostilizar aqueles com quem sabe terá que voltar a encontrar e a discutir. Ainda assim manteve o seu representante. No seu "modus operandi" estará certamente já a negociar a reversão da aparente maioria que agora se formou ou a estudar como a reverter em seu favor.

O actual clima do futebol português não é favorável a alianças, mesmo quando existem interesses comuns, como é o caso dos chamados três grandes. É esse o mérito de António Salvador, sempre à espreita de uma boa oportunidade de fazer crescer o seu Braga. Ele sabe que se se entendessem os três grandes poderiam esmagar com relativa facilidade esta Revolta do Minho, desta vez comandada por uma Maria da Fonte de calças.

A menos que haja alguma reviravolta inesperada, o Sporting está agora completamente isolado, tão isolado como sempre teve, tendo demolido várias das pontes de entendimento que eram possíveis. Nomeadamente negociando directamente com os clubes com quem tem boas relações ou pelo menos normais, como por exemplo aqueles onde tem atletas emprestados.

Ao invés Bruno de Carvalho preferiu o insulto. No "seu" Sporting é um novo normal insultar sócios que não concordam com ele e ao que parece ninguém se importa - o PMAG ainda deve continuar a apagar fogos... - vamos ver como funciona na LIGA...

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