segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Manual para burros


1- Burrice é pensar que os Sportinguistas são burros e precisam de manuais.

 2- É uma burrice desrespeitar e insultar os que, alguns até com muito sacrifício, nos pagam o ordenado e assim nos permitem alcançar e manter o nível de vida e depois ainda lhes pedir sacrifícios e união.

4- Burrice é disparar para tudo o que mexe mas os tiros só produzirem fumaça.

5- Burrice é ridicularizar e descredibilizar toda a política de comunicação do Sporting para conseguir um castigo pessoal mais pequeno. Aliás é bem pior que burrice, é abdicar do carácter e dignidade para se livrar de um castigo que, ao invés de ser tido como tal, devia ser entendido como uma medalha.

6-  Burrice é andar a reboque e fazer a promoção de agendas alheia, sendo incapaz de construir uma própria.

7- Burrice é preferir criticar os Sportinguistas e esquecer-se de desmascarar mais uma jornada vergonhosa para a arbitragem, em que mais uma vez fomos prejudicados.

8- O problema do Sporting não são os adeptos e sócios Sportinguistas que pagam quotas, bilhetes, viagens, gameboxes e que têm opinião. Não é a opinião que impede o Sporting de ganhar, são e  sempre foram as decisões dos dirigentes que os Sportinguistas elegem.

9- Um dos grandes problemas do Sporting sempre foram os funcionários que aterraram de paraquedas para ganhar ordenados chorudos e que, sem nada no passado que os recomende e sem presente que lhes justifique as mordomias, ainda se acham no direito de dar lições de Sportinguismo.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Sporting 2 - Famalicão 0: A premonição de Jesus, S. Patricio e os apóstolos Bruno, Podence e Gélson

Jesus foi previdente fazendo alinhar inicialmente e após algumas correcções uma formação que se aproxima muito da equipa titular. O Famalicão veio a Alvalade para provar que as equipas da liga abaixo se assemelham muito às do final da tabela da competição principal, e que o conhecimento e armas do seu treinador também se aproximam em muito dos seus congéneres da I Liga. Não tivesse sido assim e talvez o jogo terminasse mais tarde ou, quem sabe... Tanto assim foi que se tivéssemos trocado o nome do adversário por Tondela, D. das Aves, por exemplo, ninguém suspeitaria da marosca. 

Para reforçar o que é dito acima ficou na retina de todos a exibição galática de Rui Patrício que a foto do post guardará para o futuro. Nada mais na menos que o 13º da conta pessoal, a factura do azar foi desta feita entregue e paga pelo Famalicão. O nosso capitão escreveu mais uma página no livro de memórias que incontornavelmente o ligará para sempre ao nosso clube. Quando no dia 20 de Maio estivermos a levantar a Taça de Portugal é preciso lembrar que as duas asas do troféu foram hoje conquistadas pelo Rui Patrício

Mas a contribuição de Patrício não seria por si só suficiente para passar à eliminatória seguinte. Havia que marcar golos, o que, há medida que o tempo ia passando, parecia tornar-se uma tarefa cada vez mais complicada. Isto apesar do azar de Jonathan ter começado logo a ajudar a resolver o problema de uma entrada amorfa, com intensidade quase abaixo de um treino de conjunto.

Podence foi logo o primeiro a beneficiar a tirar partido da presença de Gélson, mas só a entrada do assistente Bruno Fernandes com os códigos dos misseis teleguiados permitiu que o Famalicão voltasse ao Minho orgulhoso por participar na festa da Taça - bela presença a dos seus adeptos! - mas já em tom de despedida.

Nota final para a arbitragem: que vergonha!


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Bruno de Carvalho: não adianta ter razão, é preciso saber ter

Julgo que entre Sportinguistas (e não só, mas esse é o universo que me suscita o maior interesse e atenção) ninguém duvida de que o futebol português está minado por interesses e favores e que enquanto tal subsistir a verdade desportiva estará comprometida. Assim, julgo que também ninguém duvidará que é necessário uma oposição tenaz e sem quartel, como da luta contra  um tumor maligno se tratasse. 

A comparação é obviamente excessiva, especialmente para aqueles que sofrem directa ou indirectamente de problemas de saúde dessa gravidade, mas a corrupção, seja de que teor for é de facto um cancro e por isso deve ser combatido.

O Sporting tem procurado combater essa doença especialmente através dos posts editados no Facebook do presidente Bruno de Carvalho e do director de comunicação Saraiva. Num dos seus últimos posts o presidente queixava-se de manobras de diversão para fazer esquecer a teia de problemas em que se envolveu o SLB e cuja clarificação é obrigatória mas está ainda por fazer. 

Não podia concordar mais com esta afirmação, é notória a aflição e desorientação para os lados da Luz. Não duvido que noutro país que não este muito dificilmente os dirigentes daquele clube escapariam a uma condenação por tráfico de influências, senão mesmo de corrupção, com o clube a ter que sofrer uma penalizadora descida de divisão. 

Por isso mesmo a comunicação do Sporting deveria ser mais objectiva e profissional e não dar ela também argumentos para este guião de ocultação, dissimulação e e desvio de atenção do que realmente importa. É isso que acontece quando ao invés de ser directo, conciso e demolidor na argumentação e nos factos invocados, estes são abafados pelos insultos e linguagem de carroceiro. Ou que se dispare em simultâneo contra tudo o que mexe, dispersando as munições e atenções. Que ninguém duvide que isto funciona como gasolina vertida directamente no depósito do "inimigo". Com e sem aspas... 

Expressões como "latoeiro", "imbecil", "cretino", "idiotas" soam mais alto e acabam por servir para abafar os factos do o caso dos "emails", a fuga de informação saída de dentro da própria FPF, etc, etc. Não é por acaso que é isso que faz as manchetes dos jornais. E depois, mais do que atingir os visados, os insultos qualificam quem os profere. De igual modo a falta de critério nos assuntos e nos alvos retiram força e atenção.

Não aceito a desculpa tantas vezes invocada "ah e tal, é o estilo dele" e que não passa disso mesmo, uma desculpa. O Sporting não se pode confundir no estilo com aqueles que detestamos e sempre combatemos e aí o papel do presidente é fundamental.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Perceber o caso "Bryan Ruiz"

Bryan Ruiz foi finalmente reintegrado e quanto a mim, bem. Por norma sou contra jogadores remetidos a um limbo, a treinar fora do grupo de trabalho, ainda por cima bem pagos, como é o caso do costa-riquenho. 

Ainda olhando para o seu caso em concreto, nunca aceitei a ideia que foi ele o culpado da perda do titulo há duas épocas. Se culpas, há elas não podem ser atribuídas em exclusivo a um determinado interveniente e a um momento especifico, antes sim a um somatório de intervenientes, eventos e decisões.

Há no entanto, na gestão de deste processo, algo que me intriga e que, creio, mereceria explicação: a explicação oficiosa posta a circular em noticias e até "spin doctors" era de que o jogador se teria recusado a aceitar ofertas entendidas como vantajosas para o clube e vai daí foi mandado "bater umas bolas" para Alcochete como castigo pelo prejuízo causado pela recusa.

Acontece que o jogador está a pouco mais de um mês de assinar pelo clube que quiser, o que equivaleria a vê-lo levantar voo do Humberto Delgado no final da época, deixando atrás de si "apenas" o registo de boas exibições, alguns golos incrivelmente falhados e zero euros pela transação do seu passe.

Tenho um palpite porém que tal não acontecerá, o que obviamente vale tanto como os zeros de que falei acima. Mas que a gestão deste caso deixa muito que pensar e várias questões em aberto, deixa. Talvez a mais importante seja "o que ganhou o Sporting com isto?"

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

PPC-BdC: União de Lamas Sporting Clube

Já todos perceberam por certo que uma grande parte do diferendo que estalou entre Paulo Pereira Cristóvão e Bruno de Carvalho se transformou  - ou até mesmo começou -  por ser uma questão pessoal. Independentemente das razões que possam assistir a qualquer um deles, creio que é a hora de deixar que os processos judiciais com que ambos se decidiram presentear sigam a sua tramitação e que poupem os Sportinguistas e acima de tudo o Sporting à luta na lama que cada um dos respectivos comunicados vem representando. Isto se, como se espera de qualquer Sportinguista, o interesse do clube esteja acima dos seus interesses pessoais.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Comunicação por "dummies", ou como se deve ou não se deve defender o Sporting

O passado fim-de-semana foi aziago para as ambições de campeão do Sporting. Não bastou perder pontos em casa, o registo de mais uma exibição "triste" com um adversário difícil, uma hecatombe de lesões. No rescaldo, o Sporting, além dos pontos perdidos acabou por perder também a face, num comunicado absolutamente indigno do director de comunicação do clube. 

Para ajudar ao fadango, na televisão do  clube, um tal Pedro Baptista insulta a inteligência de todos os Sportinguistas. Segundo o próprio, o Sporting não ganha porque alguns Sportinguistas "parecem uns bananas" e embarcam em "cartilhas". Que se saiba os Sportinguistas não compram jogadores, não os treinam, não é por eles que se lesionam. Gostava de saber com que autoridade está investido para assim proceder e como isto parece ser aceite como se fosse normal. E claro, tinham que vir as cartilhas, como se o Sporting também não tivesse a sua...

Ora então vamos por partes, começando pelo que me parece mais importante relativamente aos erros de arbitragem e quem mais deles beneficiou:

- Se o Sporting, num qualquer jogo, visse ser anulado um golo quando estava ainda 0-0 e, no final do tempo regulamentar, estando já a ganhar, sofresse um empate obtido penalty precedido de falta, (que por isso não permitiu qualquer reacção) eu seria levado a considerar que o Sporting teria sido prejudicado. O mesmo terei que dizer relativamente ao Braga, face ao sucedido em Alvalade. 

- A última coisa que o Sporting deveria fazer era tentar desmentir ou mistificar o sucedido, porque não deixa de ser uma noticia a possibilidade de ter sido beneficiado. O que há muito deixou de ser noticia é ter sido prejudicado. Especialmente com o Braga, a cuja reacção também já lá chegaremos. Não há aqui razão para qualquer incómodo.

Já relativamente à reacção do director de comunicação expressa no Facebook ela é acima de tudo uma carta de despedimento na hora. 

- Remeter a exibição dos atletas adversários para a possibilidade do uso de qualquer meio ilícito, numa alusão clara ao uso de doping, sem qualquer indicio ou prova, é indigno de alguém que represente o Sporting. Acima de tudo constitui um desrespeito por normas aceites tacitamente na prática desportiva, das quais me recuso a aceitar que o nosso clube deixe ser um modelo: respeito pelo jogo e suas regras, pelos companheiros e pelo mérito dos adversários.

- Isto pode ser admissível em clubes com adeptos como o Pedro Guerra, no Sporting deveria equivaler no mínimo a defenestração ou a balde de penas e alcatrão.

- Ao contrário do que certamente pretendia, tal comunicação ainda veio realçar mais as nossas falhas e impreparação. É que os atletas do Braga não só pareceram correr mais do que nós com menos tempo de descanso, como parecem mais aptos para o fazer sem correrem o risco de se lesionar. Isto sim, é que preocupa verdadeiramente os Sportinguistas.

A resposta adequada ao presidente do Braga veio felizmente do presidente do clube, Bruno de Carvalho: "ele, que vá ver as imagens de há três meses atrás de um lance de um jogo com o Benfica e que me mande a conferência de imprensa que ele fez a seguir a falar sobre esse lance de fora de jogo e depois podemos falar do resto" É assim, de forma breve e com o tom certo de sarcasmo que deve ser tratado o presidente do Braga, cujo sonho molhado é poder olhar um pouco mais de perto para os nossos calcanhares. Está a precisar de uma nova visita ao museu, por certo. 

- Eu teria acrescentado algo que me parecia muito pertinente: António Salvador perdeu o direito de falar sobre o "apito dourado" agora, quando passou todo o tempo calado como um rato quando respectiva ditadura imperou calado como um rato, contentando-se aqui e ali com as sobras que caiam da mesa do banquete. 

Como pode - ou deveria - então ser exercida a difícil missão de defender o Sporting?

Antes de mais com a coragem de quem sabe que tem razão e a convicção de que está do lado certo das coisas. E, acima de tudo com verdade. Por isso tenho a certeza que teria sido melhor aproveitar a oportunidade, mesmo contra o que pareceria ser contra os seus próprios interesses, para reforçar e clarificar o papel importante do vídeo-árbitro. Para defender agora um pontinho agora o Sporting pode estar a hipotecar outros pontos e até campeonatos.

Assim, o Sporting não deveria de ter receio e ir até às últimas consequências, pedindo esclarecimentos sobre a mutismo de Rui Costa, o vídeo-árbitro, que se segue à cegueira do jogo com o Chaves. E tanto o deveria ter feito no lance do Podence como no já aludido lance do Doumbia, do qual acabaria por resultar o penalty que nos deu o empate.

O mesmo deveria fazer sobre os demais responsáveis nos jogos dos nossos rivais. É que não é por acaso que a resistência que se sente à respectiva implementação surja de sectores perfeitamente identificados com o "establishment", que desde o inicio de época tudo tem feito para que tudo corra mal. Este emudecimento do VAR nesta jornada foi coincidência ou não há coincidências? 

Ninguém duvidará por certo que a implementação do VAR é um momento importante e diria até mesmo crucial para os nossos interesses. Cabe-nos por isso defendê-lo e creio que o nosso silêncio sobre o que se passou este fim-de-semana nos diversos campos é precisamente o oposto.

Não tenho dúvidas que o Sporting deveria reformular a sua estratégia comunicacional e afastar-se definitivamente deste estilo trauliteiro, de permanente ruído mas sem acções de relevo em nosso favor.

Alguém sente que isto está a resultar?

Qual é a nossa diferença, que outrora tantos nos orgulhava e nos distinguia?

domingo, 5 de novembro de 2017

Sporting 2 - Sp. Braga 2: rasgados!

Com sorte o Sporting não sai derrotado mais uma vez por Abel Ferreira, que já no ano passado na sua estreia nos veio roubar pontos em casa. Derrota que seria um castigo talvez excessivo, mas o empate é um resultado justo para o pouco, quase nada, que se produziu hoje em Alvalade. 

Perante este exibição marcada pela falta de ideias, pelo cansaço e sobretudo pelas lesões musculares talvez a mais importante ilação a retirar deste jogo é que, e parafraseando Bela Guttman, não temos rabo para ocupar as cadeiras que ambicionamos.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Sporting 1 - Juventus 1: um dia faremos mais do que só exibições

Terminou a nossa ronda italiana nesta fase de grupos da Liga dos Campeões com um sabor a pouco, mais uma vez com a sensação de quase. Faltou muito pouco, muito pouco mesmo para podermos ter feito quatro pontos em vez de apenas um com o campeão italiano.

Diga-se com justiça que, apesar dos resultados não terem sido os esperados, o Sporting esteve quase sempre muito bem e isso é ainda mais válido em relação à primeira parte deste último jogo, que poderia ser considerada quase perfeita. Jogar assim com o actual campeão italiano, e vice-campeão europeu deve ser realçado e motivo de orgulho, tamanha é a diferença de argumentos de ambos os clubes. E acima de tudo um motivo de esperança, porque a possibilidade de conseguirmos juntar resultados a exibições parece ser possível, assim saibamos manter o actual nível. 

Nesse primeiros quarenta e cinco minutos foi notável a forma como Sporting controlou ou até por momentos conseguiu manietar as peças importantes da armada juventina. Fazer isso a Pianic, Dybala, Higuain, Khedira, Mandzukic, etc, não é para qualquer um. Obviamente que isto tem custos e paga-se em desgaste fisico e psicológico, o que sentiu nos momentos finais do jogo. Estes factores, associados à qualidade dos jogadores adversários ajudam a explicar o empate conseguido quando se esperava ansiosamente pelo apito final.

Talvez demasiado ansiosamente, porque com um pouco mais de discernimento e frieza tivéssemos conseguido esticar um pouco mais aqueles minutos finais com a nossa baliza por desfeitear. Ficamos a pensar, à semelhança da história do ovo e da galinha, o que teve maior grau de responsabilidade no desfecho final, se o cansaço se a pressão em parte consentida, em parte inevitável, da equipa italiana. Sem conseguir ter a bola muito tempo nos pés o desconforto da equipa e o consequente desgaste eram evidentes.

Ainda assim registo para dois momentos em que a história deste jogo poderia ter tido um final diferente e mais feliz: quando a bola passou por cima do pé de Dost ou quando o pé esquerdo de Bruno César, o homem dos golos às grandes equipas, podia ter estado melhor calibrado na direcção.

Tendo realizado uma boa exibição colectiva parecem-me inteiramente merecidos os destaques ao jogo de Patrício, Ristowski (grande exibição, confirmando as indicações já dadas) e Battaglia no tempo todo e Gélson e Bruno Fernandes enquanto duraram as pilhas. 

Registo final para mais uma grande noite em Alvalade, grande ambiente nas bancadas porque, dê por onde der, aconteça o que acontecer, nós acreditamos e "estamos sempre convosco".


sábado, 28 de outubro de 2017

Rio Ave 0 - Sporting 1: Velas a S. Patricio e muita sorte

Não sei quantas vezes iremos jogar bem melhor ou pelo menos num nível mais elevado que conseguimos neste jogo frente ao Rio Ave e acabaremos por perder pontos mas seguramente que algumas vezes tal ocorrerá. O nível elevado a que se exibiu Patrício e alguma ou até bastante sorte em outros lances contribuíram para a obtenção de um resultado precioso. Daqueles que por vezes suportam os campeões.

Mas antes de ir à nossa exibição em Vila do Conde há que valorizar o papel do adversário que, sem os nossos recursos, se superiorizou numa parte substancial do encontro. Grande trabalho do treinador da casa, a incutir ideias e a personalizar os seus jogadores. Nesse aspecto foi particularmente notória a forma como contornavam a pressão do Sporting no inicio da construção, fazendo parecer fácil e sem erros o que de fácil não tem nada. Os 60% de posse de bola (!), entre vários outros dados estatísticos, em favor dos da casa são bem ilustrativos da categoria da sua exibição.

Já apenas um remate enquadrado da nossa parte - contra cinco deles - num total de 24 contra 6 diz bem da palidez da nossa exibição. Para ajudar a explicar estes dados está a superior organização dos locais, reis e senhores do meio-campo, onde Pelé brilhou pela eficácia e Tarantini pelo esclarecimento. Depois, quando a bola chegava a Rúben Ribeiro a bola circulava com precisão e muito critério tornando o perigo uma constante.

Com Pelé a anular as movimentações de Podence não havia ligação com o ataque e Bruno Fernandes não tem a mesma capacidade para contrariar os adversários em tarefas defensivas como tem com a bola nos pés, a organizar. Se a ideia de Battaglia resolveria esta difícil equação depressa se percebeu que não seria suficiente. De tal forma que Jesus tendo-o lançado no jogo a "6" acabou por fazê-lo deslocar para "8" tendo finalmente, a partir daí, maior equilíbrio. Seria até o argentino a servir primorosamente Bas Dost no lance do golo. 

Se os três pontos são preciosos o jogo de ontem acaba por ser um sério aviso, porque dificilmente a conjunção de factores que nos levou a eles se voltará a verificar. Quanto mais não seja porque o rol de milagres ao alcance de S. Patrício - o melhor em campo - não é infinito.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Quando a credibilidade dos árbitros entra em greve

Julgo que ninguém percebeu ainda muito bem qual o real sentido ou que objectivo persegue a greve dos árbitros. Se olharmos para o comunicado da associação de classe concordamos imediatamente com uma parte substancial do mesmo:

"(...) “o clima no futebol português se tem degradado cada vez mais nos últimos tempos”.
Mas antes disso e a partir daí não se percebe como chegam à decisão de deixar de arbitrar os jogos da Taça da Liga porque “não existem condições para continuar a arbitrar”. Se assim é porque escolhem justamente a competição nacional mais desvalorizada e menos importante para exercer o seu protesto?

Ainda que concordando também que a generalidade dos dirigentes do futebol (associativos, federativos, de classe e dos clubes) deixa muito a desejar e que os últimos frequentemente se socorrem dos erros de arbitragem como "desculpa quando o resultado desportivo os compromete e precisam de encarar os seus adeptos” a reacção parece excessiva porque a greve deveria ser o último recurso e não consta que tenha havido da parte da classe qualquer sondagem ou propostas aos parceiros no sentido de introduzir melhorias.

A reacção parece ser também mal orientada por se destinar à competição de menor impacto, dando por isso azo à dúvida sobre as reais intenções sobre a forma inopinada como a APAF toma a medida. Mas sobretudo é desresponsabilizadora, quando exorta "os clubes profissionais a uma reflexão profunda onde o comportamento dos seus dirigentes seja um dos pontos centrais a refletir e origine uma nova era no desporto nacional", como se o seu próprio papel no processo fosse acima de qualquer critica ou até mesmo imaculado.

Ora para a generalidade dos adeptos a classe que a APAF representa o que mais sobram são as dúvidas sobre a qualidades  consideradas indispensáveis para o exercício da função: imparcialidade, equidistância e independência. Aliás, todo o percurso das últimas décadas apontam precisamente para o inverso, ficando apenas por definir as cores das quais estão mais próximos ou até mesmo dependem ou prestam vassalagem.

Nesse sentido esta greve é mais um tiro pela culatra que acerta em cheio na já de si depauperada credibilidade da classe. Antes disso há muito que esclarecer, nomeadamente a presença do nome de vários deles - entre os quais o sr. Nuno Almeida, do último jogo na Vila das Aves - em e-mails que tresandam a conluio, tráfico de influências ou até mesmo corrupção, isto para falar apenas em alguns escândalos recentes.

Quem sabe se também não fossem mais proactivos com a introdução de medidas que desanuviem a suspeição ou lhes fossem úteis às tomadas de decisão, tornando o seu trabalho mais fácil, cresceriam em credibilidade aos olhos dos adeptos. Ao invés, parecem é estrebuchar por lhes ser retirada a possibilidade de orientar ou até manipular o curso dos acontecimentos nos relvados e, consequentemente, adulterar a verdade desportiva.

Na verdade, e atendendo à realidade instalada, talvez o titulo mais adequado a estas linhas fosse:

Quando é que a credibilidade da arbitragem sai de greve?

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Sporting 5 - Chaves 1: Não houve chaves para Podence & Dost

Uma vez que já quase tudo foi dito sobre este jogo ficam aqui apenas breves apontamentos, que me parecem resumir o essencial do jogo de ontem:

- Podence está em grande forma, algo que já havia deixado ficar no ar no jogo de Oleiros;

- Que falta fazia a Bas Dost alguém, como Podence, a deslocar-se entre linhas, ao seu lado e nas suas costas e que abri-se os tão raros mas também tão necessários espaços para a criação de oportunidades reais de golo. Alguém que saiba gerir os tempos e a velocidade. Alguém que avança para cima do defesa, enquandrando e não apenas fugindo. E alguém que, além de tudo isso, também assiste com mestria, desmontando as defesas.

- Podence soube também aproveitar as movimentações de Dost que, como ontem se viu, não "serve" apenas para marcar golos, pode fazer muito mais do que isso. A evolução é notória, o período cinzentão que atrevessou parece ter sido aproveitado para juntar novas competências ao seu jogo, nomeadamente o descer para se oferecer como apoio frontal, assistir e até mesmo explorar a profundidade, algo que nos falta desde Slimani.

- É verdade que perdemos poder de fogo a meia-distância com o recuo de Bruno Fernandes, mas a qualidade das nossas oportunidades de golo subiram exponencialmente, por acontecerem em zonas frontais à baliza e dentro da área, pelo que a necessidade de bombardear de longe (mais aleatória) diminui. Em contrapartida, a qualidade em posse sobe e com isso a possibilidade de êxito também. Nesse sentido, o Sporting fez ontem um belo jogo, com jogadas de grande envolvência, talvez o melhor do campeonato até agora.

- Referência também para Acuña que, sendo um trabalhador incansável, é também capaz de finalizar com acerto. Um "assistente" que também resolve. Está bem, aquele terceiro golo, até uma árbitro cego como o Rui Costa - já lá vamos... - seria capaz de o fazer.

- Piccini já não é o mesmo que cá chegou, sendo obrigatório - e justo - referir o óbvio: tem sabido aproveitar as oportunidades que a fé inabalável do treinador lhe tem concedido.

- Foram óbvias as dificuldades defensivas do Chaves mas não se resumiram à falta indiscutível dos habituais titulares mas sobretudo à qualidade do nosso jogo. Uma equipa que, tendo começado o campeonato em dificuldade para perceber as boas ideias do seu treinador, se vem reequilibrando aos poucos. Foi desagradável para nós sofrer o golo que maculou a nossa bela exibição, mas atenuou a dureza da goleada. 

- De Rui Costa, o árbitro. também o óbvio: não há pior cego como aquele que não quer ver. Ou, como dizia um estadista aqui do burgo, só não mudam os burros e ao não mudar pelo menos uma das duas más decisões que tomou no lance com Gélson - pelo menos o cartão amarelo! - demonstrou que além de ver mal é burro. Isto claro, sem querer insultar os verdadeiros jumentos.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Juventus 2- Sporting 1: Quando se vai com meninos à ópera

O Sporting fez o que lhe competia hoje em Turim, frente a uma equipa que não é nem mais nem menos que a finalista vencida da Liga dos Campeões da época passada. Marcou primeiro, sofreu um golo indefensável e podia ter trazido ponto para Lisboa com toda a justiça. 

Mas no futebol a justiça constrói-se com os golos que se marcam e se sofrem. E o Sporting acabou por perder o ponto que tanto jeito lhe daria por causa de um erro individual, do suspeito do costume. Não se pode levar meninos aos grandes palcos, a possibilidade de nos deixarem ficar mal é enorme.

Como é evidente, as substituições de JJ são altamente discutíveis, embora isso só agora se discuta justamente por causa do tal golo, perfeitamente evitável. Não fora isso e estaríamos agora todos muito mais satisfeitos. 

Bonita a homenagem dos italianos à vitimas dos incêndios. Pena as palminhas do costume no minuto de silêncio. Quem viu o que sucedeu no jogo de ontem em Leipzig perceberá que de facto o silêncio é uma homenagem grandiosa.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Correio da Manhã: de exclusivo a excluído

Há quantos anos - sim, anos! - o Correio da Manhã publica noticias lesivas dos interesses do Sporting? Há muito seguramente. Então porquê agora sou agora uma tomada de posição dura como a proibição da frequência das instalações do Sporting? Segundo justificação do presidente Bruno de Carvalho foram as noticias relativas à sua esposa mas também funcionária do Sporting que motivaram a tomada de decisão. 

Foi então preciso mexerem com os seus interesses pessoais para tal? 

Se assim não fosse o Correio da Manhã poderia continuar a especular, mentir, inventar denegrir o clube?

Bruno de Carvalho já deveria perceber melhor quem são os seus amigos e os seus inimigos. Se assim fosse saberia escolher melhor a quem dar exclusivos. E saberia também que a generalidade dos Sportinguistas não quer saber da sua vida pessoal mas sim da forma como conduz os destinos do clube. Por isso, ao invés do insulto gratuito e de baixo nível, melhor seria esclarecer os Sportinguistas relativamente às noticias do referido jornal. 

Afinal é ou não verdade o que lá vinha relatado relativamente à situação profissional (horários, vencimentos, medidas tomadas) da esposa e funcionária? 

E porque remete para uma AG esses esclarecimentos se a toda a hora e muitas vezes por coisa nenhuma (ou até mesmo para comentar assuntos que não nos dizem respeito directamente mas apenas aos adeptos de outros clubes)  há sempre um comunicado pronto a sair? 

Essa seria a melhor forma de atalhar as especulações, pondo assim uma pedra no assunto. Não o fazendo está apenas a dar combustível para que o assunto vá ardendo em lume brando.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Podence fazer brilhar Palhinha e outros no plástico

O Sporting cumpriu com distinção todas as suas obrigações no seu jogo de estreia na edição deste ano da Taça de Portugal: antes de se dar inicio ao jogo o Sporting cumpria o seu papel e tradição, apresentando-se, sem manobras nem subterfúgios, na vila de Oleiros, respeitando assim as populações locais, o clube anfitrião e o espírito da competição. Quando o jogo se iniciou, apresentou-se sério e competitivo, cumprindo a sua obrigação de ganhar e seguir em frente. 

Antes de encerrar a festa da Taça doou ao clube local a receita do jogo, ajudando uma colectividade - os bombeiros locais - do cada vez mais distante, esquecido e massacrado interior do País. Uma jornada que certamente não tem a repercussão mediática de uma eliminatória da Liga dos Campeões, mas que, pelo seu significado, não deve deixar de nos encher a todos de orgulho.

Quanto ao jogo propriamente dito e para lá do destaque já dado à seriedade com que foi encarado, à que realçar as oportunidades concedidas aos menos utilizados, que foram amplamente aproveitadas por Palhinha e Podence. O primeiro até mereceu uma inusitada menção particular de JJ no final do jogo embora me pareça que nela não deveria faltar o destaque do pequeno jogador, cujas três assistências foram determinantes para a construção do resultado. Boas indicações deixou também Matheus Oliveira, a reclamar certamente que há sempre lugar para quem tem talento. E claro, Rafael Leão, porque quem marca e logo numa fase tão precoce da carreira, tem sempre direito aos seus primeiros quinze minutos de fama.

Não posso terminar sem mencionar o ARC Oleiros, pela postura digna e abnegada, que certamente honrou os seus adeptos e a generalidade dos locais. Uma palavra especial ainda para o seu técnico, um sportinguista dos pés à cabeça, cujo discurso deveria constituir uma fonte de aprendizagem para muitos dos que, com muitos mais ganhos, se pavoneiam à custa do futebol.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A Taça de bom-senso e como resolver a "questão Alan Ruiz"


Taça de bom-senso

Depois de vários rumores a circular na imprensa eis que o presidente Bruno de Carvalho esclarece a posição do Sporting relativamente ao jogo da Taça em Oleiros, pondo fim à especulação. E não podia fazer de melhor forma: com elevação, com respeito pelas regras e pelo que o Sporting representa, pelo adversário e até mesmo pela população que será nossa anfitriã. 

Talvez a memória me atraiçoe mas não me lembro de um comunicado tão "à Sporting" sob a sua vigência e onde me revejo na totalidade. Muito bem!

A "questão Alan Ruiz" 

Muito se tem falado de Alan Ruiz. Foi uma das aquisições mais dispendiosas do ano passado e vinha rotulado de craque. Porém tarda em justificar quer o rótulo, quer o preço, conseguindo apenas alguns lampejos de classe, de todo insuficiente para justificar a titularidade. Até ao momento JJ não tem sabido gerir bem este problema, uma vez que a cobrança sobre o jogador vem aumentando - o que deve ser entendido com toda a naturalidade - mas apesar disso o treinador continua a insistir nas presenças do jogador quer como titular, quer como suplente. 

No passado clássico, com o FC Porto, cheguei a temer o pior quando saltou do banco para o aquecimento. Naquelas circunstâncias - resultado desfavorável e necessidade de ganhar - e em Alvalade seria de todo desaconselhável e, a menos que um cada vez mais improvável golpe de génio surgisse, tinha tudo para correr mal.

O que fazer então com o jogador, quando se acumulam já rumores de saída, quando esta dificilmente será vantajosa para o clube, atendendo à baixa produção do jogador? Desistir não me parece para já apropriado, atendendo às circunstâncias já expostas e até mesmo porque se trata de um jogador com talento. Tendo em conta que há uma evidente falta de adaptação às exigências do futebol europeu, é claro que o jogador precisa de jogar o máximo de tempo possível mas em momentos em que a pressão seja menor.  

Como por exemplo nos jogos fora e de preferência quando resultado esteja encaminhado.  De igual modo nos jogos da Taça com equipas menores e Taça da Liga. E nas jornadas de jogos em casa porque não pô-lo a jogar na equipa B? O futebol da II Liga, apesar do menor índice técnico, algumas características com as quais Alan Ruiz precisa de saber lidar melhor, como são por exemplo a necessidade de luta e no contacto físico, aquilo que o adepto normalmente designa como "atitude".

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Sporting 0 - FC Porto 0: empate na coligação

No clássico entre Sporting e dragões tinha à minha espera quatro surpresas. Três de carácter negativo e uma positiva. 

Negativas:

- O aperto de mão entre Pinto da Costa e Bruno de Carvalho em plena tribuna de Alvalade. Sendo favorável a relações institucionais com todos os clubes, há que haver algum decoro e memória. O facto de o poder ter mudado de mãos não é possível apagar tudo quanto de negativo representa para o futebol nacional e sobretudo para o Sporting o tempo de Pinto da Costa. E, avaliando pelo que se vai vendo, parece haver mesmo uma coligação em que o Sporting se vai deixando envolver como figura secundária, que nada de bom resultará para o nosso clube.

- A forma como o Sporting e Jesus muito particularmente se deixou surpreender pela estratégia de Conceição, que nem sequer era propriamente inédita. 

- A incapacidade revelada pelo mestre JJ para, depois de surpreendido, dar a volta por cima da estratégia do aluno Conceição, parecendo revelar a aceitação tácita da incapacidade e do nulo como o melhor resultado alcançável.

Este jogo serviu também para algumas confirmações:

- A confirmação de uma precoce saturação física, principalmente nos jogadores que são o pilar onde assenta a qualidade desta equipa, ou se quiserem o poder diferenciador: Acuña já nem consegue apontar os cantos para lá da linha da pequena-área. Bruno Fernandes, que em condições normais poderia ter feito o golo, foi quase sempre engolido pelos adversários. Gélson Martins, sempre muito vigiado, sem qualquer objectividade ou poder para fazer chegar a bola a Dost. Quando as pessoas perguntam o que é feito do Dost 16/17 eu pergunto quantas vezes é que ele foi servido como era em 16/17.

- A confirmação que há um fosso considerável, em alguns casos profundo, entre primeiras e segundas linhas. O Jonathan que se tem visto não teria lugar em muitas equipas que ficarão abaixo de nós na tabela. Piccini é incansável a correr mas, bem espremido, o sumo final do seu jogo é pouco e qualidade baixa para as soluções que o Sporting precisa.

- Coates e Mathieu, no seu melhor, são quase perfeitos. Rui Patricio, seguido de perto por Mathieu, foi o nosso melhor e garante do ponto alcançado.

- É preciso um T para acompanhar os dois D's e fazer um DDT letal. Explico: Doumbia lesionado deixa à vista a insuficiência de soluções no ataque à disposição do treinador, que lhe permitam alterações ou surpreender os adversários.

- O empate deixa um sabor de oportunidade perdida, por não se ter aproveitado o ensejo para assumir a liderança ou para distanciar um pouco mais de um SLB em crise. Mas deixa também um sabor amargo por se perceber que o adversário de ontem está melhor que nós, ontem foi melhor que nós e tem mais soluções que nós. 

- A surpresa positiva da noite foi a homenagem a Adrien. Com muita pena minha ainda se ouviram alguns assobios, que depressa foram abafados pelos aplausos. É bom que jogadores que foram referência na sua passagem pelo clube saiam sem a que isso equivalha um trauma ou incompatibilidade. É afinal normal que os filhos saiam da casa dos pais e indesejável que isso signifique um corte de relações, especialmente tendo em conta o facto de sermos um clube formador e o exemplo que fica para aqueles que continuam.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Sporting 0 - Barcelona 1: Que mal fizemos aos deuses?

Não fizemos um jogo perfeito, faltou aqui e ali qualquer coisinha. Mas mais uma vez não merecíamos tamanho castigo, perdendo por um autogolo de uma frialdade cruel. Que mal fizemos aos deuses do futebol? Até quando seremos penalizados em momentos importantes e que poderiam significar uma importante conquista ou inversão de tendência? 

Não tendo feito um jogo perfeito ainda assim fizemos um jogo competente. Onde isso não se verificou foi no momento de decisão nas jogadas no ataque, o que é particularmente penalizador quanto tal sucede com equipas de alto coturno, como indiscutivelmente é o Barcelona. Se a eficácia é determinante em todos os jogos, nestes é quase tudo, sabes que o desperdício te será fatal

Talvez seja por isso que no final do jogo possa ter nascido a ideia de que podíamos ter sido mais ambiciosos, mais audazes e, de forma associada, que este Barcelona não é uma equipa forte, mesmo que não tão forte como há alguns anos. Não é essa a minha opinião. Talvez seja ainda cedo para perceber que Barcelona é este, mas é indiscutivelmente uma boa equipa, talvez possa ter perdido para já alguma espectacularidade e fantasia (Neymar...) mas é também agora uma equipa mais equilibrada e organizada. 

Mas com toda a justiça há que reconhecer que muita da ausência de fulgor se deveu à forma como o Sporting soube tornar o jogo desconfortável para Messi & Cia. Jorge Jesus montou muito bem a equipa, anulou com uma jogada de mestre (marcação mista de Mathieu ou Battaglia) Messi, reduzindo-lhe o espaço (físico, onde se movimenta e temporal para decidir) como o próprio referiu no final do jogo:

«Por muita qualidade que tenhas, quando não tens espaço o jogo torna-se mais difícil para ti»

Apenas não concordo com a individualização das responsabilidades no desfecho final sobre Bas Dost. Como é óbvio, se tivesse rematado e falhado a esta hora estaríamos todos a pensar - e provavelmente a dizer - que poderia ter solicitado a meia-distância de Bruno Fernandes.

Infelizmente não pudemos ter Gélson em elevados níveis de inspiração. Doumbia quase nunca pôde usar a velocidade para explorar a profundidade, passando ao lado do jogo. O mesmo se pode dizer da influência de Acuña em missões de ataque e tudo isso certamente porque tinham na cabeça a importância de defender para anular o adversário, o que de certa forma conseguiram. O problema, também sinalizado por JJ, é que os nossos jogadores poucas vezes são chamados a este grau de exigência e obrigados a viver sem bola no decorrer de uma época. A história de "mudar o chip" é mais fácil de dizer do que realizar.

Destaques individuais para os bons desempenhos de Patrício, Mathieu, Bataglia e William. De igual modo para o jogo abaixo do que sabemos valerem de Gélson, Coates. Piccini está melhor mas continua curto para sermos mais fortes ofensivamente.

Arbitragem "sabichona", a que não será nada alheia a "criteriosa" escolha da UEFA por um árbitro romeno...

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Sporting na ilusão de querer travar Messi & Cia

Grande jogo em perspectiva para a próxima quarta-feira! Foi para recebermos estes jogos e desfrutarmos destes ambientes deslumbrantes e plenos de emoção que quisemos um estádio ao nível do que então melhor se fazia. E, agora que temos pela frente o Barcelona, depois de o ano passado termos recebido Real Madrid e Borussia de Dortmund, sentimos que esta é "a vida que sempre quisemos". Por isso o sentimento que nos assalta imediatamente é a vontade de despir o papel de meros figurantes e por a Europa do futebol a olhar para nós mais uma vez, só que desta feita enquanto contamos os contos (euros) e os pontos. 

A ideia de ganhar ao todo-o-poderoso Barça certamente que não sai da cabeça dos adeptos, até dos mais pessimistas, embora ela pareça ilusória nas horas de maior realismo. Mas, embora as apostas não nos favoreçam, é obrigatório pelo menos ter essa ambição e dessa forma preparar esse jogo. Porque nada nasce da descrença e da ausência de vontade. Há apenas duas coisas que não desejo: resultados humilhantes, pelo seu efeito negativo sobre o ânimo dos atletas e dos adeptos e no prestigio do clube e lesões. 

"Temos muita responsabilidade. Agora o Sporting tem de ganhar pontos. Estamos convencidos de que podemos conseguir algum frente ao Barça". (JJ)
Ao contrário do que se chegou a pensar, o Barcelona não ficou viúvo com a saída de Neymar. E nem mesmo o turbilhão de decisões incompreensíveis e disparatadas que marcaram a preparação da temporada fez ajoelhar a equipa. Ao contrário: esta é melhor trajectória de sempre nas primeiras seis jornadas. 18 pontos, 18 golos à maior (20m-2s), o que lhe confere não apenas a liderança da tabela mas também de melhor ataque e defesa em simultâneo. Algo que parecia inalcançável visto do jogo da Supertaça com o Real Madrid. 

Para tal contou certamente com a maturidade e segurança de Ernesto Valverde e a sua opção por um surpreendente regresso às origens no que diz respeito ao posicionamento de Messi, com Suarez a fazer de Villa ou Thiery Henry e o azarado Dembelé destinado ao papel de Pedro.  O regresso de Messi a 9,5, (zonas mais centrais, portanto), fez dele o goleador e melhor rematador de La Liga. Na brincadeira já se vai apontando que afinal, e ao contrário do que se dizia, era ele que precisava de sair da sombra de... Neymar.

Do ponto de defesa do nosso último terço de terreno, e apesar dos números avassaladores na La Liga, há aqui uma janela de oportunidade. Apesar de já ter voltado aos golos na estreia de um novo dérby catalão (Girona 0 - Barcelona 3), Suarez precisa ainda de tempo para se adaptar ao que de novo se lhe pede, ele que até é a personificação de um "9". Dembelé vai ver o jogo da enfermaria e em Girona o lugar foi entregue a Aleix Vidal, que parece ter renascido com Valverde. 

Mas o dilema é permanente e requer muita concentração: se atacas Messi o risco de quebrar a linha defensiva ao centro é enorme, por poder abrir espaços para Suarez, que se movimenta letalmente de fora para dentro. Se deixas Messi ali onde ele é exímio a decidir o risco não é menor.

Uma das grandes virtudes deste Barça está na recuperação do equilíbrio defensivo. Certamente que preferiríamos aquela equipa tantas vezes apanhada em contra-pé e inferioridade numérica, muito por causa do espaço que se formava amiúde entre a última linha defensiva e o meio-campo, com este a ser apanhado atrás da linha da bola. Isso ainda foi visível no jogo com o Real Madrid, cuja lição foi depressa aprendida por Valverde. Para tal chamou Rakitic atrás, para perto de Busquets e adiantou Iniesta, beneficiando assim do maior poder atlético e defensivo do centro-campista croata. A entrada de Semedo, capaz de recuperações notáveis, ajudou a consolidar a equipa defensivamente.

É pacificamente aceite que o Sporting terá que passar grande parte do tempo em missões defensivas. E que terá que ser muito criterioso nas saídas para o ataque de forma a não perder a bola em transição, algo que adversário aproveita como poucos o sabem fazer tão bem. Com esta nova versão do Barcelona a exploração do espaço entre linhas, que anteriormente se conseguia imprimindo grande verticalidade às acções atacantes, não deverá ser agora possível. 

Ainda assim, não seria de todo surpreendente que Jesus recuasse Bruno Fernandes e desse a Podence a missão de infernizar o juízo aos defensores catalães. Mas a hipótese mais provável e confiável parece-me ser também a mais conservadora, optando pelo que está testado e com bons resultados: Battaglia,William, Bruno Fernandes, Gelson, Acuña.

A grande dúvida no ataque do Sporting poderá muito bem ser resolvida em função da escolha de Valverde para o centro da defesa. Não é provável que o técnico estremenho opte por Pique e Mascherano, ao que certamente Jesus responderia com a velocidade de Doumbia na titularidade. Embora Dost seja confiável nos espaços frontais à baliza e possa ser importante nos duelos aéreos, assemelha-se mais favorável à estratégia leonina um avançado com mobilidade elevada, pelo menos na fase inicial do encontro.

Ah, e claro, é preciso sorte. Mas esta, ao que se diz, protege os audazes. Aí, e apesar de tantas vezes traído pelo ego, o Sporting tem um treinador que já deve jogado este jogo vezes sem conta e sempre para ganhar.

Nota: artigo publicado em parceria com o site Fair-Play

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Cinco perguntas sobre Bryan Ruiz

A SAD do Sportin pôs a circular a ideia de  que o Bryan Ruiz recusou-se a sair, não aceitando uma proposta de "8 milhões ano" - entre outras - para justificar o seu afastamento. Fonte da SAD, diz o Record, que se apressou a avançar com a ideia de que, ao não aceitar, o jogador não respeitou o Sporting. 

Pergunta 1: E a SAD respeita o jogador fazendo passar assim, informalmente este tipo de informação?


Pergunta 2: Então e se o jogador - este ou qualquer outro - tivesse pedido para sair exactamente porque tinha uma proposta irrecusável de oito milhões, o que é SAD acharia? 

Pergunta 3: Já agora, que sentido faz ostracizar o jogador que é porta-bandeira da selecção de um país onde até há bom pouco tempo inauguramos uma academia?

E para terminar:

Pergunta 4: Bryan Ruiz não tem lugar no actual plantel? 

Pergunta 5: A sério que há mesmo quem ainda acha que perdemos o campeonato 15/16 por causa do Bryan Ruiz?

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