sexta-feira, 30 de junho de 2017

De Teo a Doumbia às promessas Acuña e Martinez

No mesmo dia que se soube da saída em definitivo de Teo Gutierrez começou a desenhar-se a confirmação da aquisição de Doumbia. E certamente não faltará muito para o mesmo acontecer com Mathieu e eventualmente com pelo menos um argentino Acuña, que até poderá não vir só. 

Talvez se devesse ter aprendido alguma coisa com a passagem de Teo. O valor realizado pela sua venda é inferior a metade do que se pagou por ele. Os dividendos desportivos são mais que duvidosos, não estando incluídos os custos de aquisição e salários pagos. É aí que o entusiasmo pela chegada de Doumbia esmorece, embora este não tenha o registo de instabilidade emocional do colombiano.

Os valores ainda por confirmar nesta transacção serão seguramente altos, os prémios de assinatura também o serão e os ordenados igualarão os de Bas Dost. Será porém muito difícil que a retribuição desportiva do marfinense possa igualar a do holandês, acrescendo que os 30 anos (?) de idade serão um sério obstáculo à realização de mais valias num futuro, que não poderá ser obviamente muito distante. Do ponto de vista da sustentabilidade este é indiscutivelmente um investimento de elevado risco. 

Acrescem ainda as minhas dúvidas sobre a adequação das características do avançado às do nosso campeonato. A sua principal arma é a mobilidade que imprime aos lances a partir de trás - o que o faz parecer mais veloz do que é - aparecendo em frente aos centrais já quase impossível de parar. Se terá espaço para isso no nosso campeonato, é a minha principal dúvida, juntamente com a da compatibilidade com Dost.  Doumbia é contudo um goleador de uma eficácia terrível, senhor de apurado instinto e sentido posicional letais dentro da área, falhando muito pouco quando visa a baliza.

As dúvidas são sempre muitas na hora de contratar, especialmente quando se fala de valores tão elevados, e que não estávamos habituados. Mas a qual(idade) paga-se e é por isso que o preço a pagar por Acunã  e Pity Martinez será sempre elevado. Mas, para lá das inevitáveis dúvidas na adaptação dos sul-americanos ao futebol europeu, estamos a falar de bons jogadores que, em condições normais, permitirão ao clube realizar elevadas mais-valias quer desportivas, quer financeiras. 

Sendo dois bons jogadores, Acuña é "mais normal" e Martinez é especial. E não é só pelo seu drible rápido e curto, e saídas das linhas para o centro (diagoanais) que desarticulam os adversários. O passe é uma das suas melhores armas, assistido por uma visão de jogo e capacidade de bem decidir notáveis. Terá ainda muito que aprender quanto à importância de recuar e gerar reequilíbrios quando a equipa perde a bola, o que será provavelmente mais fácil para Acuña, um jogador mais versátil e capaz de realizar mais funções na equipa.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

terça-feira, 27 de junho de 2017

Entre interrogações, dispensas e aquisições

Quando é que se começou a preparar a presente época para que ainda esteja tanta coisa por definir? Ainda por cima quando as dificuldades do que temos pela frente estavam há muito tempo adquiridas...

Haverá um preço a pagar por todos os atrasos e indefinições, ou está tudo sob controlo?

Tendo em conta os anúncios e rumores, que lugares terão no plantel jogadores da cantera como Francisco Geraldes, Podence, Matheus Pereira, Palhinha, Gauld, Iuri Medeiros  (sobretudo estes) Domingos Duarte (boa época, mas a precisar de rodar), Tobias Figueiredo (péssima época...)?

Do extenso lote de emprestados (Ary Papel, Bruno Fernandes, Mané, Ponde, Ewerton, Fokobo, Ruiz, Guilherme Oliveira, Jonathan, Miguel Lopes, Rosell, Petrovic, Sambinha, Slavchev, Wallyson) não parece que nenhum tenha feito por merecer o regresso.

Relativamente às aquisições já conhecidas que papel está destinado a Matheus Oliveira? Foi um pedido do técnico ou uma contratação da administração?

A ser verdade que Schelotto figura na lista de dispensados, juntamente com Castaignos (pedir 2,5 milhões por um jogador que não joga e quando joga não marca é dizer que não se quer vender?), Douglas, Marvin Zeegelaar quer dizer que além de Piccini ainda vem mais um lateral direito? O mesmo se pode dizer relativamente à esquerda (Mathieu, Jonathan?). Já agora, quanto se lhe pagou (a Schelotto) de prémio de assinatura e melhoria de contrato há um ano para agora ser dispensado?

Quantos centrais vão constituir o plantel além de André Pinto, Coates, Paulo Oliveira? Mathieu como central à esquerda ou lateral? 

Os nomes argentinos entretanto falados (Pavon, Pitty Martinez, Acuña) têm todos boas referências, o que os torna caros por um lado e muito apetecíveis por outro. Virá algum?

Bruno Fernandes é uma das aquisições mais promissoras dos últimos tempos. Jovem, mas já com grande rodagem num campeonato difícil como o italiano será mais um "8" que um "dez" na cabeça de Jesus. Isso servirá de confirmação para a saída de Adrien?

À saída para estágio algumas destas perguntas já estarão respondidas.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Mercado emperrado. Há males que vêm por bem? (Há AG hoje, sabiam?)


As noticias que circulam desde ontem e que a imprensa de hoje acentua dão-nos conta da dificuldade em finalizar as contratações de Mathieu e Doumbia. O mesmo se pode dizer de Coentrão. É fácil perceber o que  JJ vai à procura em jogadores com este perfil: atletas com muito futebol nas pernas e na cabeça, jogadores experimentados. 

Ninguém desmente este atributo, o que se pode questionar é se estes jogadores em concreto, ou mesmo este perfil, são os jogadores de que o Sporting precisa. É assim a "experiência" um valor tão  importante? 

É óbvio que é. Mas, se atendermos a que a experiência é conhecimento acumulado pela prática, ficamos a perceber que, à excepção de Coentrão, nenhum deles conhece as especificidades do futebol português (nem o treinador e respectivo  modelo, clube e colegas e adversários). Pelo que, à partida, esse factor perde o seu carácter diferenciador, pelo menos até os jogadores se adaptarem, o que pode ou não ocorrer, como é comum.

Mas têm inconvenientes óbvios. Além do desgaste físico e emocional que carreiras extensas e vividas em permanente desafio competitivo provocam, a sua contratação envolve os altos salários que auferem e que nem sempre é correspondido com o mesmo grau de empenho e envolvimento da parte dos jogadores.

É preciso apelar a elevado sentido do dever profissional para encarar de igual forma jogar nas melhores ligas europeias como num campeonato do meio da tabela europeia. E esses valores só nos podem ser devolvidos em prestações na competição, porque dificilmente se pode reaver o dinheiro por via da valorização do activo.

Não estranha por isso que os grandes problemas a resolver para convencer este tipo de jogadores a assinar sejam os ordenados que não lhes podemos pagar. Do qual não abdicam porque a sua ligação ao clube tem como objectivo primordial o "venha nós o vosso reino", não se coibindo de um indecorosa sujeição ao leilão de quem dá mais é o melhor projecto.

Não tenho dúvidas que jogadores mais jovens, com ambição de provar seu valor e em busca de reconhecimento nos são mais convenientes quer pelo lado desportivo como financeiro, sendo os riscos menores. Mas isso envolve mais trabalho e conhecimento do mercado externo que parecemos dispor no momento, pelo que contratações como Bataglia me parecem fazer mais sentido.

Isto serve para dizer que há outro lado da moeda que não é tão brilhante quando se olha para nomes e passados associados aos nomes dos jogadores. E se este perfil se torna maioritário está-se também a por em causa a sustentabilidade do clube, uma vez que a única coisa que é certa quando se contrata um jogador é o compromisso de lhe pagar pelo valor contratado.

Olhando por exemplo para as características de Doumbia (opção de 6 milhões por um jogador que daqui a 6 meses tem 30 anos???), vejo com muitas dúvidas a sua resposta a defesas compactas e recuadas no terreno. Preferia o investimento sério - não uns minutinhos... - em jogadores que estão à espera de uma real oportunidade e que já provaram o seu valor. Isto não esquecendo que ainda há para a mesma posição Alan Ruiz, em quem o clube investiu fortemente.

É óbvio que cada caso é um caso. Casos de sucesso em contrações de veteranos como o de Schemeichel rareiam. Grande parte das vezes os movimentos que eternizam a passagem deste tipo de jogadores pelo clube é a ida à secretaria uma vez por mês para levantar o cheque.

Nota importante: Hoje há Assembleia Geral para aprovação das contas do clube que, incompreensivelmente, e à semelhança da inauguração do pavilhão, ocorre a um dia de semana. Mesmo que a publicitação do evento tenha cumprido todos as normas estatutárias, o que é altamente duvidoso, os sócios não mereciam melhor comportamento? Ou o clube só conhece os nossos e-mails quando é para nos chamar a contribuir? Não podiam ter enviado a todos nota do evento com as contas a aprovar em anexo? Bem sei que para quem assim procede entende que isto são favas contadas porque os sócios assim o têm permitido, mas pelo menos façam de conta que merecemos mais respeito.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Pavilhão João Rocha inaugurado com um lugar vazio

Hoje é um dia de festa. 13 anos depois, o Sporting Clube de Portugal volta a ter um pavilhão condigno com o estatuto do Clube e o valor das suas modalidades. Desde 2004 quando a Nave, parte integrante do antigo estádio, foi derrubada, que as modalidades de pavilhão andavam com a casa às costas, com as equipas a jogarem onde não treinavam, e com os adeptos a terem que "voar" do Vistoso a Odivelas, de Odivelas a Alvalade, de Alvalade a Alverca, de Alverca para Cacilhas, e por aí fora. O meu agradecimento aos actuais dirigentes leoninos, que conseguiram pôr de pé esta magnifica obra.
Mas infelizmente nem tudo é alegria. Logo, na Inauguração, vai estar um lugar vazio. É o lugar do Vitor. Do Vitor Araújo. Um Leão que não falhava com o seu apoio, em qualquer jogo de qualquer modalidade. Há mais de 40 anos, que o conheço, em casa ou nos campos dos adversários, bem enquadrado por muitos sportinguistas ou sozinho no meio de um pavilhão cheio de adeptos adversários.

A sua ânsia de apoiar os Leões dentro de campo, fazia com que ignorasse totalmente comentários e provocações de adeptos adversários. De tal modo que muitas vezes assisti a adeptos de outros  clubes a repreenderem os seus próprios companheiros por estarem a provocar o grande Vítor, que, imperialmente, não lhes "ligava nenhuma".

Penso que o Vitor, "vai" feliz, ao saber que o Sporting volta, finalmente, a ter o seu Pavilhão João Rocha. E que logo pelas 18:30, lá onde estiver, surgirão 3 palmas ritmadas seguidas por um forte grito "SPORTING!"

Adeus Vítor! Descansa em paz!

Nota1: este post é da autoria do 8

Nota 2: O Vitor Araújo estava nomeado para os prémios Honóris Sporting 2017, na categoria de sócio do ano. O clube, muito bem, já emitiu nota de pesar na sua página oficial.Vitor Araújo foi prémio Stromp em 2011.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Como o vídeo pode matar o futebol ou como arruinar uma ideia imprescindível

Nota: Não tem nada a ver com desporto (nem com o tema do post)  mas tem a ver com a vida e sem vida não há desporto. A imagem que ilustra o post (da autoria de Pedro Brás, dos BV de Tondela) é a minha singela homenagem aqueles que dão melhor da sua vida para que a nossa seja melhor. Não há palavras suficientes para exprimir a minha gratidão.

O tema do post é o vídeo-árbitro (VAR) com cuja introdução estou completamente de acordo, entendendo até que peca já por tardia. Mas, após os primeiros exemplos práticos, ressalta a necessidade de uma melhor articulação entre todos os intervenientes e de medidas complementares, para que a implementação da medida tenha o sucesso necessário e não possa ser aproveitada por aqueles que vivem na sombra da mentira e na manipulação de verdade desportiva.

Celeridade: A actuação do VAR deve ser o mais célere possível, de forma a evitar que o jogo prossiga e este tenha desenvolvimentos com potencial para alterar o resultado do jogo. O exemplo do nosso golo anulado ontem (que foi bem anulado) mas cujo tempo decorrido entre o fora-de-de-jogo e a obtenção do golo acabou por ser elevado para que se percebesse o motivo da anulação.

Transparência: A necessidade de transparência na utilização do VAR é determinante para o seu sucesso. Para isso é necessário que os intervenientes directos percebam o que está a acontecer. Ora, como as imagens permitiram observar, é muito duvidoso que os jogadores tivessem ficado completamente inteirados da justiça da decisão. Se tal aconteceu com os jogadores e treinadores, o que terá sucedido com os espectadores e jornalistas e todos os presentes, elementos indispensáveis ao sucesso do futebol?

Medidas complementares: À medida que vai decorrendo a sua utilização, mais casos surgirão que obrigarão à tomada de medidas complementares que potenciem o seu sucesso,  para que os "velhos do restelo" e parasitas que vivem dos "enganos" não matem o VAR à nascença. Temo que o imobilismo e o interesse em continuar a dominar e ter uma palavra activa nas decisões dos jogos nos bastidores, (mas que só deveria acontecer nos relvados) por parte de quem deveria regular (FIFA, UEFA, etc.) contribua para a instalação de um sentimento de aversão a uma medida que potencia a verdade desportiva.

Dentro dessas medidas o tempo de jogo é fundamental. A discussão à volta de uma regulamentação diferente da actual sobre o tempo de jogo já decorre há muito. As interrupções que o VAR imporá vêm diminuir ainda mais o tempo útil do jogo, associando-se a outras, como lesões e sobretudo ao anti-jogo. Mais tarde ou mais cedo as tradicionais duas metades com 45 minutos de jogo terão que dar lugar ao tempo útil, quer no interesse do espectáculo, quer mesmo na importância que este terá para a própria verdade desportiva e interesse do espectáculo. Eventualmente 30 minutos de jogo útil em cada parte parece-me ser um bom ponto de partida para essa discussão.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Benfica 10 anos à frente da concorrência

É impossível não concordar com o presidente do conselho de arbitragem na sombra e que acumula funções também como presidente do SLB. As revelações que aos poucos vêm sendo feitas pelo director de comunicação do FCP no Porto canal vão confirmando o lugar que LFV escolheu para si e que põe o clube que dirige muitos anos à frente da concorrência. 

Vou até mais longe: como é bom perceber isto é apenas a parte visível do imenso esgoto em que se debate o futebol nacional e que escorreu para o exterior. Mas é já o suficiente para confirmar aquilo que se intuía jornada após jornada. Árbitros  e dirigentes condicionados ou mesmo comprometidos com um desígnio: que o SLB fosse campeão custasse o que custasse.    

Os momentos  e reacções que se seguirão serão esclarecedores sobre o grau de comprometimento dos árbitros, via reacção da APAF. Vai haver boicote corporativo ou vão finalmente querer expurgar a classe da fruta apodrecida? A Liga de Clubes, tão preocupada o fumo, vai finalmente preocupar-se com as fogueiras e os incendiários a credibilidade do futebol nacional? A FPF e até mesmo o governo vão continuar a assobiar para o lado e desviar os olhos?

PS: Não deixa de ser "engraçado" ver o nome de Manuel Mota como "nosso amigo" (deles) na boca da máquina benfiquista. Eu que o tinha como amigo do peito do Sporting. Uma  bela arbitragem diz o Janela!
E quem não se lembra, entre muitas outros favores do Mota, a anulação deste golo limpo de Slimani, em dezembro de 2013. Uma amizade já com vários anos. Este senhor, que todos já tínhamos percebido que não tinha condições para arbitrar,  vai continuar no activo? Se sim ao menos que finalmente se cumpra o sonho que há muito deve acalentar, e apareça vestido de águia ao peito. Como muito bem lembrava hoje o Cantinho do Morais, este golo ter-nos-ia colocado então em primeiro lugar


sexta-feira, 9 de junho de 2017

Entradas e saídas que por enquanto não entusiasmam

Cromos repetidos
Estão para já confirmadas as entradas de André Pinto, Piccini e Matheus Oliveira. Não são merecedoras de grandes entusiasmos estas aquisições, criando a sensação de cromos repetidos. Isto é, de jogadores que parecem não acrescentar grande valor ao que já temos disponível. Exactamente o contrário do que parecia ser necessário: mesmo que poucos, elementos que significassem um reforço indiscutível.

O caso dos laterais é dos mais carenciados mas Piccini não parece que tenha muito mais a dar que Schelotto já dava. André Pinto é um valor interessante para uma segunda linha mas não representará propriamente a ideia de valor acrescentado em relação a Coates e Paulo Oliveira e não tem a velocidade de Semedo, que acaba de sair. De Matheus, além de partilha da mesma ideia dos anteriores não se percebe muito bem onde JJ o irá por a jogar. Mas sobretudo de quem abdicará, dos jogadores da casa que poderiam fazer a posição, para dar o lugar ao brasileiro.

Dúvidas & dúvidas, Lda
A saída de Ruben Semedo pode de certa forma ser considerada uma surpresa. Pela época irregular, em linha com a da equipa, pode-se dizer que o preço pago pelo Villareal até foi bom. Mas, buscando nos arquivos as exibições da época anterior, constata-se que estamos na presença de um jogador com um potencial imenso que só o azar, más escolhas ou a instabilidade que por vezes vem ao de cima se podem opor a uma carreira sólida. 

Talvez estejamos na presença de uma saída extemporânea, atendendo a que a permanência de pelo mais uma época poderia funcionar a favor de um jogador que precisa ainda de crescer emocionalmente. É claro que não estamos perante um "produto" totalmente consolidado, um problema que por vezes acaba por marcar negativamente o progresso de jogadores promissores. Oxalá tudo corra pelo melhor.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Entre Papas & 1º's ministros

O Sporting tem estado a assistir de cadeirinha às acusações do FCP ao SLB de ter a arbitragem (e não só...) na mão. Isto é assim mais ou menos como encontrar na rua o artista que afundou o império BES e o Oliveira e Costa ex-BPN a acusarem-se mutuamente de burlões: "és tu!" "Não, tu és muito mais!" Não deixa de ser um lindo espectáculo.

Ora, da mesma forma que não foi preciso ouvir sequer as gravações do apito dourado para toda gente perceber o que se estava a passar, não é preciso agora conhecer a correspondência do Pedro Guerra para saber quem é o dono do quintal da arbitragem. Ainda assim saúda-se o esforço feito pela máquina portista em desferir golpes certeiros e em profundidade na carapaça do "1º ministro" em exercício. 

Como Sportinguista interessa-me saber qual é a estratégia que seguiremos de agora em diante. Porque não vale a pena fazer de conta que não percebemos o que se está a passar: trata-se de uma contraofensiva para recuperar a cadeira perdida. Que, uma vez reconquistada, não contemplará espaço para mais ninguém. 

Das suas uma: ou Sporting tem uma estratégia já definida para retirar proveitos desta luta de poder ou então verá limitada a sua acção agora à difusão dos vídeos do director de comunicação do FCP (que, reitero, têm sido certeiros), eventualmente também à partilha dos posts do Dragão Diário. No futuro voltará ao lugar na bancada olhando para um lado e para outro, qual espectador de Roland Garros, enquanto a bola (leia-se os favores e jeitinhos) saltam de um campo para outro. Porque é mais fácil acreditar no Pai Natal do que na generosidade do Papa numa futura partilha de poder ou saneamento do futebol português.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Leaks do Car(v)alho: pregos no caixão e tiros nos pés

Há já algum tempo que era conhecedor dos dois factos que hoje agitam as noticias entre os Sportinguistas - as declarações de BdC aos jornalistas e o documento relacionado com a venda de Ruben Semedo - e, tal como então confidenciei entre amigos, estranhava que não tivessem chegado ainda aos jornais. Apesar do conhecimento prévio or duas razões nenhuma das matérias foi aqui abordada antes: por compromisso de honra de não o fazer perante quem me fez chegar a informação e por vergonha alheia. É por essa razão que me limitarei a comentar a matéria mas a não a reproduzir.

Sobre o documento que escapou entre os dedos da SAD trata-se de um tiro nos pés na credibilidade da nossa estrutura empresarial. O segredo é a alma do negócio e uma empresa que não o consegue manter em aspectos fundamentais da sua actividade está condenada ao fracasso, gerando desconfiança entre os seus parceiros de negócio e interlocutores. Fica por perceber porque cede o Sporting a terceiros os poderes de uma negociação cujos traços gerais estavam já, e bem, delineados por BdC. Para que serve afinal o "Director of Support Department", apenas para redigir ofícios?

Já relativamente à revelação das conversas tidas com os jornalistas, a questão do respeito pelo código deontológico por parte daqueles profissionais não é neste caso de somenos importância. Mas o interesse dessa discussão pode ser importante para o meio jornalístico mas cai para plano secundário para a generalidade dos adeptos perante a gravidade do que é dado a conhecer na gravação. "A gala é quando eu quero, ponto final". "Os adeptos são estúpidos por quererem jogadores da Academia no plantel" são das poucas pérolas publicáveis. E claro, atendendo à "transparência" observada no primeiro exemplo, fica por confirmar a autoria do "leak".

A ideia de conversas particulares com jornalistas é de uma ingenuidade atroz que ainda é exponenciada pela manobra de "ministro da propaganda do Iraque" do director de comunicação. Conversas manipuladas? Mais valia não dizer nada.  Depois convém lembrar que não se trata de uma conversa em off entre amigos. Os interlocutores são jornalistas, seguramente que a maior parte dos quais não tem qualquer ligação ou intimidade com Bruno de Carvalho.

Mas o que mais uma vez se confirma é que Bruno de Carvalho não tem a mais elementar noção do  cargo que ocupa, quem representa e da instituição a que preside. Não menos importante é a noção de respeito pelo lugar onde essas conversas são promovidas. Alvalade não pode ser confundido com o mais reles dos tascos como aconteceu neste triste episódio. Tenho dúvidas que em muitos desses lugares o autor desta conversa não fosse convidado a sair.

Sobre as generalidade das declarações, nenhuma surpresa porque já há muito que percebi que não há limites para Bruno de Carvalho. O mesmo em relação ao tom condescendente como elas vão ser analisadas por alguns sócios e adeptos. É a abertura sem quaisquer limites que lhe vem sendo oferecida desde o inicio do seu primeiro mandato que lhe alimenta a combustão permanente em que vive.

Como várias vezes tenho dito entre amigos é Bruno de Carvalho que se tem encarregado de fazer a cama onde se deita. Ou se preferirem é ele que constrói o seu próprio caixão. Este caso é um bom exemplo porque é apenas o "the last but not the least". Quando deveria estar a saborear os êxitos das várias conquistas desportivas recentes ou mesmo dos resultados trimestrais alcançados estes acabam sepultados debaixo do ruído que o próprio se encarregou de oferecer em bandeja e megafone.

Fica a dúvida sobre o que é pior: que o estado em quem se encontrava BdC no momento em que efectua as declarações seja natural ou induzido, atendendo a que, pelos vistos, se tratava de um pequeno-almoço...

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Dobradinhos

Dobradinhos de gratidão é como devemos estar não só perante os troféus mas também pela qualidade e pelo excepcional espírito de corpo e dedicação ao clube exibidos pelas nossas campeãs que ontem juntaram a taça ao campeonato. Gratidão que se estende a todo o departamento perante aquilo que se pode considerar os golos a partir do pontapé de saída que os títulos em todos os escalões constituem. O lema "Não há desculpas" não podia ser mais oportuno e mais feliz. Parabéns!

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Ganhar pode ser um hábito? E quanto vale o amor à camisola?

Imaginem que o Ruesga não usava com precisão - e muita raiva, e muita classe! - aquela arma de destruição maciça que deu em golo ou que o Cudic não imitava uma parede naquele lance final. Enfim, imaginem que tudo voltava a correr mal, como já havia sucedido anteriormente, várias vezes. Se tal sucedesse eu não estaria a escrever agora este post, mas sobretudo não teríamos escrito mais uma maravilhosa história para contar. 

Antes que pensem que vou efectuar um exercício de masoquismo desenganem-se. Este primeiro paragrafo serve apenas para colocar a questão: mereceria menos do nosso apreço e consideração se, por um qualquer acaso em que o desporto é fértil (um ressalto, uma mão a desviar o caminho da bola) não tivéssemos sido bem sucedido e não tivéssemos reconquistado o título ao fim de 16 anos, apesar de todo esforço e dedicação postos em cada lance? Talvez não conseguíssemos encontrar disposição e energia para o fazer, mas seguramente que o mereceriam. Foram bravos, lutaram e, apesar do espectro da desilusão, puseram todo o coração quando a ansiedade toldou a razão. 

Sobreviver aos minutos finais era imperativo, já se adivinhava que iriam ser difíceis. Quanto pesam afinal 16 anos sem ganhar, ficando tantas vezes no limiar do sucesso? Que valor acrescentado tem em termos colectivos e individuais o hábito de ganhar, a familiaridade com os títulos? Quantas vezes tremem as mãos ou os pés, quantas se desconfia da sorte e de si próprio quando os momentos decisivos se aproximam? Apesar da subjectividade do tema não permitir quantificações é quase inevitável pelo menos questionarmo-nos. Por isso foi tão importante esta vitória, foi quebrada uma importante barreira psicológica que habitualmente se colocava entre nós e o sucesso em alturas decisivas. 

Ora o que esta vitória ajudou a revelar foi que ela se ficou a dever em grande parte a uma estrutura semi-amadora, desde o treinador, a alguns dos responsáveis administrativos, convivendo lado a lado com profissionais bem pagos. Algo que talvez julgássemos não existir a este nível. Pessoas que inventam forças e tempo para se desdobrar em pais, maridos, profissionais convencionais e simultaneamente de alta competição. Como se consegue? Seguramente, até pelo que pudemos observar nas declarações do post-jogo, porque para eles o Sporting é mais do que uma profissão, é uma paixão, são como nós, são uns de nós. 

Talvez as estruturas mais profissionalizadas, como por exemplo o futebol, devam ter mais gente assim. Obviamente habilitados pela formação específica de alto nível indispensável, mas qualificados também pelo sentimento, pelo coração. É que quando tudo parece faltar é aí, no amor inexplicável e incondicional que temos pelo clube que damos o que é preciso e que mais ninguém poderá dar.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Houve troca de contratos na "operação Rodrigo Battaglia"?

Dizer que Rodrigo Battaglia é um jogador com perfil "à Jesus" é dizer o óbvio, mas não é dizer tudo. Trata-se de um jogador que há muito tempo anda no radar dos scouters e a única surpresa foi a sua chegada a Braga, quando se lhe auguravam outros destinos mais vistosos. Porém, a confirmar-se a sua saída para Alvalade, o tempo passado na cidade dos arcebispos foi menor do que o número de viagens de ida e volta: desde que chegou em 2014 não se conseguiu fixar no plantel, rodando entre Moreirense, Chaves e incluiu até um breve regresso à Argentina. Foi precisamente em Chaves que despertou a atenção, mostrando algo que ainda não se tinha visto e que nem os últimos meses num Braga em perda menorizou.

Imagina-se que JJ veja nele um potencial "8", no lugar de Adrien  e até não surpreenderia ninguém que o estivesse a ver jogar no lugar de Adrien. O argentino não tem medo de ter a bola nos pés, lê bem o jogo, não se limitando por isso às tarefas de pressionar e defender que o seu porte físico permitem intuir. Quem o conhece augura-lhe um bom futuro, estranhando ter demorado tanto tempo a chegar a um grande. Como obstáculos a contornar pelo argentino, e que poderão ter estado na origem deste interregno, uma menor qualidade no último passe e alguma dificuldade emocional para lidar com as suas expectativas.

Por curiosidade pode-se acrescentar que é um internacional sub-20 pela Argentina que se cruzaria com a selecção portuguesa e ficaria pelo caminho nos quartos-de-final, no desempate por grandes penalidades da competição de 2011.

Potencialmente trata-se de uma aquisição muito interessante. O preço, como sempre, só contará se acabar por defraudar as boas indicações que traz, mas 3,5 milhões mais dois jogadores parece excessivo. O mais intrigante contudo são os termos até agora conhecidos das contrapartidas adicionais: o empréstimo de Jefferson e a cedência definitiva de Esgaio. Não terão trocado os nomes nas cláusulas? É que Jefferson está a caminho da última época de contrato, ficando livre em Dezembro. E Esgaio, de quem se vai dizendo sempre que é pouco, além de não desmerecer em nada aos que ficam, sempre é da casa, sendo por isso difícil de perceber a saída em definitivo. Não faltam exemplos semelhantes de decisões das quais não faltaram razões para nos arrepender.

Nota: Jefferson tem contrato até 2020 e não, como pensei, até 2018. Tem 28 anos e Esgaio 24.

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